Destaques

sábado, 28 de abril de 2012

Lygia Fagundes Telles - Venha Ver o Pôr do Sol





Esta aí um grande conto escrito por uma renomada e imortal (membro da ABL desde 1985) escritora. Nesse conto, Lygia faz uso de uma linguagem concisa, tornando-o bem dinâmico. Ela também faz com que o leitor observe os fatos bem de perto. Venha ver o por do sol é narrado em terceira pessoa, ou seja, o narrador é heterodiegético (O narrador não é personagem da história), mas tomamos conhecimento dos personagens através dos diálogos entre eles, exceto sobre suas características externas, que são descritas pelo próprio narrador.
Venha ver o por do sol, relata o último encontro entre os ex-namorados Ricardo e Raquel. Ricardo após inúmeras tentativas, finalmente consegue convencer Raquel a encontrá-lo. Só que Raquel se surpreende ao constatar que o endereço marcado é em um cemitério abandonado. Ele logo contorna a situação alegando que lá foram enterrados seus entes queridos e que sempre ao visitá-los ficava deslumbrado com o por do sol que era proporcionado por aquele lugar. Ela a contragosto resolve então conhecer o local e durante o percurso resiste às investidas de Ricardo desdenhando-o enquanto enaltece com inúmeros  superlativos seu atual affair. Nesse momento, o narrador começa a dar sinais de que as intenções de Ricardo não são das melhores. A tensão já começa a pairar somando-se com aquela paisagem soturna. Não há sequer sinal de vida no recinto. Eles chegam ao seu destino e Ricardo convida Raquel a descer as escadas da catacumba e sem ao menos esperar, Raquel se vê presa por Ricardo que a abandona a própria sorte naquele espaço mórbido.
Vale lembrar que há um intertexto entre Venha ver o por do sol e Barril de Amontillado, conto escrito por Edgar Allan Poe, pois ambos tratam dos temas vingança e morte, através do abandono de suas vítimas em lugares fúnebres sem contato com qualquer testemunha ocular.



(Texto: Sergio Silva)
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Exodus - Carioca Club 22/04/2012




Em uma tarde fria e chuvosa de domingo, o EXODUS esteve na capital paulista para mais uma “aula de violência”, e desta vez o palco da destruição foi o Carioca Club.
As bandas convidadas para abrirem a noite foram NERVOSA e CLAUSTROFOBIA. E as meninas do NERVOSA, banda  formada por Fernanda Lira (Vocal/Baixo), Prika Amaral (Guitarra) e Fernanda Terra (Bateria), acabaram sendo as mais prejudicadas da noite, pois devido ao atraso de quase uma hora e meia para que fosse aberto os portões da casa, o set list foi encurtado e somente cinco musicas foram executadas. E, além disso, ainda houve um problema no microfone (que foi normalizado quase no fim da primeira musica). Ponto para as garotas que souberam superar esses problemas com muita energia e fúria. Destaque para as musicas “Uranio em Nos” e Masked Betrayer”(que possui um vídeo clip).
 Ai foi a vez dos “maloqueiros” do CLAUSTROFOBIA subirem no palco, e literalmente roubarem a cena, pois os caras estavam com “ sague no olho” e a apresentação foi matadora, uma paulada atrás da outra. A banda esta promovendo o novo álbum “Peste”, gravado totalmente em português e que esta sendo muito elogiado pela critica especializada. Não faltaram clássicos como “Enemy”, “Thrasher”, “Pino da Granada” e a indispensável “Metal Maloka”.  O CLAUSTROFOBIA, já não e mais uma promessa, e a mais pura realidade. Vida longa ao “Metal Maloka”!
A grande atração da noite não carece de apresentações, e mesmo já não contando com a formação clássica, os membros atuais são dignos de fazerem parte de uma  das maiores lendas do Thrash Metal. O EXODUS, que conta com o grande mestre Gary Holt, executou uma sequencia mortal, e que foram despejadas impiedosamente para o publico ensandecido.  “Piranha”, “Metal Command”, “Fabulous Disaster”, “Bonded By Blood” e “Toxic Waltz” foram algumas das perolas. Os discos mais recentes também estiveram no set list e foram igualmente festejadas pelos fãs.  
O publico não lotou a casa, afinal, abril foi um mês “inchado” em termos de shows internacionais, mas todos que presenciaram “a aula”, saíram com o pescoço em frangalhos (inclusive esse que vos escreve).

