O virtuosismo de um grande artista pode ser evidenciado de muitas
formas. Mas quando se trata de um ícone do calibre de Gary Moore, as coisas
ficam bem mais empolgantes. Dessa vez, falaremos de mais um registro ao vivo,
``We Want Moore´´, trocadilho perfeito para quem aprecia a obra deste que
sempre será uma das maiores figuras do Hard/Heavy/Blues.
A bolacha traz um repertório para ninguém botar defeito, e já de inicio
temos a matadora` `Murder In The Skies´´ do magnifico disco ``Victim Of The
Future´´, na sequencia , uma versão bem mais pesada para ``Shapes Of Things´´
do Yardbyrds. Sem tempo para respirar ``Victim Of The Future´´, deixa as coisas
ainda melhores.
Ao longo da audição somos abduzidos pelo clima Rock n´Roll de uma época que
não existe mais. Ouvindo ``Cold Hearted´´ou
``Empty Rooms´´ com seus backing vocals vigorosos
e empolgantes nos faz querer estar na primeira fila em frente ao palco cantando
cada nota emitida pelos amplificadores.
O time que acompanha a fera tem nos teclados Neil Carter, Craig Cruber
no baixo e nas baquetas, ninguém mais, ninguém menos que Ian Paice. Alguém ousaria
dizer que poderia sair algo ruim desse caldo?
No CD ainda temos a indefectível ``Parisienne Walkways´´. No auge da
emoção e com o disco no volume máximo, fica a dica para quem quiser adentrar ao
universo de Gary Moore. ``We Want Moore!´´, ``We Want Moore!´´
Tive contato com essa obra prima através de um grande professor de língua portuguesa, chamado Zaqueu. Aliás, não foi apenas esse livro que ele nos apresentou em sala de aula, ``Amor Nos Tempos de Cólera e ``Cem Anos De Solidão´´ fizeram parte dessa trilogia de descobertas.
``Crônica de Uma Morte Anunciada´´ foi publicado em 1981. Garcia Marques nos brinda com uma narrativa envolvente. O enredo é um prato cheio para Garcia Marques destilar todo o seu conhecimento da estrutura jornalística. O livro é narrado em primeira pessoa, mas o narrador não é onisciente, pois ele escreveu sua crônica, colhendo informações, opiniões e lembranças dos habitantes da vila de Riohacha.A crônica gira em torno das horas que antecederam o assassinato de Santiago Nasar, filho de um rico emigrante árabe que foi morto a facadas pelos irmãos Pedro e Pablo Vicário para honrar a família do vexame de ter tido sua irmã Ângela Vicário devolvida após a lua de mel com o misterioso forasteiro chamado Bayardo San Román. Santiago Nasar é tido como o culpado pela desonra, fato esse confessado pela própria Ângela.
Abaixo; um trecho da magistral narrativa desse gênio chamado Gabriel Garcia Marques.
"Assustei-me quando o vi pela frente", disse-me Pablo Vicário, "porque me pareceu duas vezes maior do que era”.Santiago Nasar ergueu a mão para aparar o primeiro golpe de Pedro Vicário, que o atacou pelo flanco direito com a faca na perpendicular.
- Filhos da puta! - gritou. A faca atravessou-lhe a palma da mão direita, e mergulhou de imediato até ao fundo do costado.
Toda a gente ouviu o seu grito de dor.
-Ai minha mãe!
