Quando Liniker e os Caramelows
lançaram o EP -``Cru´´, contendo três faixas, e gravado ao vivo no apartamento
de um dos integrantes, não imaginavam a enorme repercussão que teriam com as
gravações lançadas no You Tube. A partir
daí tudo foi correndo de forma á corroborar a qualidade do grupo - que iniciou
uma turnê para divulgar o trabalho e que atrairia cada vez mais audiência. Nesse
caso, o caminho natural seria a gravação de um disco completo que foi concebido
por meio de financiamento coletivo, e que levaria o título de ``Remonta``. Nome
mais que sugestivo e que propõe diversas interpretações. Tendo à frente do
grupo a cantora Liniker, que prefere ser tratado com o pronome feminino por ter
a possibilidade de abranger um universo mais amplo, sem limitações estéticas e
criativas. O que importa nisso tudo, é que em meio a um figurino pessoal e que expressa
muito de personalidade do artista, tem nas músicas do disco um apanhado muito
bem montado e que evidencia a veia artística da cantora, que cresceu em meio a
uma família de músicos. ``Remonta´´ pode ser considerado um trabalho completo e
que extravasa os limites de gênero. Todas as músicas possuem interpretação
muito particular e a cozinha conduzida pelos Caramelows é um ponto a parte! Se
em ``Louise Du Brésil``, temos a vontade de arrastar os moveis da sala para
dançar, em ``Tua´´, o clima melancólico nos toma de forma inesperada, até que a
última taça de vinho seja ingerida...uma interpretação belíssima e arranjos de
faltar folego. O repertório foi muito bem construído. Prova disso é a bem-sucedida
turnê que os músicos vêm fazendo para divulgar o trabalho. Vale mencionar as várias
participações que permeiam o disco. ``Remonta´´ é um excelente disco e
altamente recomendado para os que insistem em dizer que não há bons artistas na
cena atual. Ouçam despidos de preconceitos!
Pontualmente às 21
horas, A Test Big Band, uma extensão do duo de grindcore - Test, toma o palco
do Centro Cultural De São Paulo para abrir o projeto Centro do Rock do CCSP –
que promoverá além de shows, debates e filmes relacionados ao rock por todo o
mês de Julho. A sala Adoniran Barbosa recebeu um ótimo público para testemunhar
mais um atentado musical, orquestrado por alguns personagens do inquieto
undergroud de São Paulo. Piano de calda, Saxofone, duas baterias são só algumas
das “peculiaridades” desse projeto. E um sentimento que jamais existirá nesse
caso - é a indiferença, pois o ar vanguardista vem sendo levado as últimas
consequências com sons que alternam brutalidade com passagens mais
experimentais. João Kombi é uma espécie de ´´Arrigo Barnabé do Grind`` e ele
não compactua com o óbvio. Quem ainda duvida, é só ver uma de suas
apresentações ``oficiais´´ ou não para saber do que estou falando.
O público assistia à
apresentação embebido de sentimentos diversos, o que ficava evidente na face de
cada um que acompanhava a apresentação, algo que talvez só será compreendido
daqui a muito tempo. Os urros ensandecidos vociferados por João Kombi e Tomas
Moreira do Paranoia Oeste, contrastam com as viagens sonoras e as marteladas do
rolo compressor, conhecido como Barata. Aliás qualquer som se incorpora ao espetáculo
complementando o pandemônio proposto pela ``big band``.
Cada peça do mosaico
executado era um aturdido que todos assistiam atentamente e ao fim vibravam
como assistissem a uma orquestra tradicional. Alguns com expressão de choque
aplaudiam, talvez por inércia pois, talvez jamais compreenderão o que acontecia naquele momento. Mesmo assim,
os danos causados por essa (e outras) apresentações, jamais serão curados. Os
músicos envolvidos nesse projeto não são comuns e jamais se perderão no limbo
do convencional. Só por isso, já marcam seus nomes na história do underground…
e por que não, da arte!
