Destaques

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Viva La Vida Tosca!





A ``família``, teve e ainda tem papel de destaque na vida de João Francisco Benedan, pois ao mesmo tempo em que o levou ao extremo de atos inconsequentes, foi também o responsável por sua ressurreição. Com uma narrativa bastante informal, temos sensação de ouvi-lo narrando suas histórias ao vivo, com aquelas gírias e palavrões, característica peculiar de um personagem tão controverso. E quando o leitor adentra ao universo de "Viva Lá Vida Tosca" percebe que na verdade, a família é o grande protagonista do livro. João Gordo, em parceria com o jornalista André Barcinski, dá ao leitor, paramento realista e ao mesmo tempo delicado da vida de um dos grandes personagens da contracultura brasileira. Mesmo os que não conhecem o Ratos de Porão e que não possuem a mínima intimidade com a história do João Gordo, ainda assim pode (e devem) ler este livro. Talvez o "acerto de contas" de JG terá peso substancial na vida de quem ler o livro. O pai de família é surpreendentemente revelado através de uma infância e adolescência problemática e movida por atos e substancias questionáveis. Mesmo assim, não há um discurso moralista embutido em suas palavras e o tom honesto de João Gordo, mostra ao público uma faceta pouco conhecida pelos que insistem em dizer que ele ``se vendeu´´ ou que ``traiu o movimento´´. Não posso terminar esse texto sem mencionar o belíssimo prefacio escrito por Fernanda Young, tão revelador e emotivo. De ``junkie`` à ``vegano``, Gordo é a prova de que sempre há esperança"!




(Texto: Robério Lima)

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

De A-Ha a U2 - Os Bastidores Das Entrevistas Do Mundo Da Música





Quando sua polemica crônica sobre a morte do cantor (!) Cristiano Araujo foi ao ar pela Globo News , o jornalista Zeca Camargo foi massacrado nas redes sociais e teve seu nome envolvido em uma série de discussões acaloradas, questionando sua falta de respeito com o artista (!!) e sua total insensibilidade com relação a memória do falecido. Na verdade o que pude perceber nesse episódio é que a maior parte do publico brasileiro esta acostumado a ``endeusar´´ personagens que possuem relação praticamente nula com o que pode se considerar relevante no mundo da musica. Tendo em vista que esse tipo de produto é a cópia da cópia da copia, fica difícil identificar quem são os milhares de ´´Cristianos`` que surgem a cada dia. Provavelmente Zeca Camargo não teve a intenção de ofender a quem quer que seja. Na verdade, isso pode ter sido um reflexo de sua experiência com inúmeros artistas que fazem parte de um ``circo mundial`` onde se concentra a ``nata´´ do mundo da musica. Isso pode ser conferido no seu livro ´´De A-HA a U2  - Os Bastidores Das Entrevistas Do Mundo Da Música´´, lançado no ano de 2006 pela Editora Globo. E como o nome já sugere, podemos conhecer os bastidores  de algumas de suas mais importantes entrevistas realizadas por emissoras de TV ou mídia impressa. São vários artistas ou grupos  que aparecem no decorrer de quase quinhentas paginas para que o leitor tenha uma pequena amostra de como funciona o show bussiness. Certamente não é um privilégio somente de Zeca Camargo, mas fica evidente sua identificação com a musica em suas mais variadas vertentes, pois além das já mencionadas entrevistas, Zeca também trás a tona suas inquietudes quando procura sair do mainstream transitando por musicas de países não tão tradicionais e muitas vezes exóticos em nossa visão ocidental. Podemos conferir essas experiências ao final de cada crônica, onde os textos vem descritos com o titulo sugestivo de ´´Perdido Em  Música´´. Bom, o livro é recomendado a todos que querem compreender de forma descompromissada o que acontece nos bastidores da musica POP. Enquanto isso os fãs de Cristiano Araujo ainda tentam entender (ou não)o significado do livro de colorir.
 Boa leitura!