(Texto: Roberio Lima)
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domingo, 22 de abril de 2012

Lua de Fel (Bitter Moon)






Lua de Fel é um filme lançado em 1992 e foi escrito, produzido e dirigido por Roman Polanski (vencedor do Oscar de melhor diretor por O Pianista). Polanski nos envolve em uma narrativa dramática, corrosiva e sensual. O filme começa nos apresentando o casal Nigel (Hugh Grant) e Fiona (Kristin Scott Thomas) que em um cruzeiro com destino a Istambul tenta superar a crise dos sete anos de casamento. A bordo eles têm seu primeiro contato com Mimi (Emmanuelle Seigner). Mais adiante Nigel reencontra Mimi no bar do cruzeiro, enquanto Fiona fica em sua cabine dormindo (aliás, ela faz isso quase que no filme inteiro, mas aparece no fim colaborando com um dos melhores desfechos de todos os tempos) e começa a se encantar com sua sensualidade. Mimi por sua vez o despreza achando-o sem graça (realmente, o cara é um picolé de chuchu). Enquanto toma um ar (para se recuperar do fora levado) aparece um cadeirante chamado Oscar (Peter Coyote) dizendo-se marido de Mimi. Oscar alerta Nigel alegando que Mimi é perigosa e que ela o deixou naquela cadeira de rodas. Nigel conduz Oscar até seu quarto (Mimi dorme em outra cabine). E é a partir daí que Oscar começa narrar para Nigel (a princípio contra a vontade do ouvinte) toda sua história com Mimi, desde o início quando a avistou em um dia de outono em Paris, ambos a bordo de um ônibus. Ela distante em seus pensamentos e ele a contemplando por cima do jornal, até a chegada do cobrador que depois de solicitar seu bilhete, a fez perceber que não o tem e Oscar discretamente entrega a ela o seu, sendo obrigado posteriormente a desembarcar. Começava ali a obsessão de Oscar em encontra-la novamente pelas linhas de ônibus e ruas de Paris. Enfim o reencontro acontece, dando início a um romance onde a diferença de idade (ela uma ninfeta e ele bem mais velho) é pulverizada por um desejo ardente, onde o prazer não encontra limites. Oscar deixa de dar importância aos cafés nas calçadas, as saias esvoaçantes, e aos casos fugazes e mergulha definitivamente nos braços de Mimi. Distantes do mundo externo, enclausurados em um apartamento, ambos extravasam todas suas fantasias. Em um café da manhã, Mimi se lambuza propositalmente com uma caixa de leite deixando Oscar louco (e eu também). Apetrechos sexuais também são usados, como roupa de látex, fantasia de animais e amordaças, criando um clima de dominação. Mas tudo isso começa a ter prazo de validade e esse ardente romance começa a esfriar, mais por conta de Oscar que logo se cansa da submissão de Mimi despertando nele seu lado sádico.  O leite bebido direto na caixa por Mimi, que provocava desejo em Oscar, passa agora a criar repugnância. O beijo que Oscar se obriga a dar em Mimi lembra um cigarro sendo apagado em um cinzeiro. Trocas de ofensas e agressões passam a ser então a tônica do relacionamento. Não tem como não ficar tocado pelo desprezo que Oscar submete Mimi. Ela se humilha, não quer deixa-lo e em um momento pergunta a ele qual a sua culpa o que ela fez? Ele friamente responde: nada, você apenas existi. Essas humilhações sofridas por Mimi desperta ainda mais desejo em Nigel que a essa altura já se vê completamente apaixonado. Daí para frente, cabe a você, caro leitor, ir atrás desse filme para desvendar como Mimi deixou Oscar paraplégico como a “dorminhoca” da Fiona ressurge no final e como essa trama bem elaborada se encerra de forma espetacular.