Duas das mais importantes formações do underground brazuca
decidiram unir forças para encarar um total de quatorze datas que abrangem a
capital e o interior do estado de São Paulo. Surra e Desalmado tomaram como
proposito a comemoração dos cem anos da Revolução Russa para disseminar
violência em forma de música. Já na segunda data desta tão aguardada
turnê – o palco escolhido foi a Avenida Paulista, espaço frequente das mais
diversas manifestações políticas e culturais. Se no começo da tarde havia
ameaça de chuva, felizmente não se concretizou! E se as bandas já citadas
fariam um grande alvoroço, o evento teve o reforço do Manger Cadavre? Que abriu
os trabalhos da forma exemplar. Com um som pesadíssimo e divulgando seu último
EP ``Revide´´. Nata de Lima, e seus vocais urrados (com uma performance que me
fez lembrar o Lee Dorian, nos áureos tempos em que era o frontman do Napalm
Death), conduziu a ´´sinfonia do apocalipse´´ com segurança e brutalidade. Fizeram ainda uma
versão para ``When All Is Said And Done´´ dos mestres do grind. Encerrada a apresentação do Manger, e com uma rapidez
absurda para troca de equipamentos. Eis que o Desalmado inicia sua violenta
apresentação. E quanta violência! Um grind/death com musicas calcadas na indignação e cantadas (!) em português, mataram a pau(!!), basta ver os videos que estão circulando mas redes sociais. vide ``Santo Oficio´´, ´´Corrosion´´ e ´´Todos Vão Morrer´´. Os caras já
possuem seguidores de longa data, e que não se fizeram de rogados. Sem cerimônia
bateram cabeça para aquecer a alma - ``After World Obliteration`` do Terrorizer, foi a forma de
mostrar a fonte de influência dos caras. A apresentação foi rápida, brutal e
insana, como tem que ser. Sem perder tempo e preocupados em cumprir o horário, os
cara do Surra rapidamente ajustaram os equipamentos para despejar os clássicos que já são obrigatórios em suas apresentações. Dava para perceber uma certa ansiedade dos caras, o que é totalmente compreensível, tendo em vista a configuração do evento. Mas, conforme ´´as pedradas´´ eram executadas, as possíveis preocupações eram diluídas em pura adrenalina. ``Merenda´´, ´´Daqui Pra Pior´´ e ``Tamo Na Merda´´ são sempre cantadas de forma empolgada pelos seguidores da banda. Mais uma bela apresentação dos caras. Durante o ´´gig´´,podemos ver integrantes do Bandanos, TEST, Imminent Attack, Criminal Mosh e outros músicos, ´´fortalecerem o corre´´ e fazer valer a filosofia do ``faça você mesmo´´. Vamos torcer para que mais e mais eventos como esse tornem o mosh ainda mais insano. Que venha o próximo! (Texto:Robério Lima)
O Clash Club recebeu no último sábado mais um
evento produzido pela Cospe Fogo Gravações em parceria com a Loja 255. E como
já é de praxe, as bandas escaladas para abrilhantar a festa não decepcionaram,
como veremos a seguir; O V.M.R (Vanguarda Metal Revolucionaria), como o próprio
nome já sugere, possui um discurso político bastante enfático, inclusive
durante toda a apresentação as imagens de Carlos Marighella, Karl Marx e outros
ícones comunistas, foram projetadas no telão dando o tom da performance dos
caras. Vale acrescentar que o vocal é representado por Marcelo Mosh Rat, figura
bastante conhecida na cena por integrar o Criminal Mosh. Infelizmente a
apresentação foi testemunhada por um público ainda pequeno, mas isso não
desmotivou a banda que mandou sons do EP ``Comunismophobia``, que será lançado
logo mais. Na sequência tivemos o Sem Hastro, que conta em sua formação com
membros de São Paulo e Washington D.C. e que praticam um hardcore
violentíssimo. Sem tempo para respirar, passaram pelo palco do Clash, dando seu
recado e danificando alguns tímpanos. E quem pensou que o clima ficaria mais
ameno com atração seguinte, se enganou redondamente. O power trio feminino
Santa Muerte não conseguia conter a euforia entre uma ´´paulada`` e outra do
recém lançado EP ``Psychollic`` e conforme as meninas aumentavam a velocidade,
os primeiros ``mosh pits´´ começavam a surgir. Ainda tiveram tempo de prestar
tributo ao Sepultura com ``Troops Of Doom´´, que nas palavras da vocal/guitarra
Marília, foi a principal influência no início da banda. Já havia uma grande
quantidade de afoitos na pista aguardando a próxima atração e, posso afirmar
que não se decepcionaram. Acompanho a Cerberus Attack a muitos anos, e dizer
que evoluíram, pode soar redundante, tamanho o esforço dos caras em atingir o
patamar que se encontram atualmente. Prestes a lançar o aguardado primeiro
``full lenght`` - ``From East With Hate´´, os caras dominaram o palco desde o
primeiro acorde. A energia emanada do palco foi correspondida a altura com um
``mosh pit´´ insano. A clássica ``Welcome To Destruction´´ e sons do play que
será lançado, foram a senha do caos. Apresentação impecável, prova de que a
persistência é a principal arma dos que almejam ``voar mais alto. No final, ainda deu tempo de fazer um tributo ao Lobotomia - e contaram com o parceiro Renan do Cranial Crusher no vocais. O CrotchRot do Paraná, veio a seguir e com
uma proposta mais ousada e manteve o público envolvido. Com um som altamente
agressivo e brutal, mas com algumas inserções de sons, digamos, mais dançantes.