Pedro Vicário puxou a faca para fora com o seu pulso rude de magarefe, e assestou-lhe um segundo golpe quase no mesmo lugar. "O estranho é que a faca voltava a sair limpa", declarou Pedro Vicário ao juiz instrutor. "Eu já lhe tinha furado pelo menos umas três vezes e não havia nenhuma gota de sangue ”.Santiago Nasar torceu-se com os braços cruzados sobre o ventre depois da terceira facada, soltou um gemido de bezerro, e tentou virar-se de costas. Pablo Vicário, postado à sua esquerda com a faca recurva, assestou-lhe então a única facada nas costas, e um jorro de sangue a alta pressão encharcou-lhe a camisa. "Cheirava como ele", disse-me. Três vezes ferido de morte, Santiago Nasar enfrentou-os novamente, e apoiou-se de costas contra a porta da mãe, sem a menor resistência, como se quisesse tão-só ajudá-los a acabar com ele em partes iguais. "Não voltou a gritar", disse Pedro Vicário ao juiz instrutor. "Pelo contrário: pareceu-me a mim que se ria." Os dois continuaram a esfaqueá-lo de encontro à porta, com golpes alternados e fáceis, flutuando no remanso deslumbrante que encontraram do outro lado do medo. Não ouviram os gritos da vila inteira espantada com o seu próprio crime. "Sentia-me como quando se vai à carreira num cavalo", declarou Pablo Vicário. Mas rapidamente despertaram ambos para a realidade, porque estavam exaustos, e apesar disso parecia-lhes que Santiago Nasar não iria cair nunca. "Porra, primo", disse-me Pablo Vicário, "sabes lá como é difícil matar um homem. Não fazes idéia!" Tentando acabar de uma vez por todas, Pedro Vicário procurou o coração, mas procurou-o quase na axila, onde o têm os porcos. De fato Santiago Nasar não caía porque eles estavam a escorá-lo à facada de encontro à porta. Desesperado, Pablo Vicário deu-lhe um talho horizontal no ventre, e os intestinos afloraram com uma explosão. Pedro Vicário ia a fazer o mesmo, mas o pulso torceu-se-lhe de horror, e então deu-lhe um talho extraviado na coxa. Santiago Nasar ficou ainda um instante apoiado contra a porta, até que viu as suas próprias vísceras ao sol, limpas e azuis, e caiu de joelhos.
Depois de uma apresentação
matadora no Rock in Rio junto com os alemães do Destruction, eis que o Krisiun presenteia
o publico com uma apresentação gratuita no Centro Cultural da Juventude na zona
norte de São Paulo. Se não bastasse ainda teríamos o Nervochaos e os
paulistanos do Marrero como bandas convidadas.
O evento estava marcado para as
16:00 e já havia uma enorme fila em frente ao C.C.J para a retirada de
ingressos. Vale registras que muitos já permaneciam no local desde muito cedo,
mesmo com o frio e a garoa que permaneceu por todo o dia.
Quando o Marrero entrou no palco já
havia um bom publico e, apostando em um som bem pesado e cantado em português,
agradou aos presentes logo de cara. De qualquer forma, alguns anos de estrada
certamente darão mais experiência ao grupo, que tocou``Snow Blind´´ do Sabbath acompanhada
pela letra impressa.
Experiência e anos de estrada já não
é problema para a banda que entraria na seqüência. O Nervochaos já entrou com
os dois pés na cara dos presentes. De cara ``Dark Chaos´´ é a responsável por
colocar as coisas no eixo (se é que me entendem), em seguida veio ``To The
Death´´ que da nome ao seu ultimo disco. O publico que naquela altura agitava de
forma insana recebia cada tema com muita euforia. Para finalizar as indispensáveis ``Pazuzu is Here´´ e ``Pure Hemp´´ que foram o golpe de misericórdia. Muito
ovacionados, saíram do palco com o reconhecimento merecido.
Depois de alguns ajustes, um dos
principais representantes do Death Metal mundial entra no palco para mais uma
aula de extremismo e técnica. Com um repertório recheado de clássicos o Krisiun
despejou sobre os presentes uma porrada atrás da outra, dentre elas ``Vicious
Wrath´´, ``Conquerours Of Armagedom´´ e ``King Of Killing´´. Se não bastasse os
caras foram impiedosos e diante do enorme calor ainda mandaram ``Black Metal´´
do Venom. Vale registrar que os caras não cansam e depois de todos pedirem seu
maior clássico ``Black Force Domain´´, Moises Kolesne acalma a galera dizendo
que não sairão dali sem tocar essa pérola. E quando já pensávamos que o show havia
acabado, os caras voltam para o palco e mandam uma versão porrada de ``No Class´´
do Motorhead. Sem sombra de duvida um domingo para ficar na memória dos que
estiveram no Centro Cultural da Juventude.