(Texto: Robério Lima)
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sábado, 21 de janeiro de 2017

United Bands Festival 15/01/2017 Caveira Velha Rock Bar








O Caveira Velha Rock Bar, em Jandira/SP, já é bem conhecido por receber diversas bandas do cenário underground mundial, e foi o local escolhido para sediar um dos shows da turne Sul-Americana do Onslaught que comemora os trinta anos do classico album ``The Force´´. E para abrilhantar ainda mais essa festa - Warsickness, Metalizer, Madness e Cadaverizer fizeram as ``honras da casa´´ e mostraram a força do metal brazuca. O Metalizer foi o responsavel por abrir os trabalhos, e seu metal vigoroso conquistou o publico desde o inicio. Destaques para ´´Alcoholic Madness´´ e ``Electric Homicide´´, que foram alguns dos destaques da apresentação. Na sequencia - o Madness e seu som ``rolo compressor´´ executou de forma impiedosa temas como ´´Horrendous Creation´´ ,``Ripping Lives´´ e ``Disfigured Face´´. Brutalidade explicita from Piracicaba! O Cadaverizer, oriundo de Passos-MG, trouxe ainda mais brutalidade para o palco do Caveira Velha. A horda esta divulgando o EP ``Necroforia´´ de onde sairam porradas como ``Refinements Of Cruelty´´ e ``Spiritual Poverty´´ - violencia sem moderação para os que apreciam sons mais brutais.  O Warsikness e seu crossover regado a muita cevada abriu as portas do ´´mosh pit``. Diogo Moreschi estava ensandecido e nao parava de agitar e jogar cerveja na galera. Não é preciso dizer que ´´stage dive`` e ´´circle pit´´ foram regidos pelas violentas ``In Beer We Trust´´ e ´´Alcoholic Brain´´, destaque para a participação de Xandão, batera do Andralls que esquentou ainda mais a apresentação dos ``sickness´´.          E depois de otimas apresentações, finalmente chegou a hora dos ingleses tomarem de assalto o palco do Caveira, todos estavam ansiosos por essa apresentação, pois o album ``The Force´´ seria tocado na integra, para deleite dos fãs. Sy Keeler (V), Nige Rockett(G), Jeff Williams(B), Ian GT  Davies(G) e Mic Hourihan(D) sabem como conduzir o publico e fazem pequenos clubes parecerem enormes arenas, tamanho o dominio do palco. Com um album cheio de classicos, ficou facil manter o publico ``se degladiando´´ e agitando como se não houvesse amanhã. Cada musica era recebida com muita empolgação e a satisfação estava estampada no rosto de cada integrante da banda. Claro que sobrou tempo para tocarem o classico absulotuto ``Power From Hell´´ do album de mesmo nome e ``Killing Peace´´ do album homônimo. Bom, depois dessa aula de violencia, a alma estava lavada e o corpo encharcado pela chuva que se fez presente por quase todo o Domingo.




(Texto: Robério Lima)
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

My Bloody Roots - Max Cavalera Passa a Limpo Sua Trajetória





O Sepultura já foi considerada uma das maiores bandas de heavy metal do mundo, sendo reverenciada por lendas da grandeza de Ozzy Osborne e Metállica. Um dos responsáveis por essa enorme façanha responde pelo nome de Max Cavalera , que agora traz aos seus fãs e leitores em geral um apanhado de sua história, devidamente documentada em sua biografia, lançada no ano de 2013. Ao contrário do que muitos esperam, não há polêmicas relevantes com relação à traumática saída do Sepultura. Aliás, em muitos momentos descreve de forma muito carinhosa momentos vividos com os antigos companheiros de estrada.
O livro foi escrito em parceria com Joel Mclver, que também foi o responsável por biografias de Slayer e Motorhead e possui todas as credenciais para desenvolver esse tipo de trabalho. E se alguém tem dúvida do respeito conquistado por Max, vai se surpreender já no prefácio escrito por David Ghrol que é fundador e líder do Foo Fighters e foi o baterista do Nirvana. Max não abre mão desse prestígio, como podemos comprovar no decorrer da leitura com depoimentos de gigantes como Mike Paton ( Faith No More), David Vicent ( Ex Mórbid Angel) e muitos outros que além da identificação com o artista o tem como grande amigo.  Max não se faz de vitima ou herói para descrever os anos de glória vividos com o Sepultura da criação do Solfly e Cavalera Conspiracy, além da participação constante em outros projetos. O que podemos constatar ao final da leitura do livro é que o frontman antes de ser o grande artista que se tornou, é um ser humano que teve que lidar muito cedo com a dor da perda e muitas frustrações que cruzaram seu caminho. Assuntos espinhentos como os abusos com drogas e álcool são tratados de forma bastante lúcida. My Blood Roots, referencia ao maior clássico de sua carreira, é também um exercício de reflexão e acima de tudo uma ótima oportunidade para mostrar uma faceta que transcende o artista. Livro altamente recomendado!



