O Grand Funk Railroad esta inquestionavelmente entre as bandas mais importantes do rock n’ roll Americano e produziu obras do quilate de” E Pluribus Funk”– o clássico disco da moeda e “We Are An American Band”, pra ficar apenas em dois exemplos, pois a obra desse power trio americano vai muito além desses dois álbum. Talvez subestimado e muitas vezes esquecido na lista dos melhores álbuns da banda está “On Time” o debut que já trazia toda energia e pegada característica de suas performances esmagadoras tanto em estúdio como no palco.
Ouvindo a bolacha, dá para se perguntar se são apenas três integrantes tamanha a massa sonora produzida por Mark Farner, Don Brewer e Mel Schacher.
O álbum já abre com “Are You Ready”, rock enérgico e sem firulas, já na sequência a “arrasa quarteirão” “Anybody’s Answer” e seu refrão impossível de não cantar junto. O disco segue seu curso inspirado com “Time Machine” e passa pelas cadenciadas “High On A Horse”,”TNUC” (que conta com um solo endiabrado de Don Brewer),e “Into The Sun” até chegar a uma das músicas mais clássicas da carreira da banda “Heartbreaker”. Se o álbum terminasse aqui, seria apoteótico, mas lenha não faltava e mais três faixas sacramentam o futuro mais que promissor da banda: “Call Yourself A Man”, “Can’t Be Too Long” e “Ups And Downs”.
Bom, analisando toda a carreira da banda sabemos que foram mais de altos do que de baixos. Talvez por isso, mesmo sendo tão bom, “On Time” não figure entre os mais lembrados. Se ainda não ouviu esse disco, estará perdendo ótima oportunidade de conhecer o que de melhor o rock americano nos ofereceu.
Quando as primeiras chamadas de “A Regra do Jogo” foram veiculadas entre os intervalos da já sem salvação “Babilônia”, algumas expectativas começaram a crescer diante da perspectiva de que teríamos um produto mais consistente. Tendo como referencia “Avenida Brasil”e considerando o elenco que tem em suas primeiras fileiras atores que vem de trabalhos bastante elogiados,(vide Cauan Raymond e Alexandre Nero, ou os já tarimbados Tony Ramos e Suzana Vieira). A novela tinha tudo para ser um sucesso. Tinha...
Sendo considerado um dos principais novelistas da Globo, João Emanuel Carneiro foi catapultado para o seleto time de autores responsáveis pela faixa das nove após sucessos com “A Cor Do Pecado” e ``Cobras & Lagartos``. Estreou na principal faixa de novelas com ``A Favorita´´, que já trazia algo de inovador para o horário. Sua parceria com Amora Mautner foi muito festejada em ``Avenida´´, mas o sucesso estranhamente não se repetiu. Alguns fatores mostram o porque de ``A Regra Do Jogo`` não ser um sucesso. Vamos a eles:
De cara ficou evidente que o autor requentou personagens e núcleos já vividos em outros trabalhos de sua autoria. O enredo do folhetim é bastante confuso e possui muitos pontos que não se encaixam. A história em si já é um “balaio de gato” sem precedente, pois por mais que tentem passar despercebidas, muitas perguntas ficam no ar. O núcleo da favela se entrelaça com o da cobertura decadente de forma inusitada mas não influenciam quase nada na trama principal, que por si só, já é algo bem difícil de entender.
E os atores? Estão sendo subaproveitados? Não sei dizer ao certo mas, a interpretação de muitos ali está aquém do que já apresentaram em outras oportunidades, talvez por não encontrarem força em suas personagens. Algumas exceções devem ser destacadas, como é o caso de Tônico Pereira e o seu Ascânio, que já é uma versão do Nilo, vivido por José de Abreu em “Avenida Brasil”. Aliás, “O Pai”, também vivido por José de Abreu, é um caso à parte, pois controla uma facção que foi criada a partir de um trauma vivido por sua família em uma ocasião de violência sofrida por parte de bandidos que invadiram sua casa.
O que fica claro no final das contas é que um certo desespero em produzir algo realmente atrativo vem fazendo com que se dê muitos “tiros na água”. Hoje o telespectador já não fica mais refém de fórmulas (não é uma regra, mas as alternativas em detrimento da tv pululam diante dos olhos. YouTube, Netflix e outras opções aparecem a cada instante). Por isso, a hora é de repensar a estratégia, pois não estamos mais nos tempos em que uma novela das nove ultrapassava facilmente cinquenta pontos no Ibope.