A primeira vez que vi/ouvi Maysa fiquei
estático em frente a TV. Na ocasião era apresentada sua versão para “Ne Me
Quite Pas”, musica de Jacques Brel e que seria o tema de abertura da minissérie
“Presença de Anita” (exibida pela TV Globo em 2002).
Não pude me conter
e corri para comprar o disco que contivesse essa perola, e por sorte, encontrei
“Maysa”, gravado em 1969, que só me fez
ficar ainda mais fascinado por seu talento único.
Cantora que
encarnava como ninguém criações alheias e incorporava profundamente cada nota,
letra e tudo mais que pudesse haver nas canções que ela interpretava.
Interpretações fortes e composições imortais fazem disco destoar de muita coisa
feita na época. Sua versatilidade era espantosa, basta ouvir “Justin in Time” ou
a já citada “ Ne Me Quitte Pas”. Na capa
do disco apenas sua imagem forte e imponente ressaltando seu olhar enigmático e
belo que sempre foi sua marca
registrada.
Mais uma obra imperdível
de uma das mais cultuadas personagens da Musica Popular Brasileira.
Dono de um timbre único de guitarra, Albert Collins tornou-se nome obrigatório na discoteca de quem tem apreço pelo blues. Para se ter ideia de sua importância, Jimi Hendrix o tinha como ídolo. Além de Hendrix, nomes como: Stevie Ray Vaughan, Gary Moore e Robert Cray prestaram reverência a ele. Esse último ganhou o Grammy Award junto com Collins e Johnny Copleand em 1987 com o álbum Showdown. Albert ficou conhecido ao longo de sua carreira como o Mestre das guitarras Telecaster. Em 24 de Novembro de 1993, aos 61 anos, Albert Collins veio a falecer vítima de câncer.
O álbum Cold Snap foi seu nono disco de estúdio e foi lançado em 1986. Elenquei algumas faixas desse disco:
Cash Talkin (The workingman’s blues) – tem uma pegada funk com um groove pulsante, destaque para a técnica de slap do baixista Johnny B. Gayden.
Bending Like a Willow Tree – Composição de Lowell Fulson, tem uma levada mais calma mas também é bem swingada. Nela Collins extrai notas longas e ardidas de sua Telecaster.
A Good Fool is Hard to Find – é um “bluesão” daqueles bem turbinados. Não tem como ouvi-la sem acompanhar o ritmo com o pé. Destaque para o tecladista Jimmy McGriff que manda ver em um solo efervescente.
Lights Are On But Nobody’s Home – é um blues lento daqueles feitos sobre medida para se dar aquela relaxada. Albert Collins escancara sua caixa de ferramenta e mostra porque é uma lenda da Telecaster. Não fica pedra sobre pedra. Que pegada!
Hooked On You – é outra funkeada, só que mais frenética e mais pesada. Destaque para a introdução matadora.
Too Many Dirty Dishes – Outro blues lento, mas desta vez Collins começa mais calmo com um som mais limpo e sereno, depois volta a trabalhar com o timbre e a pegada que o consagrou.
É com enorme satisfação que venho através desse espaço, dissertar sobre esse que foi talvez um dos maiores gênios incompreendidos pela grande massa. Digo grande massa, porque quem o descobria se encantava de imediato. Assim foi com os Stones que o convidou a fazer parte da banda substituindo o então falecido Brian Jones. Com Eric Clapton, que o convidou a fazer parte da Derek And The Dominoes e por fim com John Lennon que se ofereceu a fazer qualquer participação em seu disco. Diga-se de passagem, todos os convites acima recusados por Buchanan. Empunhando sua Telecaster carinhosamente apelidada por Nancy, Buchanan era quase imbatível. Ele dispunha de enormes recursos técnicos como bends (ato de levantar as cordas da guitarra), pinch harmonic (os famosos gritinhos que a guitarra simula quando se mescla o ataque as cordas com a palheta e o polegar) técnica difundida a exaustão por zakk wylde e Billy Gibbons e o uso do botão de volume que lembrava o som de um pedal de wah-wah, antes mesmo de esse existir.
