Destaques

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

David Gilmour- Rattle that lock tour 11 e 12 de Dezembro de 2015 Allianz Parque








Há muito tempo estou em dívida com os leitores deste blog, principalmente com o seu idealizador e mantenedor; que há tempos vem me cobrando um novo texto. Confesso que escrever para este espaço não é tarefa fácil, primeiro pela escolha do tema , haja vista a grande variedade de assuntos aqui abordados; mesmo que a maioria se refira ao mundo da música, segundo pela qualidade dos textos aqui publicados  o que exige certos cuidados para não poluir um espaço que a cada dia se expande em quantidade e qualidade.
       Apesar da minha insegurança resolvi escrever sobre um evento que marcou para mim, e creio que para muitos, o ano de 2015. Apesar de termos tido nesse ano que se encerrou uma variedade de espetáculos importantes, a lista de shows que passaram por São Paulo foi fechada com chave de ouro.
       No dia 11 de Dezembro de 2015 a cidade recebeu , para o delírio de milhares de fãs, um dos shows mais aguardados do ano: David Gilmour, o lendário guitarrista do Pink Floyd, desembarcou em São Paulo com a tour do seu último álbum Rattle that lock . Para os que presenciaram esse grandioso espetáculo creio que dificilmente o esquecerão.
        Aqueles que, assim como eu, são aficionados pela música do Pink Floyd tiveram a oportunidade de presenciar um momento mágico e inesquecível propiciado por um artista legendário e o timbre inconfundível de sua guitarra acompanhado por uma voz única e inalterada, apesar do peso dos anos que, assim como faz com os bons vinhos, a tornam cada vez melhor.
     Não cabe aqui fazermos comparações com o seu ex-companheiro de banda que por aqui já passou, ambos representam a essência do Pink Floyd, embora seja nítida a diferença entre os espetáculos dos dois, igualmente gênios: a teatralidade de um e a sobriedade do outro são características impossíveis de não se notar, porém tanto um quanto o outro sabem como poucos artistas elevar o nosso espírito com uma música que ultrapassa os movimentos e os modismos e encanta gerações.
       Quem esteve nos dias 11 e 12 de Dezembro no Allianz Park em São Paulo e também em outras cidades por onde a turnê passou teve a oportunidade de se emocionar com clássicos do Pink Floyd  como “Us and them”, “Money”, a avassaladora “Shine on you crazy diamond” entre outras obras primas, assim como também  comprovou que a criatividade musical desse grande artista não diminuiu com o passar dos anos o que ficou claro com as músicas de sua carreira solo que fizeram parte do set list, principalmente as do seu último trabalho “Rattle that lock” cuja canção homônima abriu o show levando a multidão ao delírio.

      Enfim, não quero me alongar divagando sobre o óbvio, simplesmente gostaria de marcar o meu retorno a este espaço dividindo com os amigos leitores a empolgação e emoção que senti por ter presenciado um dos maiores espetáculos dos últimos anos e ressaltar para as novas gerações a relevância deste e outros artistas que, apesar de não permanecerem constantemente sob os holofotes da grande mídia, fizeram a história da música revolucionando as concepções artísticas do século XX, tanto aqueles que ainda estão entre nós como aqueles que partiram quando ainda tinham tanto a oferecer.


(Texto: Nilton Aquino)
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Resenha: Ritual I - A vida segundo os elementos do Hip Hop


Banda/Grupo: Zafrica Brasil
Álbum: A Vida Segundo os Elementos do Hip Hop
Nacionalidade: Brasil
Gênero: Rap/Ragga/Reggae
Gravadora:Independente
Ano: 2015
Nota:9.5

Track List:

1. Ritualístico
2. A Vida Segundo os Elementos do Hip Hop
3. O Rap é grande
4. O Professor Esta de Volta
5. Fiksão
6. Terrorista/Parte 1
7. Família 
8. Temos que Lutar
9. Pra quem qué ...
10. Sem Dizimo do Frei
11. Pra onde Vamos
12. Força 
13. Rústico