O que resta, é torcer para que os autores e o núcleo criativo da “plim plim” revejam a forma de fazer novela e mantenham o status de referencia em teledramaturgia, pois não podemos negar que em matéria de novelas a emissora carioca possui grande expertise. Não por acaso exporta para vários países do mundo.
Com baixíssimo orçamento e com um ator praticamente desconhecido, Mad Max estreou na Austrália, seu país de origem, sem muitas pretenções. Afinal, poucas produções desse país alçaram até então, vôos maiores fora de suas fronteiras. Com poucos recursos, mas com o talento do jovem Mel Gibson e condução do também estreante e inquieto George Miller, esse filme ganhou fama e se tornou cult entre os amantes da sétima arte, e de quebra, deu origem a mais duas sequências não menos impactantes.
A historia é ambientado em um futuro não muito distante e o mote principal da fita gira em torno da escassez de combustível, o que cria vários delinquentes possuídos por uma violência em muitos momentos até caricata e descabida. Aliás a violência da as cartas, e por isso,muitas partes foram censuradas em alguns países onde o filme foi exibido tamanha a quantidade de cenas se utilizando desse recurso.
Quando Mad Max estreou nos cinemas, o gênero faroeste já não fazia sucesso como o fez em tempos passados, mas não dá para dissociar as inúmeras características que fazem referencia a esse gênero tão cultuado em outras épocas. Até o perfil do protagonista possui ares de “cavaleiro solitário” em busca de justiça a qualquer preço e com sede de vingança. No final de tudo isso chegamos à conclusão de que não dá para ficarmos passivos diante de tamanha ousadia e criatividade do jovem diretor e da interpretação marcante de Mel Gibson, que viria a se tornar um dos maiores e mais importantes atores de sua geração. Mad Max pode ser consumido sem moderação e é recomendado para os que procuram cinema de qualidade, reflexão e entretenimento puro e simples...
São Paulo completa 462 anos amanhã, mas as festividades já começaram e O C.E.U. Aricanduva sediou um dos eventos mais improváveis para comemorar essa data. Imaginar o Ratos de Porão tocando para uma plateia sentada, é no minimo esquisito e certamente não estava nos planos fazer um show acústico. Bom, a duvida permaneceu por todo o período em que esperávamos a entrada para o teatro. Será que teríamos que assistir ao Ratos de Porão sentados?
Inicialmente o evento que estava agendado para as dezoito horas atrasou e, com o publico já se acomodando nas poltronas (?!), podemos ouvir da platéia os ajustes finais nos instrumentos. Em poucos instantes as cortinas se abriram e lá estavam João Gordo, Juninho, Boka e Jão empunhados de suas ``armas´´ para começar o massacre. Lembra que falei que estava todos sentados? Quando ``Amazônia Nunca Mais´´ jorrou pelos amplificadores, as poltronas se tornaram meros trampolins e o mosh pit se transformou em um pandemônium.
Clássicos e mais clássicos foram executados impiedosamente diante de ``seletos espectadores´´ ensandecidos e ``joias´´ como ``Morrer´´ e ``Crucificados Pelo Sistema´´ jamais se ausentariam em uma apresentação desses quatro cavalheiros. Digo isso, pois tirando o Juninho, que é o caçula da banda, todos estão ou já ultrapassaram a faixa dos cinquenta, mas a energia continua intacta. Afinal, não é pra qualquer um levar o som que eles levam com tanta agressividade.
Vale registrar que os caras tocaram três sons do ``Feijoada Acidente? - Brasil´´, e foi um tiro certeiro na cara dos que insistem em profanar as besteiras habituais - como a mais reproduzida; onde alguns idiotas insistem em dizem que os caras se venderam ou que traíram o movimento. Muito pelo contrario, pois eles carregam a bandeira do som pesado a mais de trinta e cinco anos com integridade irretocável.
Vamos torcer para que mais eventos como esse se tornem rotina na agenda das unidades do C.E.U. e que o Ratos não demore a voltar!
Mais um ícone das artes contemporâneas nos deixa para integrar o hall dos grandes realizadores, e entrar definitivamente para o seleto grupo dos “imortais”. Sim, para definir um artista da magnitude de David Bowie não há outra forma que não seja essa, pois além de ter flertado com o rock, jazz, música eletrônica, soul e o que mais fosse necessário para materializar sua genialidade, ainda criou personagens inesquecíveis que eram indissociáveis de sua música, ao ponto de que um não poderia existir sem o outro. Esse dom se comprova em suas aparições cinematográficas que também lhe renderam bons frutos, vide “ O Homem Que Caiu Na Terra” de Tony Scott ou “Furyo” de Nagisa Oshima. Apesar de serem vistos com certo desdém na época, hoje se tornaram cult.