Roy Buchanan nos deixou em 14 de Agosto de 1988, morto dentro de uma cela de prisão enforcado com a própria camiseta. Até hoje perdura o mistério sobre sua morte, pois Buchanan não tinha motivos aparentes para cometer suicídio, haja vista que ele foi preso no mesmo dia da sua morte. Nesse dia Buchanan estava embriagado e agressivo com sua esposa.
O show em questão foi gravado em Austin (EUA) em 15 de Novembro de 1976. Esse dvd contem apenas 5 músicas, mas suficientes para reconhecer a genialidade de Buchanan.
Roy Buchanan e banda abrem o show com Woman, you must be crazy. Nela Buchanan chega ao ponto de tocar apenas com a mão esquerda (a do braço da guitarra) enquanto se delicia com um generoso copo de cerveja, com direito depois a uma boa bocejada irônica. Roy’s Bluz tem uma levada bem sensual. Roy dá uma aliviada tocando notas mais calmas colaborando com o clima da música, para isso, ele usa o captador do braço que emite um mais aveludado e encorpado. Mas isso dura até a segunda parte, daí para frente o couro come e o velho Buchanan endiabrado volta a dar as cartas, agora com a captador da ponte acionado, que dá a sua Nancy um som estridente e extremamente agudo, regado sempre a um bom delay. Em Sweet Dreams conhecemos o lado melódico de Buchanan, bela música, onde Buchanan faz uso agora do botão de volume simulando um som que lembra o cantar dos pássaros. Roy não deixa a oportunidade passar e homenageia seu ídolo, Jimi Hendrix tocando de forma personalíssima Hey Joe e a introdução bombástica de Fox Lady. Por fim, surge talvez o grande momento do show: The Messiah will come again. Essa música para mim é simplesmente o que há de melhor em um tema instrumental. Ela figura sempre entre as minhas prediletas e sinceramente não vejo perspectivas de mudanças.
A carreira de Tim Maia sempre foi pautada por
excessos, mas seu enorme talento borbulhava em meio a tantas dificuldades
decorrentes de seu jeito excêntrico e centralizador. Um artista comum, certamente não sairia ileso
se ousasse seguir a mesma rotina de Tim.
Depois de um período onde mergulhou de cabeça
na Cultura Racional, (período em que lançou duas perolas de sua discografia “Racional
Parte 1 e 2”), Tim decide lançar um disco totalmente interpretado em inglês,
mas sem o apoio de gravadoras, rádios ou da grande mídia a tarefa se tornaria
um capitulo a parte em sua carreira.
Sem dinheiro, o lançamento de “Tim Maia (1978)”
seguiu a rotina caótica já tão presente na trajetória do cantor. E mesmo com
composições excelentes e interpretações primorosas, (ouçam “With No One Else
Around” e tentem discordar), a escassez de recursos levou a empreitada ao
fracasso absoluto. Sua gravadora Vitoria Regia, com as finanças no vermelho foi
obrigada a fabricar a bolacha em duas etapas; primeiro saiu a capa e depois de
algum tempo o disco foi prensado.
Mesmo contado com todo o esforço de Tim, o
disco foi uma grande decepção e passou totalmente despercebido pelo publico
devido a falta de divulgação. Neste caso, o tempo se encarregou de tornar o
álbum objeto de desejo para muitos que procuram redescobrir a obra do ídolo
controverso.
Depois de três edições realizadas com muito sucesso, o PHILIPS MONTERS OF ROCK já estava se consolidando como um dos principais eventos da cidade, mas, ao contrario do que todos esperavam o evento não foi realizado em 1997. Em seu lugar, tivemos o SKOL ROCK que contou com atrações do quilate de SCORPIONS, BRUCE DICKINSON e DIO. Mesmo com nomes de peso, o festival não tinha a mesma magia do PMOR e logo nos primeiros dias do ano de 1998 pipocaram noticias sobre a volta do festival.