(Texto: Sergio Silva)
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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Kraftwerk- A Máquina Musical.







  Acredito que o público que, carinhosamente,  visita este blog  já percebeu que se trata de um espaço voltado para o compartilhamento de informações sobre os mais diversos assuntos, sem a menor intenção de impor qualquer valor estético ou pregar qualquer posição política, e é por isso que ele é aberto a todos que tenham algo de interessante e enriquecedor para dividir, seja sobre música, cinema, literatura ou qualquer outro tema relevante para o enriquecimento cultural. Porém, como é de se notar, a música é a tônica dominante do blog, música pra todos os “bons gostos”.
É em virtude dessa característica que hoje quero usar este espaço para falar de algo que humildemente admito não ser um grande conhecedor, apesar de um ser grande amante da música, confesso que alguns estilos me são de difícil assimilação e outros que definitivamente não me agradam. Sempre tive horror à música eletrônica, pelo menos o que a maioria de nós conhecemos como tal, o famoso putz putz trilha sonora de raves regadas a drogas sintéticas. Sempre gostei da marca humana presente na música, da inspiração nas letras bem elaboradas, da pulsação de vida em cada nota, do sentimento expresso em cada acorde, em cada riff, por essas razões sempre tive certa aversão à música eletrônica, até o momento que ouvi uma banda  alemã chamada Kraftwerk (usina de energia em alemão) que me fez mudar o meu radicalismo em relação a este estilo (embora ainda continue odiando o putz putz).
O Kraftwerk foi o grupo que inventou um estilo de música totalmente feita e tocada por meio de sintetizadores e foram os responsáveis pela popularização da música eletrônica e precursores de estilos como o techno e o electro além da   moderna dance music. Todavia o Kraftwerk vai muito além de todos esses estilos, aliás, apesar de ser o precursor de tais estilos, o Kraftwerk tem um som bem próprio e em nada comparável com estes. A banda foi fundada por Florian Schneider e Ralf Hutter em 1970, mas sempre contou com a participação de outros músicos, embora muitos deles nem tenham chegado a participar de algum disco, porém a formação mais duradoura e bem sucedida foi aquela que durou de 1975 a 1987, que incluía a participação dos percursionistas Wolfgang Flur e Karl Bartos, ou seja, apesar de todo o aparato tecnológico da época, pífio, comparado à tecnologia de hoje, o elemento humano era dominante, o que fica bem visível em suas músicas, as suas letras, apesar de mínimas, tratam da vida urbana e da tecnologia europeia do pós-guerra e fazem uma celebração e alertam sobre os males do mundo moderno. Além do alemão, sua língua materna, a banda também gravou em inglês e francês, a sua discografia oficial (álbuns de estúdio), que vai de 1970 a 2005, conta com muitos álbuns que se tornaram clássicos da música no século XX, como Autobahn, de 1974 e  Die Mensch- Maschine, de 1978.
    Porém, na minha singela opinião, o grande clássico da banda é sem dúvida o álbum Trans-Europa Express (ou Trans-Europe Express, em inglês), de 1977, no qual está a música que me fez descobrir a banda, The Hall of Mirrors, que me fisgou de imediato na primeira audição pelo seu clima sombrio e temática introspectiva, e que possui um refrão que ficou por dias na minha cabeça após ouvi-la pela primeira vez (Even the greatest stars find their face in the looking glass), além de outras que fazem desse álbum um dos mais influentes do século XX como showroom dummies e a música título do álbum, Trans-Europe Express. Enfim, mesmo para aqueles que, assim como eu, ainda tem alguma restrição a este estilo, recomendo que conheçam o som desta banda, pois garanto que, mesmo que não gostem, irão conhecer uma banda de grande importância e relevância para a música moderna. 