O Rap rouba a cena!!!
Já ouviu esta expressão em algum lugar ? pois é não é apenas uma expressão vazia pois se falarmos em cenário musical um dos  estilos que cada dia ganha mais adeptos e admiradores é o Rap, desde a influencia de Mano Brown  quando disse em uma de suas músicas “Seu filho quer ser preto há que ironia, cola o poster do 2 Pac ai então o que me diz, este não é mais seu o subiu tomei pelo seu rádio sem nem viu”  fez a profecia o Rap ascendeu saiu dos guetos, favelas e comunidades pobres para o Business, e para o grande Hall da música nacional e internacional, se analisarmos os artistas que mais vendem atualmente veremos que  alguns deles são  oriundos do Rap, ou até mesmo é um  Rapper até hoje, há quem goste há quem não goste, e prefira viver a margem da grande mídia musical e seguir sua caminhada como grupo de Rap independente.

É exatamente deste segundo tipo de músicos que estamos falando, com 20 anos de estrada, muito respeito na cena underground de musica e no cenário Hip Hop em geral, o Zafrica Brasil nos presenteia com um álbum simplesmente impecável que agradara o publico em geral. Trata-se do °5 álbum de estúdio  intitulado “Ritual I - A vida segundo os elementos do Hip Hop”; tudo nesta obra foi pensado e trabalhado para agradar o apreciador de música de qualidade desde o formato em digipack,até a capa que mescla elementos do Hip Hop com elementos tribais dando um ar de ritual mesmo ao disco,que nos traz uma musicalidade que mescla alguns estilos musicais como  Reggae ,Ragga, e Rap que é o que predomina, além de misturar diversos aspectos de outras musicalidades em suas batidas, assim o grupo consegue atingir um grau de originalidade muito grande e muito peculiar, o álbum começa  com uma bela poesia recitada por Gaspar, chamada Ritualístico que de certa forma fala sobre todas as músicas que compõem o trabalho do grupo além de servir como uma previa do que esta por vir, ao todo são 13 musicas dentre estas destaco as seguintes,  A vida segundo os elementos do Hip Hop , que possui uma batida envolvente e contagiante com uma letra que simplesmente da uma aula do que é o movimento Hip Hop e o que sua cultura; Fiksão música que faz alguns trocadilhos com a realidade , possui uma batida mais lenta, mais simples porém aborda o tema do vicio em crack e fala de diversas coisas que ocorrem com o usuário, com um refrão que fixa na mente acompanhada dos squats , passando uma ótima mensagem para o ouvinte.
Em todos os aspectos o álbum agradara tanto quem gosta de Rap quanto quem não esta muito familiarizado ao estilo, como o próprio grupo prega o Rap liberta, então liberte sua mente das amarras de estilos e procure ouvir  trabalho dos caras pois esta simplesmente imperdível. 









Formação atual 
Funk Buia  
Gaspar  
Pitchô 
Dj Tano



Contatos 
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Site oficial 
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Heavy Lero - O Bom Gosto Prevalece







Para os saudosistas do “Fúria Metal” e “Musikaos” um alento; o apresentador dos lendários programas, Gastão Moreira, volta a comandar uma atração direcionada para a música, evidentemente uma de suas maiores paixões. Talvez por isso, sem apoio e feito na raça já esteja na terceira temporada. No primeiro ano,  dividiu o comando da atração com Bento Araujo (Editor da Revista Poeira Zine) e, a partir da segunda temporada conta com Clemente, lendário personagem da cena Punk Rock Paulista e vocalista dos Inocentes.
Felizmente hoje, podemos dizer que a internet corrobora a favor dos que não possuem espaço  nos canais convencionais de TV, seja aberta ou a cabo. Pelo talento e carisma de Gastão, não haveria dúvidas de que poderia produzir ainda algo relevante em qualquer emissora, mas optou pela total independência e “Heavy Lero” é a prova disso. Ainda muito aquém da merecida audiência, mas com conteúdo de primeiríssima qualidade os episódios possuem em média quinze minutos. Muito bem editado, e se utilizando de irreverência e muito bom gosto, consegue passar a limpo a carreira de muitas bandas e artistas que fizeram a diferença na música mundial.
É inquestionável a influência de Gastão Moreira para muitos que viveram os tempos áureos do “Fúria”, mas Gastão foi além e mostrou que a música de qualidade independe do estilo. Não por acaso provou isso no “Musikaos” onde democraticamente se apresentavam Duofel e Krisun, Olho Seco e Cássia Eller sem perder um pingo de sua credibilidade. Por essa é por outras que “Heavy Lero” deve ser prestigiado por todos que gostam de música, independente do estilo. A república Kazagastão vem se mostrando uma das mais democráticas e abertas nesse sentido.