(Texto:Robério Lima)


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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Masterchef - Entretenimento A La Carte.





Os programas de culinária se alastraram por praticamente todas as emissoras e um dos responsáveis por esse fenômeno é, sem duvida nenhuma, o sucesso do Masterchef (transmitido às terças feira na Band). Com uma dinâmica envolvente, jurados carismáticos e a condução equilibrada de Ana Paula Padrão foi um tiro certeiro para alcançar uma audiência que até então era apenas um sonho distante para a emissora paulista. Prova disso é que nesse ano, além da terceira temporada com os cozinheiros amadores, foi ao ar a primeira edição com chefes profissionais. O esquema é o mesmo de qualquer outro reality e o decorrer da competição prova isso, pois sempre traz à tona as personalidades de cada participante e o público acaba tomando partido por um ou outro concorrente. Na final exibida nessa madrugada de terça para quarta todos os ingredientes já vivenciados nas edições anteriores se fizeram presentes e mostraram que o programa tem muita lenha para queimar, pois mesmo nāo sendo diretamente decidido pelo público,  fica claro que a audiência tem peso importante no desdobramento da atração.
A certa altura da competição um dos participantes polemizou quando afirmou que o Masterchef é na verdade entretenimento puro e não um programa de culinária, mas o que não dá pra negar é que o grande sucesso do programa credenciou a marca Masterchef a ser sinônimo de comida boa por todo o país. Vamos torcer para que esse tipo de programa se mantenha firme e que "contamine" outras atrações do gênero com boas doses de bom gosto e com temperos surpreendentes.



(Texto: Robério Lima)
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Faustão E O Mallandro Trapalhão - A Missão (Primeira e Única)







Ao raro leitor ou a qualquer desavisado que ler esse texto, é importante informar que existem pessoas com gosto absolutamente fora de qualquer padrão aceitável de sanidade e esse nicho talvez seja pouco explorado. Por isso, a partir de agora e de forma esporádica daremos espaço à algumas produções mais toscas já produzidas em variados segmentos artísticos (?!). Como peça inaugural de tal façanha escolhi o terrível "Inspetor Faustão E O Mallandro - A Missão (Primeira e Única)``. Imagine o folclórico apresentador Fausto Silva com seus bordões nauseantes e o insuportável Sérgio Mallandro com seu "ié, ié, glu, glú" infestando uma produção recheada de interpretações (quanta heresia!) rasas e um elenco de dar medo. Pois é, com uma trama absurda que gira em torno do desaparecimento de  uma especie rara de codornas, cujos ovos são afrodisíacos(?!). O limite de tosquice é superado a cada "corte". Se duvida, tente suportar o detetive Faustão fazendo aqueles trocadilhos que irritam até defunto ou uma música incidental (o ovo!) que não para de atormentar os corajosos que desbravam essa abominação em forma de filme....Se não bastasse, e até para atestar essa bizarrice - o filme foi produzido pela Xuxa Produções (poderia ser pior?) e tem aquele padrão questionável de ´´qualidade`` dos filmes da loira... Bom, não dá pra dissecar muito essa ``obra`` (do verbo "obrar" mesmo) pois você corre o risco de comprometer sua sanidade... vale ressaltar que entre algumas aparições musicais (totalmente desnecessárias) , eis que Sandra de Sá aparece cantando ``Slogan´´ do mestre Cassiano - em meio a tanta porcaria, um lampejo de qualidade.
A quem possa interessar, o filme foi lançado em 1991 e foi dirigido por Mario Marcio Bandarra, mais conhecido por dirigir novelas da Globo.