Nada que pudesse atrapalhar a performance. Me lembrou em certos momentos a
ousadia do saudoso De Falla. Não havia tempo para ``esfriar o sangue´´ e com os Santistas do Surra as coisas ficaram definitivamente caóticas. Muitos foram ao
Clash para vê-los, a quantidade de camisetas do Surra rivalizava facilmente com
os que vestiam as do D.F.C.. Uma avalanche hardcore tomou conta da pista. E se
ainda havia alguém resistindo em permanecer parado, não aguentou muito tempo.
Os caras ``mataram a pau´´ e mostraram que os anos de estrada só fizeram bem
para o trio santista. A apresentação inteira foi pautada por discursos de
indignação com a política e o sistema que conduz o país. ``Merenda´´ e ``Tamo
Na Merda`` não poderiam ser mais atuais. A última atração dispensa
apresentações. O D.F.C. vem desbravando o underground a aproximadamente 30 anos
e sempre com a mesma energia. Mesmo os que já estavam exaustos não arredaram o
pé do Clash Club para ouvir clássicos que sempre animam os ``bailinhos`` por
onde passam ``Vai Se Fuder No Inferno´´, ``Pau No Cú do Capitalismo Em Posições
Obscenas`` e a ``Molecada 666``, são alguns dos propulsores de adrenalina orquestradas
por Tulio e Cia. Sempre que o D.F.C.
toca em São Paulo, a festa é garantida. Não por acaso, os caras escolheram gravar
o primeiro DVD aqui em Sampa no lendário Hangar 110 em 2012. Além disso, tiveram que
disputar o público com atrações como Amon Amarth e Sepultura que também se
apresentaram na cidade na mesma data. Isso
não é pouca coisa! O que nos resta agora é torcer para que não demore para
rolar outras ´´gigs´´ como essa...
Banda/Musico: El Mizza Álbum/demo: Apenas uma demonstração do que estará por vir Nacionalidade:Brasil Genero/Pop Rock Gravadora:Independente Ano: 2017 Nota:9.0
Track List
01-Cigarros Baratos
02-A canção que Prometi te dar
03-Caminhar Por ai
04-Cathedral Song (uma outra canção)
05- Um anjo e o Paraíso
06-Mirella (Uma canção com nome de mulher)
07-Remédio para o Tédio
08-Jardim Dourado
Sabe quando você adquire um material de um musico independente que da vontade de colocar no som do carro e sair pela estrada ouvindo suas músicas e viajando nas composições m o material que aqui se apresenta é exatamente algo deste tipo; o musico e compositor El Mizza nos brinda com um trabalho que transita entre diversos estilos desde a MPB, passando pelo rock,punk rock até o pop rock, cruzando as fronteiras da musica de forma majestosa, no melhor estilo violão e voz o que temos aqui é um belo exemplo dos grandes talentos que o underground nos presenteia, com algumas canções mais animadas que podem ser consideradas "Chiclete" pois tanto seus arranjos quantos seu refrão simplesmente grudam na cabeça nas primeiras audições são estas "caminhar por ai" com uma levada doce meio Reggae no melhor estilo música para luau e "A canção que eu prometi te dar" soa bem romântica uma verdadeira ode as canções de amor já tradicionais no estilo MPB e pop rock , porém nem só de flores é composto este trabalho podemos destacar uma das canções que mais me chamaram a atenção e abrem a demo logo de inicio trata-se da música "Cigarros baratos" uma verdadeira pedrada de sarcasmo e criticas severas a sociedade na qual vivemos , lembrando muito canções punk rock tanto nos arranjos quanto na letra ácida. O material traz as participações do musico Éder Bofete tocando gaita na música "Remédio para o tédio" além das parcerias dos músicos Ricardo Salada na composição da canção "Caminhar por ai " e Paulo Carvalho na música "Cathedral Song 2 (uma outra canção)".
Este material foi feito de forma totalmente independente, as gravações realizadas de forma improvisada mesmo assim não comprometeram o resultado final, que final acima da média,inclusive El Mizza esta realizando diversos shows junto ao músico e compositor Éder bofete na chamada "Trovão da montanha tour" se apresentando em barzinhos,saraus,casas de shows dentre outros, para finalizarmos se você gosta de música autoral de qualidade adquira já um exemplar desta belíssima demo.