(Texto: Robério Lima)


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Grand Funk Railroad - On Time





O Grand Funk Railroad esta inquestionavelmente entre as bandas mais importantes do rock n’ roll  Americano  e produziu obras do quilate de” E Pluribus Funk”– o clássico disco da moeda e “We Are An American Band”, pra ficar apenas em dois exemplos, pois a obra desse power trio americano vai muito além desses dois álbum. Talvez subestimado e muitas vezes esquecido na lista dos melhores álbuns da banda está “On Time” o debut que já trazia toda energia e pegada característica de suas performances esmagadoras tanto em estúdio como no palco.
Ouvindo a bolacha, dá para se perguntar se são apenas três integrantes tamanha a massa sonora produzida por  Mark Farner, Don Brewer e Mel Schacher.
O álbum já abre com “Are You Ready”, rock enérgico e sem firulas, já na sequência a “arrasa quarteirão” “Anybody’s Answer” e seu refrão impossível de não cantar junto. O disco segue seu curso inspirado com “Time Machine” e passa pelas cadenciadas “High On A Horse”,”TNUC” (que conta com um solo endiabrado de Don Brewer),e  “Into The Sun” até chegar a uma das músicas mais clássicas da carreira da banda “Heartbreaker”. Se o álbum terminasse aqui, seria apoteótico, mas lenha não faltava  e mais três faixas sacramentam o futuro mais que promissor da banda: “Call Yourself A Man”, “Can’t Be Too Long” e “Ups And Downs”.
 Bom, analisando toda a carreira da banda sabemos que foram mais de altos do que de baixos. Talvez por isso, mesmo sendo tão bom, “On Time” não figure entre os mais lembrados. Se ainda não ouviu esse disco, estará perdendo ótima oportunidade de conhecer o que de melhor o rock americano nos ofereceu.


(Texto:Robério Lima)

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sábado, 6 de fevereiro de 2016

