Vergonha alheia - acredito que somente essa
expressão pode definir o que assistimos nessa fita. Sim raro leitor, ``fita´´,
devido ao fracasso de público e crítica, o filme não foi relançado em DVD,
afinal nossas crianças já estão vulneráveis a uma grande quantidade de lixo e
perpetuar essa ``obra´´ só iria piorar as coisas. O que poderia ser a grande
sacada de Carla Perez, se tornou o maior fiasco do cinema nacional. Afirmo
isso, pois não consegui encontrar até o momento produção pior que essa. Na
época, a dançarina estava deixando o não menos bizarro grupo É O Tchan! e
obviamente queria capitalizar com sua popularidade o máximo possível. O
problema é que o plano foi mal sucedido e o ``trem´´ descarrilhou desde de sua
partida. Enredo tosco, interpretações sofríveis além das participações
``ditas´´ especiais que servem apenas para respaldar o fracasso iminente dessa
tentativa de fazer cinema. E se por ventura você tentar assistir ao filme do
começo ao fim, já adianto que somente os que possuem tendências masoquistas
passarão ilesos por essa afronta ao bom senso. Coincidência ou não, a maioria
dos envolvidos com esse trabalho praticamente sumiram de cena, como foi o caso
do famoso produtor de filmes da Boca do Lixo, Antonio Polo Galante e do diretor
Conrado Sanchez. A unica exceção (e olha que foi difícil encontrar alguma!),
foi Lazaro Ramos, que hoje é um dos grandes atores em atividade. Bom, é
complicado falar muita coisa desse filme, mas mesmo que você jamais assista
esse acidente cinematográfico, recomendo que vejam, pelo menos a
cena final, onde Carlinha, chega ao auge de sua interpretação, quando faz
um discurso patético e finaliza a cena dançando como se não houvesse amanhã.
Bom, não há mais o que ser dito. Se encontrar um
VHS de Cinderela Baiana, destrua imediatamente...
Se você jamais assistir esse
documentário, ainda assim não passará ileso pela obra de um dos mais
emblemáticos e inquietos artistas que o Brasil já abrigou. Glauber – Labirinto do
Brasil, já define no título o que realmente o cineasta baiano representou para
uma gama enorme de entusiastas de sua obra. Quando Silvio Tendler decidiu
filmar o velório de Glauber, talvez ainda não tivesse como objetivo dirigir o documentário (que seria lançado apenas em 2004),
mas a urgência do momento e a importância do personagem retratado o fizeram
construir um panorama bastante intenso e emotivo da despedida do amigo de
oficio.
O próprio Glauber já havia feito
algo semelhante, quando filmou o velório do pintor modernista Di Cavalcanti (Di - Glauber) documentário esse, premiado em Cannes, como melhor curta de 1977, e que até hoje, permanece com exibição proibida pelos herdeiros do pintor. O fato é que a teia de depoimentos contidos no filme (já considerando o discurso de Darcy Ribeiro no momento do enterro de Glauber), e de outros tantos que foram adicionados posteriormente, e que tinham uma relação muito próxima com o cineasta baiano, para nos trazer uma faceta pouco conhecida de Glauber Rocha. Sua performance intensa e seu jeito único de lidar com vida, foram as bases de sustentação que o elevou ao grau de grande gênio do seculo 20.
Esse documentário nada mais é, do que o registro de mais um grande personagem brasileiro que extrapolou as fronteiras desse pais de proporções continentais, para conquistar admiradores em diversas partes do mundo. Assistam ao documentário e adentrem de cabeça no universo Glauberiano, garanto que não se arrependerão.
Quando estreou no cinema, "Azul é A
Cor Mais Quente" (La Vie D' Adele), teve grande repercussão pelas cenas
quase explícitas de sexo entre duas garotas. Agora, já tendo se passado algum
tempo, é possível constatar que as cenas mais "quentes", não são a
melhor parte do filme. Aliás, o que existe de mais belo na película não foi
encenado. Ou seja, a beleza está nas entrelinhas de cada cena.
Em pouco mais de três horas, o diretor franco-tunisino Abdellatif Kechiche, desconstrói uma relação entre duas pessoas e exalta a evolução de sentimentos contidos na personagem do titulo original. Alias, Adèle reproduz o personagem comexcelência, e nos convence do que esta sendo mostrado na tela, a ponto de termos a sensação de se tratar de um documentário, tamanho o teor de realismo contido nas cenas. Não há uma uma definição muito obvia sobre a questão homo afetiva, até porque o filme poderia ser tranquilamente retratado por um casal hétero, mas acredito que o ´´grande barato´´ do filme ficaria diluído à uma trama boba, e sem a captação da mesma delicadeza transmitida pela áurea feminina.