Contatos
musicografia@yahoo.com.br
Facebook : El Mizza
(11) 96863-4611
Vergonha alheia - acredito que somente essa
expressão pode definir o que assistimos nessa fita. Sim raro leitor, ``fita´´,
devido ao fracasso de público e crítica, o filme não foi relançado em DVD,
afinal nossas crianças já estão vulneráveis a uma grande quantidade de lixo e
perpetuar essa ``obra´´ só iria piorar as coisas. O que poderia ser a grande
sacada de Carla Perez, se tornou o maior fiasco do cinema nacional. Afirmo
isso, pois não consegui encontrar até o momento produção pior que essa. Na
época, a dançarina estava deixando o não menos bizarro grupo É O Tchan! e
obviamente queria capitalizar com sua popularidade o máximo possível. O
problema é que o plano foi mal sucedido e o ``trem´´ descarrilhou desde de sua
partida. Enredo tosco, interpretações sofríveis além das participações
``ditas´´ especiais que servem apenas para respaldar o fracasso iminente dessa
tentativa de fazer cinema. E se por ventura você tentar assistir ao filme do
começo ao fim, já adianto que somente os que possuem tendências masoquistas
passarão ilesos por essa afronta ao bom senso. Coincidência ou não, a maioria
dos envolvidos com esse trabalho praticamente sumiram de cena, como foi o caso
do famoso produtor de filmes da Boca do Lixo, Antonio Polo Galante e do diretor
Conrado Sanchez. A unica exceção (e olha que foi difícil encontrar alguma!),
foi Lazaro Ramos, que hoje é um dos grandes atores em atividade. Bom, é
complicado falar muita coisa desse filme, mas mesmo que você jamais assista
esse acidente cinematográfico, recomendo que vejam, pelo menos a
cena final, onde Carlinha, chega ao auge de sua interpretação, quando faz
um discurso patético e finaliza a cena dançando como se não houvesse amanhã.
Bom, não há mais o que ser dito. Se encontrar um
VHS de Cinderela Baiana, destrua imediatamente...
Se você jamais assistir esse
documentário, ainda assim não passará ileso pela obra de um dos mais
emblemáticos e inquietos artistas que o Brasil já abrigou. Glauber – Labirinto do
Brasil, já define no título o que realmente o cineasta baiano representou para
uma gama enorme de entusiastas de sua obra. Quando Silvio Tendler decidiu
filmar o velório de Glauber, talvez ainda não tivesse como objetivo dirigir o documentário (que seria lançado apenas em 2004),
mas a urgência do momento e a importância do personagem retratado o fizeram
construir um panorama bastante intenso e emotivo da despedida do amigo de
oficio.
O próprio Glauber já havia feito
algo semelhante, quando filmou o velório do pintor modernista Di Cavalcanti (Di - Glauber) documentário esse, premiado em Cannes, como melhor curta de 1977, e que até hoje, permanece com exibição proibida pelos herdeiros do pintor. O fato é que a teia de depoimentos contidos no filme (já considerando o discurso de Darcy Ribeiro no momento do enterro de Glauber), e de outros tantos que foram adicionados posteriormente, e que tinham uma relação muito próxima com o cineasta baiano, para nos trazer uma faceta pouco conhecida de Glauber Rocha. Sua performance intensa e seu jeito único de lidar com vida, foram as bases de sustentação que o elevou ao grau de grande gênio do seculo 20.
Esse documentário nada mais é, do que o registro de mais um grande personagem brasileiro que extrapolou as fronteiras desse pais de proporções continentais, para conquistar admiradores em diversas partes do mundo. Assistam ao documentário e adentrem de cabeça no universo Glauberiano, garanto que não se arrependerão.
Quando estreou no cinema, "Azul é A
Cor Mais Quente" (La Vie D' Adele), teve grande repercussão pelas cenas
quase explícitas de sexo entre duas garotas. Agora, já tendo se passado algum
tempo, é possível constatar que as cenas mais "quentes", não são a
melhor parte do filme. Aliás, o que existe de mais belo na película não foi
encenado. Ou seja, a beleza está nas entrelinhas de cada cena.