(Texto: Nilton Aquino)
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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Paul McCartney – Run Devil Run.





Em 1999 Tio Paul resolveu chamar uns camaradas das antigas e gravar o que seria uma verdadeira aula de rock and Roll para essa juventude desorientada. A maioria das músicas são covers do final dos anos cinquenta, canções que Paul ouvia em sua adolescência.
Paul como de costume se encarregou do baixo. Para os teclados e piano, chamou o produtor musical e jornalista, Pete Wingfield. Para a bateria, chamou Ian Paice (eterno membro do Deep Purple). Enfim, para as guitarras foram chamados Mick Green, que acompanhou por um longo período a lenda Van Morrison e um tal de David Gilmour, que já foi membro de um tal de Pink Floyd.
Não tinha como começar o disco de forma melhor. O hino do Rockabilly, Blue Jean Bob de Gene Vincent (um dos maiores expoentes do gênero) já dá claras dicas do que virá pela frente. Agora, o que Paul fez com All Shook Up, com certeza fez Elvis chacoalhar a pélvis no caixão. É contagiante o riff de guitarra dessa música. Run Devil Run (que dá título ao disco) é uma verdadeira pedrada composta por Pau. Ela me fez pensar se Paul não tem um terceiro pulmão, haja fôlego! No Other Baby é uma baladona (que até minha mãe adora), estruturada em doze compassos ( I-IV-V - muito usado no blues). Em Lonesome Town, outra balada, David Gilmour faz um solo de guitarra encantador, colaborando com a melancolia da música. Em coquette, um piano frenético dá o tom. Em Shake a Hand, um Paul desesperado canta como se fosse seu último instante de vida. Para “passar a régua” Party faz jus ao nome. Experimente coloca-la para rolar em uma festa e aguarde o estrago.
Pelo menos para mim, Tio Paul e sua trupe, com esse tratamento de choque, mostrou que o bom e velho Rock and Roll não depende só de atitude e sim de talento.

(Texto: Sergio Silva)
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domingo, 15 de abril de 2012

Punk Na Paskoa - 06/04/2012





Esta foi a sétima edição do festival PUNK NA PASKOA, e nada mais bacana que curtir a sexta-feira “santa” exorcizando os demônios. As bandas escaladas para esta empreitada foram mais que competentes e transformaram o HANGAR 110 em uma verdadeira “Missa Punk”.
Bem antes do horário marcado para começar a festa, já havia certa movimentação nas imediações do HANGAR, e que aos poucos se transformou em uma imensa fila para entrar na casa. Certamente ninguém se arrependeu por esperar. E a seguir os principais momentos de cada banda:
O trio feminino VITIMA apresentou um set curtíssimo, mas com um som bem direto agradou ao publico, que naquele momento, ainda estava em quantidade bem reduzida.  Na sequencia os caras do ODIO SOCIAL , banda que esta na ativa desde 2000, e que possui um som altamente agressivo e com claras influencias que vão do Punk ao Grind. Tocaram sons como “Agoniza” e “Nada” (Olho Seco). E que foram as responsáveis pelas primeiras rodas da noite. 
O OITAO tem um currículo respeitável, já abriu para bandas do porte de NUCLEAR ASSAULT, EXTREME NOISE TERROR e nesta semana tocarão com o BRUJERIA. E os caras fizeram uma apresentação excelente e tocaram entre outras “ Mundo” e “Imagem da Besta” que agitaram a galera. Outro destaque da apresentação foram as participações especiais, Markon (Ex- Lobotomia), que se juntou a banda para fazer uma homenagem ao saudoso Redson, do COLERA,  tocando “Quanto Vale a Liberdade?” e Tatola (Ex-Não Religião). Sem comentários!!
A seguir entrou no palco, a banda que e considerada a primeira punk do Brasil. Contando com Ariel ( Invasores de Cérebro) no vocal, Nono (Inocentes) na bateria, Douglas Viscaino, na guitarra, e Luiz, no baixo. A apresentação foi insana e a galera, naquela altura dos acontecimentos, estava alucinada e cantavam (cuspiam?) toda a indignação contida nas musicas. “Somos Todos Escravos De Um Balde De Lixo”, “Rebeldia Incontida” e ”Restos de Nada”. Atitude mais punk impossível.
O PERIFERIA S/A, banda formada por integrantes do RATOS DE PORAO, botou mais lenha na fogueira. “Devemos Protestar”, “Segunda Feira” e “Periferia” do RATOS, deixaram os presentes em alvoroço.
Quem já esteve em um show do AGROTOXICO, sabe do que estou falando, os caras, literalmente roubaram a cena e injetaram dozes cavalares de violência em uma plateia já enfurecida. E para não deixar pedra sobre pedra, Fabiao (Olho Seco), se junta a banda para executarem “Nada”. Apresentação marcante.
 O D.F.C e uma das bandas mais clássicas do Hardcore/Punk brasileiro e, confesso que nunca havia assistido a um show dos caras. Mas que apresentação!!  A noite seria registrada para a gravação de um DVD. Uma sequencia de pancadaria foi a deixa para que os Stage Diving (presente em praticamente todas as apresentações), se tornasse uma verdadeira “cascata humana”. Quanta fúria!! O Que dizer de “Vai Se Fuder no Inferno”, “Vou Chutar a Sua Cara”, “Possuidos Pelo Cao” e o final apoteótico (pra não dizer caótico), com “Molecada 666”?
Apresentação para ficar na historia, alias todas as bandas e demais envolvidos estão de parabéns pela excelente iniciativa.  Vida longa ao PUNK NA PASKOA!!!