A Regra Do Jogo - Crise No Horário Nobre







Quando as primeiras chamadas de “A Regra do Jogo” foram veiculadas entre os intervalos da já sem salvação “Babilônia”, algumas expectativas começaram a crescer diante da perspectiva de que teríamos um produto mais consistente. Tendo como referencia “Avenida Brasil”e considerando o elenco que tem em suas primeiras fileiras atores que vem de trabalhos bastante elogiados,(vide Cauan Raymond e Alexandre Nero, ou os já tarimbados Tony Ramos e Suzana Vieira). A novela tinha tudo para ser um sucesso. Tinha...
Sendo considerado um dos principais novelistas da Globo, João Emanuel Carneiro foi catapultado para o seleto time de autores responsáveis pela faixa das nove após sucessos com “A Cor Do Pecado” e ``Cobras & Lagartos``. Estreou na principal faixa de novelas com ``A Favorita´´, que já trazia algo de inovador para o horário. Sua parceria com Amora Mautner foi muito festejada em ``Avenida´´, mas o sucesso estranhamente não se repetiu. Alguns fatores mostram o porque de ``A Regra Do Jogo`` não ser um sucesso. Vamos a eles:  
De cara ficou evidente que o autor requentou personagens e núcleos já vividos em outros trabalhos de sua autoria. O enredo do folhetim é bastante confuso e possui muitos pontos que não se encaixam. A história em si já é um “balaio de gato” sem precedente, pois por mais que tentem passar despercebidas, muitas perguntas ficam no ar. O núcleo da favela se entrelaça com o da cobertura decadente de forma inusitada mas não influenciam quase nada na trama principal, que por si só, já é algo bem difícil de entender.
E os atores? Estão sendo subaproveitados? Não sei dizer ao certo mas, a interpretação de muitos ali está aquém do que já apresentaram em outras oportunidades, talvez por não encontrarem força em suas personagens. Algumas exceções devem ser destacadas, como é o caso de Tônico Pereira e o seu Ascânio, que já é uma versão do Nilo, vivido por José de Abreu em “Avenida Brasil”. Aliás, “O Pai”, também vivido por José de Abreu, é um caso à parte, pois controla uma facção que foi criada a partir de um trauma vivido por sua família em uma ocasião de  violência sofrida  por parte de bandidos que invadiram sua casa.
O que fica claro no final das contas é que um certo desespero em produzir algo realmente atrativo vem fazendo com que se dê muitos “tiros na água”. Hoje o telespectador já não fica mais refém de fórmulas (não é uma regra, mas as alternativas em detrimento da tv pululam diante dos olhos. YouTube, Netflix e outras opções aparecem a cada instante). Por isso, a hora é de repensar a estratégia, pois não estamos mais nos tempos em que uma novela das nove ultrapassava facilmente cinquenta pontos no Ibope.
O que resta, é torcer para que os autores e o núcleo criativo da “plim plim” revejam a forma de fazer novela e mantenham o status de referencia em teledramaturgia, pois não podemos negar que em matéria de novelas a emissora carioca possui grande expertise. Não por acaso exporta para vários países do mundo. 


(Texto: Robério Lima)
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Mad Max - Fúria Sobre Rodas






Com baixíssimo orçamento e com um ator praticamente desconhecido, Mad Max estreou na Austrália, seu país de origem, sem muitas pretenções. Afinal, poucas produções desse país alçaram até então,  vôos maiores fora de suas fronteiras. Com poucos recursos, mas com o talento do jovem Mel Gibson e condução do também estreante e inquieto George Miller, esse filme ganhou fama e se tornou cult entre os amantes da sétima arte, e de quebra, deu origem a mais duas sequências não menos impactantes.
A historia é ambientado em um futuro não muito distante e o mote principal da fita gira em torno da escassez de combustível, o que cria vários delinquentes possuídos por uma violência em muitos momentos até caricata e descabida. Aliás a violência da as cartas, e por isso,muitas partes foram censuradas em alguns países onde o filme foi exibido tamanha a quantidade de cenas se utilizando desse recurso.
Quando Mad Max estreou nos cinemas, o gênero faroeste já não fazia sucesso como o fez em tempos passados, mas não dá para dissociar as inúmeras características que fazem referencia a esse gênero tão cultuado em outras épocas. Até o perfil do protagonista possui ares de “cavaleiro solitário” em busca de justiça a qualquer preço e com sede de vingança. No final de tudo isso chegamos à conclusão de que não dá para ficarmos passivos diante de tamanha ousadia e criatividade do jovem diretor e da interpretação marcante de Mel Gibson, que viria a se tornar um dos maiores e mais importantes atores de sua geração. Mad Max pode ser consumido sem moderação e é recomendado para os que procuram cinema de qualidade, reflexão e entretenimento puro e simples...