Clichês para definir Bowie sempre circularam de forma muito frequente e a mais famosa é a de “camaleão do rock”. Nesse caso Nelson Motta, em sua coluna eletrônica semanal ao Jornal da Globo, foi muito feliz em discordar dessa tese, pois ainda em suas palavras “David Bowie não ``roubava´´ as cores do ambiente como um camaleão, ele radiava suas próprias cores”. Seu rico legado não compreende somente os vinte e cinco discos gravados em estúdio (já contando com o último álbum, que foi lançado quatro dias antes de sua morte). E por falar nesse ultimo disco - “Blackstar” veio como uma espécie de testamento, pois Bowie já lutava contra um câncer a dezoito meses e sabia que não havia cura.
Se fizermos um rápido “balanço” de seus serviços prestados, veremos ainda as ramificações pulsantes no seminal “Transformer” disco que produziu para o amigo Lou Reed ou nas mixagens do “.Raw Power“ dos Stooges, só para ficar em dois exemplos.
Deixe as comoções baratas que costumam contaminar as redes sociais de lado e entre de cabeça no universo de Bowie, prestigie sua obra e compartilhe sua arte com o maior número de pessoas possível. Você estará fazendo um favor para elas e principalmente para si mesmo.
Os tempos estavam mudando e uma nova safra de diretores americanos surgia para subverter o velho esquema dos grandes estúdios de cinema na América. O início dos anos setenta foi o ponto de partida para que jovens e inquietos artesãos da sétima arte tomassem as rédeas de produções que se tornariam referencia para dez em cada dez diretores que surgem nos tempos de hoje. Steven Spielberg, George Lucas e Francis Ford Copolla foram alguns dos responsáveis pelo que ficaria conhecido como ”cinema autoral independente”. Com baixo orçamento e pouco apoio dos grandes estúdios conseguiram realizar obras de primeira grandeza e com uma estética inovadora.
Dos filmes realizados nesse período um pode ser encarado como unanimidade entre cinéfilos e críticos, falo do “Poderoso Chefão – Parte I” (The Godfather) que se tornaria uma das maiores sagas sobre máfia já criadas na história do cinema (mais duas sequências seriam realizadas; a espetacular “Parte II”e a não tão inspirada “Parte III”).
A começar pelo elenco que contaria com o já renomado astro Marlon Brando que imortalizou “Don Vito Corleone” e Al Pacino, em seu primeiro papel de destaque como Michael Corleone, vale também destacar as atuações de Robert Duval, Diane Keaton, James Caan e grande elenco. Copolla não teve vida fácil durante o período de produção do filme e para ficar em um exemplo, foi obrigado a submeter Marlon Brando a um teste para encarnar o “Chefão”. Nino Rota foi o responsável pela trilha sonora que serve mais como moldura para o que se vê na tela, tamanha a sincronia entre imagem e música.
O jogo de poder é o ponto de partida para que uma luta, algumas vezes cerebral, e na maioria do tempo extremamente violenta, conduza uma quase biografia do cotidiano da máfia proveniente da Sicília - não por acaso Copolla foi acusado de fazer propaganda para a máfia alimentando os muitos boatos envolvendo o filme. Polêmicas a parte, o mais importante é ver o filme muitas vezes, sem restrições, pois a cada revisão será uma aula a mais do que de melhor foi produzido no cinema.
Depois de um enorme hiato, eis que novamente um dos festivais mais queridos entre os que apreciam o som pesado volta a ser realizado em São Paulo. Agora sem o suporte da famosa empresa holandesa e com duração de dois dias, a Arena Anhembi foi o local escolhido para sediar o esperado evento.
Em seu cast, os organizadores optaram por mesclar os estilos, mais especificamente o metalcore e o hard rock que nessa ordem, foram divididas pelos dois dias do festival. Além das bandas que falaremos mais à frente, foi escalado como mestre de cerimônia Eddie Trunk, apresentador do renomado programa “That Metal Show”veiculado pelo canal VH1 para ser o mestre de cerimônia.