(Texto: Roberio Lima)
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E Eu Que Achava Que Amava a Música.





Num domingo por volta das 20:00, procurando algo “assistível” na tv aberta, me deparei com um programa que nem sabia que ainda estava no ar. Me refiro ao programa de entrevistas chamado conexão Roberto D’ávila. Sempre me cativou a forma com que Roberto D’ávila conduz sua entrevista, deixando seu entrevistado completamente a vontade, sem ser interrompido (atitude pouco comum comparado a outros entrevistadores que sempre querem  “roubar a cena”). Pois bem, nessa noite um de seus convidados era o pianista e maestro, João Carlos Martins. Pela primeira vez, vou me dar ao luxo de escrever não sobre a obra de um artista, mas sim sobre o homem atrás do artista. João Carlos Martins é um exemplo a ser seguido. Um exemplo de obstinação e coragem. O que ele foi capaz de superar em devoção a música não é para qualquer mortal.
João Carlos Martins venceu seu primeiro concurso tocando obras de Bach aos oito anos de idade, aos vinte se apresentou no Carnegie Hall. Inaugurou também o Glenn Gould Memorial em Toronto. Um dia em uma partida de futebol realizada em Nova Iorque, rompeu um nervo da mão direita que o fez perder os movimentos e acabou por distanciá-lo do instrumento, mas após alguns tratamentos, foi gradativamente se recuperando. Com o passar do tempo, desenvolveu uma doença chamada Contratura de Dupuytren, que o fez achar que nunca mais iria voltar a tocar. Em razão disso, tornou-se treinador de boxe, mas sua paixão pela música o fez retornar ao piano e mesmo com toda a deficiência que encontrava, criou adaptações em sua maneira de tocar. Após um concerto em Sofia na Bulgária, foi surpreendido em um assalto e o bandido o atingiu com um golpe na cabeça, ocasionado novamente, a perda dos movimentos das mãos. Esse fato ocasionou uma lacuna enorme em sua carreira, pois João Carlos Martins passou novamente por todo o processo de tratamento e treinamento, até que conseguiu se adaptar com os movimentos dos poucos dedos de cada mão. Em 2004 passou a reger e ainda assim encontrou dificuldades em segurar a batuta e virar as páginas das partituras. Em virtude disso, preferiu memorizar nota a nota das peças.
Ele ainda continua na ativa e recentemente foi homenageado pela escola de samba Vai-Vai que se sagrou campeã nesse mesmo ano. O enredo, não poderia ser melhor: A música venceu.