(Texto: Robério Lima)



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domingo, 24 de janeiro de 2016

Ratos de Porão - C.E.U. Aricanduva 23/01/2016








São Paulo completa 462 anos amanhã, mas as festividades já começaram e O C.E.U. Aricanduva sediou um dos eventos mais improváveis para comemorar essa data. Imaginar o Ratos de Porão tocando para uma plateia sentada, é no minimo esquisito e certamente não estava nos planos fazer um show acústico. Bom, a duvida permaneceu por todo o período em que esperávamos a entrada para o teatro. Será que teríamos que assistir ao Ratos de Porão sentados?
Inicialmente o evento que estava agendado para as dezoito horas atrasou e, com o publico já se acomodando nas poltronas (?!), podemos ouvir da platéia os ajustes finais nos instrumentos. Em poucos instantes as cortinas se abriram e lá estavam João Gordo, Juninho, Boka e Jão empunhados de suas ``armas´´ para começar o massacre. Lembra que falei que estava todos sentados? Quando ``Amazônia Nunca Mais´´ jorrou pelos amplificadores, as poltronas se tornaram meros trampolins e o mosh pit se transformou em um pandemônium.
Clássicos e mais clássicos foram executados impiedosamente diante de ``seletos espectadores´´ ensandecidos e ``joias´´ como ``Morrer´´ e ``Crucificados Pelo Sistema´´  jamais se ausentariam em uma apresentação desses quatro cavalheiros. Digo isso, pois tirando o Juninho, que é o caçula da banda, todos estão ou já ultrapassaram a faixa dos cinquenta, mas a energia continua intacta. Afinal, não é pra qualquer um levar o som que eles levam com tanta agressividade.
Vale registrar que os caras tocaram três sons do ``Feijoada Acidente? - Brasil´´, e foi um tiro certeiro na cara dos que insistem em profanar as besteiras habituais - como a mais reproduzida; onde alguns idiotas insistem em dizem que os caras se venderam ou que traíram o movimento. Muito pelo contrario, pois eles carregam a bandeira do som pesado a mais de trinta e cinco anos com integridade irretocável. 
Vamos torcer para que mais eventos como esse se tornem rotina na agenda das unidades do C.E.U. e que o Ratos não demore a voltar!



(Texto: Robério Lima)








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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Bowie - A morte De Um Gênio De Muitas Faces.









Mais um ícone das artes contemporâneas nos deixa para integrar o hall dos grandes realizadores, e entrar definitivamente para o seleto grupo dos “imortais”. Sim, para definir um artista da magnitude de David Bowie não há outra forma que não seja essa, pois além de ter flertado com o rock, jazz, música eletrônica, soul e o que mais fosse necessário para materializar sua genialidade, ainda criou personagens inesquecíveis que eram indissociáveis de sua música, ao ponto de que um não poderia existir sem o outro. Esse dom se comprova em suas aparições cinematográficas que também lhe renderam bons frutos, vide “ O Homem Que Caiu Na Terra” de Tony Scott ou “Furyo” de Nagisa Oshima. Apesar de serem vistos com certo desdém na época, hoje se tornaram cult.
Clichês para definir Bowie sempre circularam de forma muito frequente e a mais famosa é a de “camaleão do rock”. Nesse caso Nelson Motta, em sua coluna eletrônica semanal ao Jornal da Globo,  foi muito feliz em discordar dessa tese, pois ainda em suas palavras “David Bowie não ``roubava´´ as cores do ambiente como um camaleão, ele radiava suas próprias cores”. Seu rico legado não compreende somente os vinte e cinco discos gravados em estúdio (já contando com o último álbum, que foi lançado quatro dias antes de sua morte). E por falar nesse ultimo disco - “Blackstar” veio como uma espécie de testamento, pois Bowie já lutava contra um câncer a dezoito meses e sabia que não havia cura.
Se fizermos um rápido “balanço” de seus serviços prestados, veremos ainda as ramificações pulsantes no seminal “Transformer” disco que produziu para o amigo Lou Reed ou nas mixagens do “.Raw Power“ dos Stooges, só para ficar em dois exemplos.
Deixe as comoções baratas que costumam contaminar as redes sociais de lado e entre de cabeça no universo de Bowie, prestigie sua obra e compartilhe sua arte com o maior número de pessoas possível. Você estará fazendo um favor para elas e principalmente para si mesmo.