Já as bandas escaladas foram muito festejadas e apesar de alguns nomes questionáveis, agradaram em cheio. As bandas nacionais não poderiam ficar de fora e o Project 46 foi o responsável pela abertura do evento. O Hellyeah, banda capitaneadas por Vinnie Paul (ex Pantera) estava escalada para o mesmo dia, mas por problemas pessoais a apresentação foi cancelada. Na sequência os franceses do Gojira deram ao público o que se esperava e com um som bastante agressivo foi bastante festejado. A atração seguinte já era bastante conhecida por essas terras, mas essa seria a primeira vez em que o Hatebreed tocaria em um festival “open air”no Brasil e a empolgação foi grande entre banda e público. O auge da apresentação ficou por conta da homenagem ao Sepultura com “Refuse/Resist” que contou com a participação de Andreas Kisser, ótima apresentação. Ainda com um calor muito forte o Killswitch Engage trouxe o seu metalcore bastante agressivo para deleite dos mais afoitos.
Já a noite o Limp Bizkit tocou alguns de seus temas mais conhecidos e fez covers de Nirvana e Rage Against The Machine. Com a primeira dia do festival já chegando ao seu fim era a hora das principais atrações e a vestimenta do público era predominante dessas bandas. E foi a vez do Korn trazer o seu “Nu Metal” e incendiar a público já em êxtase. O clímax da apresentação mais uma vez ficou a cargo da participação de Derrick Green e Andreas Kisser com a já indispensável “ Roots Blood Roots”. Dia de justa homenagem ao mais ilustre representante do metal nacional. Para fechar a noite ninguém melhor que os mascarados do Slipknot que com sua já conhecida performance arrebataram definitivamente o público que naquela altura já estava em êxtase, junte tudo isso aos som pesado e a movimetação insana dos caras para não ficar dúvidas que a escalação desses “monstros” do Nu Metal foi mais que acertada. E vamos para a segunda noite...
Ao contrário do primeiro dia, podemos perceber logo de cara que o dia seria reservado para um público mais tranquilo, pois as principais atrações são sinônimo de festa regada a muita bebida e mulheres em abundância. Vencedores de uma promoção realizada pela organização do festival, o Eletric Age foi responsável pela abertura do segundo dia e na sequência o Dr. Pheabes deu continuidade aos trabalhos. Outro “Doctor” veio em seguida, mas esse já possui prestígio merecidamente conquistado com anos de trabalho árduo e festivais já são corriqueiros em seu currículo. O Dr. Sin enfrentou um calor fortíssimo para dar ao público o que se esperava; muito hard rock executado com excelência. Algum tempo depois a banda anunciou o fim das atividades. Uma pena... O Dokken foi um dos baluartes do hard rock dos anos oitenta e possui em sua discografia clássicos que ajudaram a imortalizar o estilo. A apresentação infelizmente não foi aquela que Don Dokken costumava entregar em seu auge, mas o publico nao deu a minima para esse “detalhe” e Curtiu bastante. Geoff Tate’s Queensryche é a versão de Tate para o grupo que o consagrou em um passado não tão distante. O que podemos ver foi que não decepcionou, mas ficou longe de empolgar, a nova encarnação do Queensryche vem dando muito mais o que falar...
O Buckcherry era a única banda gringa formada nos anos noventa, mas trouxe um hard rock visceral que mesmo não empolgando tanto esquentou o público para o que viria a seguir. E foi uma viagem fantástica, pois não acreditava mais em uma vinda do Ratt ao Brasil e ainda mais com a formação que fez muito marmanjo como eu ir as lágrimas. “Round And Round”, “Body Talk” e “Lay It Down” foram algumas das pérolas executadas. Realmente foi daquelas apresentações para chorar de alegria. O Whitesnake desde de sua primeira apresentação no “ Rock In Rio”, foi presença constante no Brasil e teve momentos memoráveis por esses lados, acontece que os tempos são outros e a voz de Covardale está longe de ser aquela que o fez ser considerado “a voz”. Mesmo assim é sempre bom vê-lo executando clássicos imortais de sua trajetória.
E finalmente a festa estava chegando ao fim e não poderia ser encerrada de outra forma que não fosse com um dos mais relevantes nomes do rock. Sim o Aerosmith é uma das formações que mais se mantém fiel ao estilo e que mantém a mesma formação durante anos. As performances de Steve Tyler e Joe Perry ainda empolgam, executando clássicos como “Eat The Rich” ou “Love In An Elevator” mesclados com músicas mais recentes (e já clássicas) “Crying” e “Livin’ On The Edge”, se não bastassem ainda fizeram uma homenagem a uma de suas influências com “Come Together” (The Beatles). Não precisa dizer que fecharam a segunda noite e o festival no mais alto nível. No final o saldo foi extremamente positivo e abriu as portas para mais uma edição em 2015 com Kiss e Ozzy Osborne como headliners, mas essa já é uma outra história...