O local escolhido para sediar o evento foi o Estádio do Ibirapuera, que no ano anterior já havia sido palco para o SKOL ROCK. Sem muita polemica, o cast do festival foi um dos melhores dentre todas as edições. Pra começar, duas lendas do metal nacional, KORZUS e DORSAL ATLANTICA foram escaladas merecidamente para essa grande festa. Do lado internacional tivemos SAXON, SAVATAGE, MANOWAR, DREAM THEATER, MEGADETH (que já havia tocado na segunda edição), SLAYER (tocou na primeira edição) e que desta vez seria responsável por fechar a noite. A atração que mais destoou do cast foi GLEN HUGHES, mas isso não foi problema, pois estamos falando de uma lenda do Classic Rock.
Nem o calor insuportável que fazia naquele histórico sábado, foi suficiente para espantar os fanáticos por musica pesada e muita gente chegou cedo para prestigiar as bandas nacionais.
A primeira atração foi a DORSAL ATLANTICA que naquele momento divulgava o disco “Straight”. Carlos “Vândalo” Lopes e sua trupe deram mais uma aula de energia. A segunda atração não deixou a “peteca” cair, o KORZUS não deixou pedra sobre pedra e, com um set recheado de clássicos já deixou alguns pescoços doloridos.
A primeira atração internacional a se apresentar foi GLEN HUGHES, que como foi dito no começo deste texto, tem os dois pês no Classic Rock e muita influencia do soul, para os mais ortodoxos, não agradou, mas o cara e uma lenda viva e certamente influenciou boa parte das bandas que iriam tocar naquele dia, para os apreciadores de boa musica, agradou em cheio. O SAVATAGE havia tocado a pouco tempo no Brasil, mas possui um publico fiel que cantou cada refrão como se não houvesse amanha. O SAXON veio na sequencia e manteve o publico na mão. Ver um dos principais nomes do NWOBHM (New Wave British Of Heavy Metal) fez muito marmanjo lacrimejar.
O DREAM TEATHER fez uma apresentação que certamente agradou aos fãs apaixonados por sua técnica e perfeição, mas, em minha opinião, não empolgou. Já a atração que veio na sequencia, empolgou e muito. O MANOWAR se utilizou de performance e discursos sobre a sua já conhecida paixão pelo Heavy Metal. Excelente show com tudo que os fanáticos seguidores esperavam.
O MEGADETH já tocou no Brasil diversas vezes e mesmo não passando por um bom momento devido ao lançamento do criticado “Cryptic Writings”, manteve uma das melhores performances ao vivo, e mais uma vez saiu do palco aclamado.
O SLAYER estava promovendo “Diabulos in Musica”, mas os headbangers queriam ouvir os clássicos. E tome porrada uma atrás da outra. Confesso que tive certo medo, pois era a primeira vez que via ao vivo a lenda do metal extremo, mas ao mesmo tempo estava muito feliz por ver “A Raiz de Todo o Mal” conforme definição de Abbath, líder do IMMORTAL.
Mais um momento histórico para os que tiveram a oportunidade de comparecer ao estádio Icaro de Castro Melo, já que hoje estamos rodeados de festivais oportunistas com atrações medianas e preços abusivos de ingressos. Mesmo sendo anunciada a volta do festival para esse ano, tenho certeza que não sera como antes.
Albert King – Chicago 1978 é um dos discos gravados ao vivo por Albert King e um dos meus discos de cabeceira de cama. Vou elencar as músicas que fundamentam essa minha preferência:
King’s Bounce é a única instrumental do disco. Contem um ritmo dançante. A guitarra de Albert entra timidamente e depois descamba num solo dançante. Os naipes de metal é o ingrediente a mais que dá aquele toque magistral neste caldeirão sonoro. Stormy Monday Blues é o clássico que todo bluesman que se prese não deixa de forma alguma de tocá-la. Coube a Albert a tarefa de interpretá-la com a dor que emerge das entranhas. Born Under A Bad Sign, ouça essa música e entenderá porque nomes como Eric Clapton, Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan tinham Albert King como seu ídolo. You’re My Woman, I´m Your Mate é um daqueles funks pra James Brown nenhum botar defeito. Nela Mr. Albert deita e rola com sua guitarra Fly V num solo vigoroso e cortante. Tired As A Man Can Be éum blues contagiante onde Albert King canta absurdamente alto enquanto esfola sua Fly V com bends assombrosos. Esse é sem dúvida um grande momento do show. Blues At Sunrise,composição de King que se tornou um clássico do blues. A tônica dessa música é a dinâmica, pois alterna entre momentos suaves e nervosos. Please Come Back To Me éasúplica que vai de um pedido choroso ao desespero. No meio da performance entra um voz inusitada clamando em catarse que Albert é o rei, o Bluesman. I’ll Play The Blues For Youé uma baladona romântica que encerra esse belo disco.