(Texto: Robério Lima)







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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Kool Of Metal Fest 27/11/2016 Teatro Mars







O Festival Kool Of Metal Fest, mesmo não sendo realizado regularmente, mantém seus princípios intactos, pois permanece com a filosofia do D.I.Y. (Faça você mesmo). Sempre prestigiando bandas com trajetória semelhante a sua - e com um trabalho muito bem feito para os que gostam de um som mais agressivo. Essa edição foi realizada no Teatro Mars, que possui disposição de espaços bem particular. Logo de cara, ao adentrar ao recinto - bateria, microfone e os caras do Test no meio da pista. Como de costume chegam de fininho para desestabilizar qualquer possibilidade de calmaria. Mesmo com pouca gente para assistir à apresentação do Duo, a insanidade jorrava pelos auto falantes...alguns podem questionar o fato dos caras não estarem no cast oficial, mas quem se importa?! Afinal desde sua primeira apresentação "não oficial" na porta do Carioca Club,  essas aparições surpresa são praticamente obrigatórias - e isso certamente enriquece ainda mais o Fest e a cena.
A essa altura, uma fita de isolamento já permanecia devidamente esticada no palco, e os caras do Criminal Mosh já estavam se aquecendo para dar continuidade aos trabalhos - E tenho que confessar que possuo um carinho especial por esses caras, pois reúnem elementos presentes em pouquíssimas formações . Com "pegada" e "visu" na linha Body Count e Suicidal, mesclam letras e atitude com temática explícita  sobre a periferia e a violência cotidiana. Para comprovar o que estou falando - a apresentação começou com uma introdução dos Racionais. Merecida a escalação dos caras para o evento! Moshes e circle Pits insanos deram o tom da apresentação. Marcelo Mosh Rat levou as últimas consequências sua performance, com uma voz mais limpa e com alguns agudos não perdeu um milímetro em violência. Acompanhado de uma "cozinha" nervosa, sons como "Violência Explicita" e "Despertar dos mortos" deram a tônica do que foi mais essa performance. Saíram do palco muito aplaudidos.
Na sequência mais um "duo" - com um som mais obscuro e denso - o Paranoia Oeste  que possui uma pegada muito violenta, fez o público assistir sua apresentação com mais atenção, pois não estamos falando de um som fácil. Abusando de afinações variadas e vocais insanos - me fez lembrar uma mistura de Ministry e Celtic Frost. Pois é, o som dos caras tem que ser degustado em doses homeopáticas.
O Urutu só pelo nome já chama a atenção, pois trata-se de uma cobra muito venenosa. Contando nos vocais com Tiago Nascimento do D.E.R. O som do Urutu foge totalmente da pegada grind. Os caras fazem um som com elementos metal/punk. Veneno perfeito para atacar aos que os assistiram. Mais uma apresentação bem legal.
O variedade de estilos continuou dando as cartas e agora com o Black Coffins no palco o Death Metal brutal foi a bola da vez. Com uma postura bastante agressiva e um som pesadíssimo agitou os mais afoitos e tiveram uma resposta muito positiva por parte do público.
Com o sol já se pondo o Flicts e seu punk energético contagiou a todos. As rodas voltaram a se abrir e todos cantavam os refrões de cada música a plenos pulmões. Vinte anos de história muito bem contados!
Bom, confesso que inclusive por parte desse que vos escreve havia uma certa ansiedade já que teríamos a oportunidade de presenciar a única apresentação do Possuídos Pelo Cão em Sampa. Desde de muito cedo Túlio (D.F.C.) e Pedro Poney (Violator) circulavam entre a galera "trocando ideia"  e "tomando umas"... voltando a apresentação...insanidade é o termo mais próximo para definirmos o que se passou no Teatro Mars a partir de então - stage dives insanos e circle pits foram realizados das formas mais malucas que se possa imaginar, inclusive com muitos utilizando pranchas bodyboard para realizar os mergulhos. Musicas do disco "Possessed To The Circle Pit" e até uma versão para "Prowler" (clássico de vocês sabem quem!),foram apresentadas. O encerramento com "Semen Churchs"(referencia mais que óbvia ao clássico do Possessed), foi o tiro de misericórdia. Apresentação memorável!
Era a vez dos suecos do Dr. Living Dead fazer com que a pista do teatro Mars permanecesse em altas temperaturas. Já se passaram quase oito anos, desse de sua última passagem pelo Brasil (quando tocou no saudoso Fest "Night Of Living Thrashers"), e os caras ficaram ainda melhores e conduziram o show com domínio que só possui quem vive na estrada. Divulgando seu Mais recente álbum "Crush The Sublime Gods", não ficou pedra sobre pedra, e com um enorme carisma os suecos mantiveram o publico na mão. Houve tempo até para uma homenagem ao Sepultura com o Clássico "Inner Self". "U.F.O Attack" já o classico dos caras, e foi o encerramento perfeito para mais essa apresentação dos suecos. Apresentação perfeita!
Acham que acabou?! Claro que não! João Gordo, Jão, Juninho e Boca estão em plena forma e dessa vez tocariam o disco "Anarkophobia" na integra! Com clássicos como "Sofrer", "Mad Society" e "Igreja Universal" - impossível não ser bom. Ainda deu tempo para rolar outros clássicos como "Aids POP e Repressão", "Amazônia Nunca Mais" e "Crucificado Pelo Sistema". E da-lhe Mosh e circle Pits - parecia que a galera estava realmente possuída.
A interação entre público e bandas foi exemplar e o empenho dos organizadores para que nada desse errado é digno de nota. Agora é esperar que o pescoço e as dores no corpo passem logo e que não demore por uma próxima edição do Festival. Vida longa Kool Of Metal Fest!