(Texto: Robério Lima)


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domingo, 10 de janeiro de 2016

O Poderoso Chefão - Parte I (The Godfather)








Os tempos estavam mudando e uma nova safra de diretores americanos surgia para subverter o velho esquema dos grandes estúdios de cinema na América. O início dos anos setenta foi  o ponto de partida para que jovens e inquietos artesãos da sétima arte  tomassem  as rédeas de produções que se tornariam referencia para dez em cada dez diretores que surgem nos tempos de hoje. Steven Spielberg, George Lucas e Francis Ford Copolla foram alguns dos responsáveis pelo que ficaria conhecido como ”cinema autoral independente”. Com baixo orçamento e pouco apoio dos grandes estúdios conseguiram realizar obras de primeira grandeza e com uma estética inovadora.
Dos filmes realizados nesse período um pode ser encarado como unanimidade entre cinéfilos e críticos, falo do “Poderoso Chefão – Parte I” (The Godfather) que se tornaria uma das maiores sagas sobre máfia já criadas na história do cinema (mais duas sequências seriam realizadas; a espetacular “Parte II”e a não tão inspirada “Parte III”).
A começar pelo elenco que contaria com o já renomado astro Marlon Brando que imortalizou “Don Vito Corleone” e Al Pacino, em seu primeiro papel de destaque como Michael Corleone, vale também destacar as atuações de Robert Duval, Diane Keaton, James Caan e grande elenco. Copolla não teve vida fácil durante o período de produção do filme e para ficar em um exemplo, foi obrigado a submeter Marlon Brando a um teste para encarnar o “Chefão”. Nino Rota foi o responsável pela trilha sonora que serve mais como moldura para o que se vê na tela, tamanha a sincronia entre imagem e música.
O jogo de poder é o ponto de partida para que uma luta, algumas vezes cerebral, e na maioria do tempo extremamente violenta, conduza uma quase biografia do cotidiano da máfia proveniente da Sicília - não por acaso Copolla foi acusado de fazer propaganda para a máfia alimentando os muitos boatos envolvendo o filme. Polêmicas a parte, o mais importante é ver o filme muitas vezes, sem restrições, pois a cada revisão será uma aula a mais do que de melhor foi produzido no cinema.



(Texto: Robério Lima) 


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Monsters Of Rock - 19 e 20 de Outubro de 2013