A morte de Lemmy é algo difícil de digerir, pois sua vida e obra são motivo de louvor entre os que escolheram admirar o som pesado que ele defendeu durante toda sua trajetória como um estilo a ser seguido(me incluo entre esses). Ele não era só um personagem, Lemmy realmente era aquilo que levava para os palcos e talvez por isso seja a principal referencia quando falamos de espirito libertário no rock.
Sua figura emblemática e seus inúmeros discos, cheios de clássicos imortais, foram e continuarão sendo fonte de energia para muitos, pois Lemmy nunca se preocupou em “tirar o pé do freio”, e por anos dilacerou tímpanos com sua máquina chamada Motorhead. Seus excessos nunca foram segredo para ninguém e sua vida foi vivida com muita intensidade até o último momento. Mesmo assim, foi dolorido ver o mestre cancelar a apresentação no último Monsters Of Rock em São Paulo por problemas de saúde. Sinal de que algo não andava bem.
Lemmy nos deixa para ser definitivamente canonizado como “Deus”, pois nenhum outro adjetivo seria mais apropriado para definir o ícone da rebeldia, e que no auge de seus setenta anos permanecia representando gerações de jovens revoltados ( com ou sem causa), com sua música altíssima, pesada e ainda relevante. Me utilizo da citação de um colega, onde ele diz que Lemmy estragou sua vida, mas tenho que acrescentar que certamente estragou para melhor - “Lemmy is God”!
O surgimento da gravadora
Cogumelo e a cena mineira de metal dos anos 80 se confundem entre si, e um
certamente não teria o mesmo êxito se não existisse o outro. Pois assim como a
Cogumelo foi importante para as bandas que estavam surgindo naquela época, as
bandas também tinham um enorme potencial a ser explorado e, nesse caso a
expressão´´juntar a fome com a vontade de comer´´ cai como uma luva.
Muito bem vindo, o documentário
``Cogumelo 35 Anos´´ trás para as novas gerações a importância do selo e da cena
formada por bandas que estiveram/estão em seu casting e que ainda fazem muito
barulho na cena mantida com muita persistência diante de todas as dificuldades
vividas durante esses 35 anos de
história.
Com depoimentos de personagens
importantes como a fundadora do selo, Pat Pereira e integrantes de bandas e fãs
que vivenciaram e ainda vivem essa historia, temos uma noção da relevância
adquirida por esse que ainda é referencia entre os selos do cenário conhecido
como underground. Infelizmente integrantes de bandas com Sepultura e Sarcófago
não aparecem com seus relatos, o que certamente enriqueceria ainda mais esse
registro. Enfim, não se pode ter tudo. Mas o saldo é bastante positivo e deve
ser conferido. Que mais registros como esse ``pipoquem´´ por aí!
No último dia 31 de
Outubro o C.E.U. (Centro Educacional Unificado), abriu espaço para um dos
artistas mais relevantes da música popular Brasileira. Falo de Luiz Melodia,
que com sua voz envolvente e cheia de swing, agradou aos que tiveram a
oportunidade de presenciar esse espetáculo. E meus amigos, que apresentação!
Sem banda, mas com Renato Piau e seu violão em punho trouxeram na bagagem
as melhores roupagens para composições que marcaram época. Melodia encorpara o
soul, o pop, o rock, samba e o que mais couber em sua música construindo um
repertório empolgante e muito festejado. Basta ouvir “Holly Estacio” ou
“Fadas”, ponto alto de seu repertório cheio de “pérolas”, e sem dúvida, a
referencia serve para dizer que “Pérola Negra” estava lá, mais bela que nunca e
ainda empolgando aos ávidos por clássicos. “Magrelinha” em igual proporção e um
final apoteótico com uma endiabrada versão de ´´Negro Gato” foram em igual
proporção muito festejadas por todos. Fácil dizer que foi um show
impecável e que ficará na memória dos que testemunharam momento tão singular. O
único ponto negativo, foi exatamente o fato de poucas pessoas terem
presenciando esse raro manifesto de cultura nessa tão corroída periferia cheia
de marcas e com mais incertezas que esperança, uma pena.