(Texto:Roberio Lima)
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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Odair José - Odair José (1973)







Odair José, cantor que sempre priorizou o popular e injustamente foi classificado como brega teve uma produção intensa e atingiu patamar significativo de admiradores. Injustamente dizem que ele é o Pablo de sua época – o que pode ser encarado como uma tremenda falta de conhecimento, pois suas musicas vão  muito além da dor de corno e suas melodias são de ótimo gosto.
Em uma época onde o regime militar tinha como prioridade não deixar chegar ao grande público mensagens ditas subversivas, Odair José também sofreu as consequências dessa paranoia militar. Suas composições enveredavam pelo pouco visitado mundo das empregadas domésticas, garotas de programa e personagens menos assistidos e admirados pelo grande público. Talvez essa tenha sido a grande sacada de seu disco lançado em 1973, pois Odair José não se utilizou de grandes recursos linguísticos e priorizou o estritamente popular – o que de forma alguma pode ser encarado como demérito, até porque um dos maiores hits desse disco e da carreira de Odair José “Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula)” juntamente com “Deixe Essa Vergonha de Lado” e “Revista Proibida” foram o fio condutor de um discurso que elevou ao status de protagonista persongens até então sem “voz”.
Odair José vendeu muitos discos nos anos 70 e dizem que chegou a superar Roberto Carlos em certo momento. Seu prestígio foi enorme, e esse disco foi um dos principais responsáveis por essa façanha.
Aos descolados de plantão e até mesmo aos que querem apenas reviver uma época, revisitar esse disco é uma grande oportunidade de apreciar uma obra popular de muito bom gosto.



(Texto: Robério Lima)


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domingo, 9 de outubro de 2016

Richard Wright - Wet Dream








Wet Dream é o primeiro álbum solo de Richard Wright. Lançado em 1978, foi produzido pelo próprio Wright . O disco contou com a colaboração de: Snowy White (ex Thin Lizzy) na guitarra, Larry Steele no baixo, Reg Isidore ( ex Robin Trower) na bateria e Mel Collins (ex King Crimson) no saxofone e na flauta.
Vale lembrar que durante o processo de gravação do álbum, Richard estava passando por momentos turbulentos, como crise em seu casamento e desentendimentos entre membros de sua banda, o Pink Floyd.
A maioria das dez músicas é instrumental e vão aqui alguns destaques:
Mediterranean C contém uma bela introdução de piano de Wright e um solo de guitarra que a meu ver, devido ao excesso de efeitos como reverb e deley, tiraram a pagada do ótimo Snowy White.
Against the Odds nos brinda com a voz profunda e melancólica de Wright. Nessa música, ao contrário da anterior, notamos a pegada de White, agora ao violão.
Cat Cruise é a Floydiana do álbum, com tudo que se tem direito: introduções ao piano, viradas de bateria e solo de sax, mas a guitarra Snowy White surpreende ao se afastar contundentemente do estilo de David Gilmour, fazendo uso do eco e dando uma “cara” bem original ao solo.   
Summer Elegy é uma música bem suave e agradável que serve de música de fundo, enquanto se degusta um bom vinho ou enquanto se dirige por uma estrada.   
Drop in from the Top é a mais animadinha do disco. Lembra vagamente um reggae e contém uma destacada de baixo.
Pink's Song tem um lindo solo de flauta executado por Mel Collins.
Funky Deux é a mais legal e virtuosa do disco. Um fusion fankeado pra ninguém botar defeito.
Infelizmente Richard Wright nos deixou em Setembro de 2008, vítima de câncer, mas sem dúvida alguma seu legado para a música será eterno.