Infelizmente, Albert King nos deixou vítima de um ataque cardíaco em 1992. Ele que foi considerado o 13º melhor guitarrista do mundo, eleito pela revista Rolling Stone. (Texto: Sergio Silva)
Há 40 anos a indústria
fonográfica presenciou um dos mais espetaculares voos musicais do século XX,
alguns anos após o homem presenciar a baixa gravidade lunar uma banda de rock
inglesa atingia a perfeição artística com o lançamento de um álbum revolucionário
em todos os sentidos: Dark Side of the Moon, do Pink Floyd.
Mais do que um simples álbum,
Dark Side of the Moon é um trabalho revolucionário pelo fato de unir técnicas
inovadoras, como o tic-tac de um relógio em “Time” e o som de uma caixa
registradora em “Money”, a letras que revelam toda a genialidade do principal
compositor da banda, o baixista Roger Waters. As composições de Waters abordam
temas como morte, loucura, solidão, a passagem do tempo, ganância, tudo isso
com um alto grau de reflexão filosófica e politica até então incomum no mundo
da música.
Gravado nos estúdios Abbey Road,
em Londres, entre maio de 1972 e Janeiro de 1973 e desenvolvido através de uma
série de ensaios e performances ao vivo nos meses seguintes, The Dark Side of
the Moon representa o auge da capacidade artísticas do Pink Floyd, um álbum
conceitual que, apesar de refletir muito do seu momento histórico, ainda é
capaz de provocar espanto na era digital, não somente pelas inovações técnicas
como pelo seu conteúdo temático, Não é por acaso que o álbum mantém até hoje o
recorde do disco por mais tempo na lista das 200 mais da revista Billboard,
cerca de 800 semanas, desde seu lançamento até 1988.
Ouvir este álbum é uma
experiência única para os verdadeiros apreciadores da boa música, pois não se
trata de um lugar comum, mas de um mergulho sonoro sensível e reflexivo no qual
cada faixa nos leva a um recanto obscuro de nosso mundo interior, as letras de
Waters e companhia nos proporciona um incomodo prazeroso e consequentemente nos
faz evoluir artisticamente como Ser humano. Deixando de lado os diversos mitos
criados em torno do álbum, que em nada alteram a sua importância, The Dark Side
of the Moon nos surpreende em todos os sentidos, desde a concepção de sua capa,
com o prisma e o arco-íris, às inovações técnicas de gravação; algo
revolucionário para sua época.
Enfim, tudo que se disser sobre
esta obra não será capaz de transmitir a experiência única de sua audição
completa faixa a faixa. Canções como “Us and them”, “Brain damage”, “Breathe”
isso sem citar os clássicos “Money” e “Time”, únicas faixas a se tornarem hits,
simplesmente nos faz rever os nossos conceitos sobre o que é arte e o que é
simplesmente entretenimento, principalmente dentro de um estilo tão vasto como
o rock´n´roll. O Pink Floyd inovou o estilo sendo uma das bandas responsáveis
pela criação do chamado rock progressivo, vertente que é genuinamente
representada neste álbum que completa 40 anos e que se mantém cada vez mais
atual. Como canta David Gilmour em “Time”: “o tempo se foi, a canção terminou,
pensei que tivesse algo mais a dizer” e tenho, mas palavras não são capazes de
traduzir aquilo que é subjetivo e, portanto, deve ser apreciado
individualmente, então deite no sofá, abra uma cerveja e descubra tudo que está
do lado escuro da lua antes que a rotação se complete e a luz da alienação, tão
em evidência atualmente, ofusque a sua visão e danifique a sua mente. Parabéns
The Dark Side of the Moon.