(fonte: Wikipedia)

(Texto: Roberio Lima)
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sábado, 14 de abril de 2012

Sodom - Carioca Club 07/04/2012





Este ano o SODOM comemora trinta anos de carreira e o Brasil não poderia ficar de for a desta festa. Foram duas datas, Curitiba (06/04) e São Paulo (07/04).
Divulgando o disco “In War And Pieces”, o Carioca Club foi o local escolhido para a “Sodomizacão Paulista” e ainda teria as bandas MARCHINAGE e RED FRONT, que seriam responsáveis pela abertura do evento.
A casa estava praticamente vazia, e por certo tempo, não acreditava que a situação mudaria. A primeira banda a entrar no palco foi o MACHINAGE , e a noite serviu para celebrar o lançamento oficial do debut “It Makes Us Hate” . O som estava muito alto no começo, mas no decorrer da apresentação as coisas foram entrando no eixos e o ponto de destaque da performance dos jundiaienses foi a participação do guitarrista Antonio Araujo (KORZUS), que tocou na faixa “Next Victim” e levantou a galera. Saldo positivo para a banda que já tem uma turnê americana agendada para Junho/ Julho. A próxima banda a se apresentar foi o RED FRONT, e vamos concordar que os caras “correm atrás”. Distribuem a já famosa gelatina de cachaça, CD promocional na faixa e estão sempre interagindo com a plateia. Já tinha assistindo um show dos caras na FOFINHO ROCK BAR ,e na época, os rapazes não tinham a maturidade de agora. A banda faz um som cheio de fúria e com muitos elementos atuais, e fazem o possível para manterem a galera agitando o tempo inteiro. A postura da banda e digna de nota, e além do som próprio, mandaram “Territory” do SEPULTURA. Os caras certamente tem muita lenha pra queimar.
A casa ainda estava muito aquém de sua lotação e naquela altura, já senti uma pontinha de frustração, afinal, por melhor que a banda seja, o publico e fundamental.  Mas, em pouco tempo a galera começou a chegar em grande numero e praticamente, lotou o recinto. Ninguém queria perder a apresentação da maquina Thrash Germânica.
Depois de certo suspense, Tom Angelriper entra no palco acompanhado de Bernmann (Guitarra) e o novo baterista, Markus "Makka" Freiwald, e de cara, incendeiam o Carioca Club com a faixa titulo do novo álbum. A partir dai meus amigos, foi nostalgia pura. “Agent Orange”, “Blasphemer” , “Napalm In The Morning” e “Iron Fist”(MOTORHEAD, que certamente, e uma das maiores influencias da banda) e que foram a tônica do massacre.
Finalmente presenciei um show deste “monumento do Thrash Alemao”, e que, juntamente com KREATOR, DESTRUCTION e TANKARD formam o quarteto mais influente da Europa e quica, do mundo.
Tom e sua trupe, não precisam provar nada para ninguém, mas jamais deixarão de oferecer shows do mais alto nível para seus seguidores.

(Texto: Robério Lima)
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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Garotos Incríveis (Wonder Boys)