(Texto: Sergio Silva)
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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Erasmo Carlos - Erasmo Carlos E Os Tremendões (1970)








Em 1968 sufocada pela repetição e posta em xeque pelas inovações tropicalistas, a Jovem Guarda chegava ao fim. Roberto Carlos, quando percebeu que a fórmula havia se esgotado e os dias de glória do programa/movimento havia ficado para trás, saiu em busca de novos rumos: deixou o programa, aproximou seu som do soul e das baladonas italianas,se consagrou em San Remo e seguiu para uma nova etapa; Erasmo Carlos e Wanderléa ainda tentaram, sem sucesso, tocar o barco por mais alguns meses, mas acabaram sucumbindo. E, diferente do parceiro, o Tremendão não enxergou o fim com naturalidade. Perdido com o fim da festa de arromba, que ele pensava que iria durar pra sempre, ficou na beira do caminho durante algum tempo, amargando a mudança dos ventos, até que, renovado pelas novas influências que começava a assimilar e disposto a se entregar a diferentes experiências musicais, o roqueiro disse adeus aos tempos de iê iê iê, voltou para o Rio de Janeiro (encorajado por “Aquele Abraço” de Gilberto Gil) e deu a volta por cima. Foi assim que surgiu o subestimado álbum “Erasmo Carlos e os Tremendões”.
Logo na abertura é possível antever o clima de mudança: “Desconfio que eu estou detendo o progresso, estou dez anos atrasado”, diz o compositor no samba rock,“Estou Dez Anos Atrasado”, parceria com Roberto, faixa que abre o disco, admirada pelo pessoal do "O Pasquim" (a sua letra traz críticas ao conservadorismo comportamental na qual estava alicerçada a ditadura vigente) e que foi incluída em 2015 no show/DVD “Meus Lados B”, onde comemorando seus 50 anos de carreira fonográfica, Erasmo apresentou músicas desconhecidas de seu repertório, mas que figuravam entre as suas preferidas . Em seguida, o groove do rock funk “Gloriosa”, com letra do então iniciante Vitor Martins, joga o clima para o alto. A triste “Espuma Congelada”, do obscuro baiano Piti, que também ganharia uma gravação de Clara Nunes, chega cheia de lirismo e psicodelia tropicalista, com mudanças de andamento e um belo arranjo de Chiquinho de Moraes. “Ficou no vento a minha cor, ficou por dentro a minha dor”, canta o quase baiano roqueiro carioca. O clima de despedida segue em “Teletema”, uma das muitas pérolas do pianista Antonio Adolfo em parceria com Tibério Gaspar (a primeira canção composta para uma terlenovela – “Véu de Noiva”), lançada em 1969 pela cantora Regininha. “Em cada curva, sem ter você vou mais só”, canta gilbertinianamente aquele que, anos antes em suas correspondências para o amigo Tim Maia, assinava Erasmo Gilberto. Destaque também para o belo piano e as harmonias vocais (pena que a falta de informações sobre a ficha técnica não esclareça quem está participando). Licks funk de guitarra e grooves de baixo fazem o soul, estilo que o cantor já havia flertado no disco anterior, rolar solto, enquanto Erasmo troca os carrões da boa vida de playboy da Jovem Guarda por um “Jeep”(mais uma letra de Vitor Martins) sem capota dos bichos-grilos cariocas. O hammond de Lafayette - instrumento cujo som tornou-se símbolo da Jovem Guarda depois que o Tremendão e o organista mais famoso do país se depararam com ele no estúdio na gravação do primeiro compacto de EC- ataca e entra em cena uma das canções mais bem sucedidas da parceria Roberto/Erasmo: “Sentado à Beira do Caminho”. Com uma estrutura simples, que se repete por toda canção, inspirada em “Honey”, de Bobby Russell, e com metais executando fraseados de bolero, a música, que foi gravada também com retumbante sucesso