Em pouco mais de três horas, o diretor franco-tunisino Abdellatif Kechiche, desconstrói uma relação entre duas pessoas e exalta a evolução de sentimentos contidos na personagem do titulo original. Alias, Adèle reproduz o personagem comexcelência, e nos convence do que esta sendo mostrado na tela, a ponto de termos a sensação de se tratar de um documentário, tamanho o teor de realismo contido nas cenas. Não há uma uma definição muito obvia sobre a questão homo afetiva, até porque o filme poderia ser tranquilamente retratado por um casal hétero, mas acredito que o ´´grande barato´´ do filme ficaria diluído à uma trama boba, e sem a captação da mesma delicadeza transmitida pela áurea feminina.
Para alguns o filme em si, será uma grande decepção, pois as ´´máximas do amor`` são dissecadas sem fantasia ou final previsível. Afinal, estamos falando de um retrato amargo dos que insistem no ``final feliz``.
A ``família``, teve e ainda tem papel de destaque na vida
de João Francisco Benedan, pois ao mesmo tempo em que o levou ao extremo de
atos inconsequentes, foi também o responsável por sua ressurreição. Com uma
narrativa bastante informal, temos sensação de ouvi-lo narrando suas histórias
ao vivo, com aquelas gírias e palavrões, característica peculiar de um personagem
tão controverso. E quando o leitor adentra ao universo de "Viva Lá Vida
Tosca" percebe que na verdade, a família é o grande protagonista do livro.
João Gordo, em parceria com o jornalista André Barcinski, dá ao leitor,
paramento realista e ao mesmo tempo delicado da vida de um dos grandes
personagens da contracultura brasileira. Mesmo os que não conhecem o Ratos de
Porão e que não possuem a mínima intimidade com a história do João Gordo, ainda
assim pode (e devem) ler este livro. Talvez o "acerto de contas" de
JG terá peso substancial na vida de quem ler o livro. O pai de família é
surpreendentemente revelado através de uma infância e adolescência problemática
e movida por atos e substancias questionáveis. Mesmo assim, não há um discurso
moralista embutido em suas palavras e o tom honesto de João Gordo, mostra ao
público uma faceta pouco conhecida pelos que insistem em dizer que ele ``se
vendeu´´ ou que ``traiu o movimento´´. Não posso terminar esse texto sem
mencionar o belíssimo prefacio escrito por Fernanda Young, tão revelador e
emotivo. De ``junkie`` à ``vegano``, Gordo é a prova de que sempre há
esperança"!
Quando sua polemica crônica sobre
a morte do cantor (!) Cristiano Araujo foi ao ar pela Globo News , o jornalista
Zeca Camargo foi massacrado nas redes sociais e teve seu nome envolvido em uma
série de discussões acaloradas, questionando sua falta de respeito com o artista
(!!) e sua total insensibilidade com relação a memória do falecido. Na verdade
o que pude perceber nesse episódio é que a maior parte do publico brasileiro
esta acostumado a ``endeusar´´ personagens que possuem relação praticamente
nula com o que pode se considerar relevante no mundo da musica. Tendo em vista
que esse tipo de produto é a cópia da cópia da copia, fica difícil identificar
quem são os milhares de ´´Cristianos`` que surgem a cada dia. Provavelmente
Zeca Camargo não teve a intenção de ofender a quem quer que seja. Na verdade,
isso pode ter sido um reflexo de sua experiência com inúmeros artistas que
fazem parte de um ``circo mundial`` onde se concentra a ``nata´´ do mundo da
musica. Isso pode ser conferido no seu livro ´´De A-HA a U2 - Os Bastidores Das Entrevistas Do Mundo Da
Música´´, lançado no ano de 2006 pela Editora Globo. E como o nome já sugere,
podemos conhecer os bastidores de algumas
de suas mais importantes entrevistas realizadas por emissoras de TV ou mídia
impressa. São vários artistas ou grupos
que aparecem no decorrer de quase quinhentas paginas para que o leitor
tenha uma pequena amostra de como funciona o show bussiness. Certamente não é
um privilégio somente de Zeca Camargo, mas fica evidente sua identificação com
a musica em suas mais variadas vertentes, pois além das já mencionadas
entrevistas, Zeca também trás a tona suas inquietudes quando procura sair do
mainstream transitando por musicas de países não tão tradicionais e muitas
vezes exóticos em nossa visão ocidental. Podemos conferir essas experiências ao
final de cada crônica, onde os textos vem descritos com o titulo sugestivo de
´´Perdido Em Música´´. Bom, o livro é
recomendado a todos que querem compreender de forma descompromissada o que
acontece nos bastidores da musica POP. Enquanto isso os fãs de Cristiano Araujo
ainda tentam entender (ou não)o significado do livro de colorir.