Depois de um enorme hiato, eis que novamente um dos festivais mais queridos entre os que apreciam o som pesado volta a ser realizado em São Paulo. Agora sem o suporte da famosa empresa holandesa e com duração de dois dias, a Arena Anhembi foi o local escolhido para sediar o esperado evento.
Em seu cast, os organizadores optaram por mesclar os estilos, mais especificamente o metalcore e o hard rock que nessa ordem, foram divididas pelos dois dias do festival. Além das bandas que falaremos mais à frente, foi escalado como mestre de cerimônia Eddie Trunk, apresentador do renomado programa “That Metal Show”veiculado pelo canal VH1 para ser o mestre de cerimônia.
Já as bandas escaladas foram muito festejadas e apesar de alguns nomes questionáveis, agradaram em cheio. As bandas nacionais não poderiam ficar de fora  e o Project 46 foi o responsável pela abertura do evento. O Hellyeah, banda capitaneadas por Vinnie Paul (ex Pantera) estava escalada para o mesmo dia, mas por problemas pessoais a apresentação foi cancelada. Na sequência os franceses do Gojira deram ao público o que se esperava e com um som bastante agressivo foi bastante festejado. A atração seguinte já era bastante conhecida por essas terras, mas essa seria a primeira vez em que o Hatebreed tocaria em um festival “open air”no Brasil e a empolgação foi grande entre banda e público. O auge da apresentação ficou por conta da homenagem ao Sepultura com “Refuse/Resist” que contou com a participação de Andreas Kisser, ótima apresentação. Ainda com um calor muito forte o Killswitch Engage trouxe o seu metalcore bastante agressivo para deleite dos mais afoitos.
Já a noite o Limp Bizkit tocou alguns de seus temas mais conhecidos e fez covers de Nirvana e Rage Against The Machine. Com a primeira dia do festival já chegando ao seu fim era a hora das principais atrações e a vestimenta do público era predominante dessas bandas. E foi a vez do Korn trazer o seu “Nu Metal” e incendiar a público já em êxtase. O clímax da apresentação mais uma vez ficou a cargo da participação de Derrick Green e Andreas Kisser com a já indispensável “ Roots Blood Roots”. Dia de justa homenagem ao mais ilustre representante do metal nacional. Para fechar a noite ninguém melhor que os mascarados do  Slipknot que com sua já conhecida performance arrebataram definitivamente o público que naquela altura já estava em êxtase, junte tudo isso aos som pesado e a movimetação insana dos caras para não ficar dúvidas que a escalação desses “monstros” do Nu Metal foi mais que acertada. E vamos para a segunda noite...
Ao contrário do primeiro dia, podemos perceber logo de cara que o dia seria reservado para um público mais tranquilo, pois as principais atrações são sinônimo de festa regada a muita bebida e mulheres em abundância. Vencedores de uma promoção realizada pela organização do festival, o Eletric Age foi responsável pela abertura do segundo dia e na sequência o Dr. Pheabes deu continuidade aos trabalhos. Outro “Doctor” veio em seguida, mas esse já possui prestígio merecidamente conquistado com anos de trabalho árduo e festivais já são corriqueiros em seu currículo. O Dr. Sin enfrentou um calor fortíssimo para dar ao público o que se esperava; muito hard rock executado com excelência. Algum tempo depois a banda anunciou o fim das atividades. Uma pena... O Dokken foi um dos baluartes do hard rock dos anos oitenta e possui em sua discografia clássicos que ajudaram a imortalizar o estilo. A apresentação infelizmente não foi aquela que Don Dokken costumava entregar em seu auge, mas o publico nao deu a minima para esse “detalhe” e Curtiu bastante. Geoff Tate’s Queensryche é a versão de Tate para o grupo que o consagrou em um passado não tão distante. O que podemos ver foi que não decepcionou, mas ficou longe de empolgar, a nova encarnação do Queensryche vem dando muito mais o que falar...
O Buckcherry era a única banda gringa formada nos anos noventa, mas trouxe um hard rock visceral que mesmo não empolgando tanto esquentou o público para o que viria a seguir. E foi uma viagem fantástica, pois não acreditava mais em uma vinda do Ratt ao Brasil e ainda mais com a  formação que fez muito marmanjo como eu ir as lágrimas. “Round And Round”, “Body Talk” e “Lay It Down” foram algumas das pérolas executadas. Realmente foi daquelas apresentações para chorar de alegria. O Whitesnake desde de sua primeira apresentação no “ Rock In Rio”, foi presença constante no Brasil e teve momentos memoráveis por esses lados, acontece que os tempos são outros e a voz de Covardale está longe de ser aquela que o fez ser considerado “a voz”. Mesmo assim é sempre bom vê-lo executando clássicos imortais de sua trajetória.
E finalmente a festa estava chegando ao fim e não poderia ser encerrada de outra forma que não fosse com um dos mais relevantes nomes do rock. Sim o Aerosmith é uma das formações que mais se mantém fiel ao estilo e que mantém a mesma formação durante anos. As performances de Steve Tyler e Joe Perry ainda empolgam, executando clássicos como “Eat The Rich” ou “Love In An Elevator” mesclados com músicas mais recentes (e já clássicas) “Crying” e “Livin’ On The Edge”, se não bastassem ainda fizeram uma homenagem a uma de suas influências com “Come Together” (The Beatles). Não precisa dizer que fecharam a segunda noite e o festival no mais alto nível. No final o saldo foi extremamente positivo e abriu as portas para mais uma edição em 2015 com Kiss e Ozzy Osborne como headliners, mas essa já é uma outra história...



(Texto: Robério Lima)
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