em espanhol e italiano, narra de forma metafórica o fim da Jovem Guarda e a desilusão do cantor perante o fim do sonho. O refrão da canção (Preciso acabar logo com isso, preciso lembrar que eu existo), inclusive, foi concebido por Roberto Carlos durante um cochilo, enquanto eles a compunham. Golaço! A música, lançada em compacto meses antes do álbum, logo se tornou um enorme hit, entrou para a trilha da novela “Beto Rockfeller”, entre outras trilhas (inclusive do blockbuster “Doze homens e outro segredo”) e colocou Erasmo de volta ao topo das paradas, tornando-se presença obrigatória em suas apresentações. Violão á lá Jorge Bem, com quem o músico havia morado junto anos antes, cuíca, tamborim e o Lado B inicia-se com “Coqueiro Verde”, um samba-rock de arrasar (embora creditado a dupla Roberto/Erasmo foi composto somente por Erasmo), que marca a volta do compositor ao Rio de Janeiro e homenageia sua noiva Narinha e símbolos da cidade maravilhosa da época ( a atriz Leila Diniz, o tabloide “O Pasquim” e a boate “Le Beateau”). Mais um sucesso. Mais uma canção emblemática da sua carreira. Nota dez! “Saudosismo”, de Caetano Veloso, aparece a seguir, firmando de vez o casamento do jovem-guardista com o tropicalismo e a MPB. “Eu, você, João, girando na vitrola sem parar”, canta Erasmo, sob mais um belo arranjo de Chiquinho de Moraes, a letra cheia de referências a clássicos da bossa, àquela altura nem tão nova assim, em homenagem a João Gilberto (“Melhor que ele, pra mim, só o Elvis”, escreveu Erasmo, em sua autobiografia “Minha fama de mau”, sobre o pai da bossa-nova) e terminando com a expressão "Chega de Saudade!". Surpreendendo ainda mais, uma insuspeitada “Aquarela do Brasil” surge no disco transformada em samba-rock. A instrumental “A bronca da Galinha (Porque viu o galo com outra) “ é mais um soul arrasa quarteirão, no melhor estilo Tim Maia, cheia de metais, palmas e “Hey!”. “Menina”, de Carlos Imperial em parceria com o falecido ator Ângelo Antonio, é uma balada, no clima das gravadas por Simonal, mas que fica abaixo das outras canções do disco, que se encerra com a balada “Vou Ficar Nú Pra Chamar Sua Atenção”, feita às pressas com o amigo para ser um clipe no filme “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa” (que seria o filme mais assistido no Brasil em 1970), gravada, inclusive, com o Tremendão gripado. Mais um sucesso nas paradas, motivado pela aparição no filme, a canção gerou algumas críticas dos conservadores pelo seu título. Alguns anos depois, na sua fase de aspirante a Julio Iglesias, um comportado Roberto Carlos a regravaria com o título de “Preciso Chamar Sua Atenção” e trocaria a última frase (“Vou acabar ficando nú pra chamar sua atenção”) por um tímido “Só me falta ficar nú pra chamar sua atenção”. Além de chamar a atenção, Erasmo, produtor artístico do álbum, encerraria com essa música, um disco de reflexões, despedidas e mudanças, que mostraria seu amadurecimento artístico.
Último disco gravado pela RGE e com uma capa que traz certa semelhança com o estupendo disco que o parceiro Roberto havia acabado de lançar, “Erasmo Carlos e Os Tremendões” marca a virada do artista de popstar do iê iê iê para um dos grandes compositores da música brasileira. No ano seguinte, assinaria contrato com a Phillips e, com liberdade total para gravar o que quisesse, faria o lendário “Carlos, Erasmo” e iniciaria a sua chamada “fase hippie”, em que faria uma série de álbuns espetaculares e entraria para sempre entre os grandes nomes da nossa música popular. O gentil e indestrutível Gigante do rock brasileiro.



(Texto:Leandro L.Rodrigues)
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