Se você quer assistir um filme que contenha uma generosa dose de humor inteligente, com um ótimo roteiro e com elenco para lá de afinado. Esse é o filme!
Para minha surpresa, Michael Douglas protagoniza Garotos Incríveis com uma veia cômica que eu até então desconhecia. Michael é Graddy Tripp, um professor de literatura inglesa que há sete anos não consegue concluir seu segundo livro, por conta de um bloqueio sendo que o primeiro foi sucesso de crítica. Tripp tem como hábito fumar um “baseado” sozinho, dentro do carro, enquanto areja a cabeça. Seu editor, Terry Crabtree (Robert Downey Jr.) vem sedento ao seu encontro, para pressioná-lo a concluir o livro, pois sua reputação de editor está em jogo. Terry vem acompanhado por um travesti de dois metros (ele também é homossexual). Mas a adiante ele irá “cantar” descaradamente um dos alunos de Graddy Tripp, James Leer (Tobey Maguire), que também possui talentos literários e que é louco por filmes de suicida. Confesso que não gostei de Tobey protagonizando o Homem Aranha, o achei muito insosso, mas o papel de James Leer caiu como uma luva, pois seu personagem é extremamente lunático. E é justamente James que põe seu professor em apuros. Já não bastava o fato de Tripp ter sido abandonado pela esposa e sua amante que é casada, a reitora Sara Gaskell (Frances McDormand) lhe dizer que estava grávida, tudo isso no mesmo dia, ainda James em um coquetel na casa da Reitora, rouba do cofre do marido de Sara um casaco que Marilyn Monroe usou em seu casamento. Ainda por cima atira com uma arma que ele dizia ser de espoleta no cachorro cego da família quando o mesmo ataca seu professor.
Resta ainda a estonteante Hannah Green (Katie Holmes) com seu indefectível par de botas vermelhas que como Terry, também “canta” descaradamente seu professor. Hannah é inquilina de Graddy e é também uma escritora de talento.
Para fechar, a direção é por conta de Curtis Hanson que também dirigiu Los Angeles – Cidade Proibida. A trilha sonora também solta aos ouvidos sendo que Things Have Changed de Bob Dylan venceu o Oscar de melhor canção.
Em suma, os 112 minutos de duração parece que passam num piscar de olhos, de tão bom que é o filme.

(Texto: Sergio Silva)
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terça-feira, 10 de abril de 2012

David Bowie – Healthen






Certo dia na casa do grande amigo Clebão, já me despedindo peço emprestado a ele o CD do Whitesnake chamado Live in the heart in the city. Ele prontamente o empresta e eu felizmente dirijo-me até minha casa na ânsia de ouvi-lo a todo volume. O cd era gravado e não havia nada escrito identificando a banda. Já com umas na cabeça (é ruim de sair da casa do Cleber sóbrio), coloquei o cd para rolar e pensei: mas esse Coverdale (vocalista do whitesnake) sabe se reciclar, está com uma voz tão diferente (eita cachaça!). Após alguns segundos identifiquei a voz. Era de David Bowie. Confesso que nunca prestei muita atenção nele, mas a partir desse dia Bowie passou a ser sinônimo de boa música para mim.
O cd é o Healthen, gravado em 2001. Logo de cara, Bowie nos prestigia com Sunday. Ela não sei por que me faz lembrar um padre celebrando uma missa. Ao fundo um teclado místico dá um tom de mistério, até que entra a bateria quase no fim imprimindo um peso lembrando até o bom e velho Led Zeppelin. Em seguida entra Cactus, cover do Pixes. Um violão maroto destila acordes blueseiros, um baixo gorduroso entra com os dois pés na porta e posteriormente um teclado a lá Faith no More. Sonzeira! Em Slip Away Bowie me faz lembrar um Sinatra na rua da amargura, tamanho o abandono com que canta. Uma das mais lindas. Slow Burn tem uma linha de baixo contagiante, enquanto a guitarra desfila uma saraivada de notas torturantes. O refrão é um caso a parte.  Por coincidência, outro cara que eu não conhecia bem e que passei a admirar é Neil Young, compositor da próxima, chamada I've Been Waiting for You, uma das minhas preferidas. E para não me estender muito, I Would Be Your Slave, assim como Slow Burn tem um dos refrões mais espetaculares que ouvi no Rock n Roll.
Vale lembrar que esse album foi inspirado nas impressões causadas em Bowie quanto aos ataques de onze de Setembro e a maioria das letras refletem a degradação humana.
Em suma, discão!
Olha o album inteiro aí!!!

(Texto: Sergio Silva)
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