Para alguns o filme em si, será uma grande decepção, pois as ´´máximas do amor`` são dissecadas sem fantasia ou final previsível. Afinal, estamos falando de um retrato amargo dos que insistem no ``final feliz``.
A ``família``, teve e ainda tem papel de destaque na vida
de João Francisco Benedan, pois ao mesmo tempo em que o levou ao extremo de
atos inconsequentes, foi também o responsável por sua ressurreição. Com uma
narrativa bastante informal, temos sensação de ouvi-lo narrando suas histórias
ao vivo, com aquelas gírias e palavrões, característica peculiar de um personagem
tão controverso. E quando o leitor adentra ao universo de "Viva Lá Vida
Tosca" percebe que na verdade, a família é o grande protagonista do livro.
João Gordo, em parceria com o jornalista André Barcinski, dá ao leitor,
paramento realista e ao mesmo tempo delicado da vida de um dos grandes
personagens da contracultura brasileira. Mesmo os que não conhecem o Ratos de
Porão e que não possuem a mínima intimidade com a história do João Gordo, ainda
assim pode (e devem) ler este livro. Talvez o "acerto de contas" de
JG terá peso substancial na vida de quem ler o livro. O pai de família é
surpreendentemente revelado através de uma infância e adolescência problemática
e movida por atos e substancias questionáveis. Mesmo assim, não há um discurso
moralista embutido em suas palavras e o tom honesto de João Gordo, mostra ao
público uma faceta pouco conhecida pelos que insistem em dizer que ele ``se
vendeu´´ ou que ``traiu o movimento´´. Não posso terminar esse texto sem
mencionar o belíssimo prefacio escrito por Fernanda Young, tão revelador e
emotivo. De ``junkie`` à ``vegano``, Gordo é a prova de que sempre há
esperança"!
Quando sua polemica crônica sobre
a morte do cantor (!) Cristiano Araujo foi ao ar pela Globo News , o jornalista
Zeca Camargo foi massacrado nas redes sociais e teve seu nome envolvido em uma
série de discussões acaloradas, questionando sua falta de respeito com o artista
(!!) e sua total insensibilidade com relação a memória do falecido. Na verdade
o que pude perceber nesse episódio é que a maior parte do publico brasileiro
esta acostumado a ``endeusar´´ personagens que possuem relação praticamente
nula com o que pode se considerar relevante no mundo da musica. Tendo em vista
que esse tipo de produto é a cópia da cópia da copia, fica difícil identificar
quem são os milhares de ´´Cristianos`` que surgem a cada dia. Provavelmente
Zeca Camargo não teve a intenção de ofender a quem quer que seja. Na verdade,
isso pode ter sido um reflexo de sua experiência com inúmeros artistas que
fazem parte de um ``circo mundial`` onde se concentra a ``nata´´ do mundo da
musica. Isso pode ser conferido no seu livro ´´De A-HA a U2 - Os Bastidores Das Entrevistas Do Mundo Da
Música´´, lançado no ano de 2006 pela Editora Globo. E como o nome já sugere,
podemos conhecer os bastidores de algumas
de suas mais importantes entrevistas realizadas por emissoras de TV ou mídia
impressa. São vários artistas ou grupos
que aparecem no decorrer de quase quinhentas paginas para que o leitor
tenha uma pequena amostra de como funciona o show bussiness. Certamente não é
um privilégio somente de Zeca Camargo, mas fica evidente sua identificação com
a musica em suas mais variadas vertentes, pois além das já mencionadas
entrevistas, Zeca também trás a tona suas inquietudes quando procura sair do
mainstream transitando por musicas de países não tão tradicionais e muitas
vezes exóticos em nossa visão ocidental. Podemos conferir essas experiências ao
final de cada crônica, onde os textos vem descritos com o titulo sugestivo de
´´Perdido Em Música´´. Bom, o livro é
recomendado a todos que querem compreender de forma descompromissada o que
acontece nos bastidores da musica POP. Enquanto isso os fãs de Cristiano Araujo
ainda tentam entender (ou não)o significado do livro de colorir.
O Caveira Velha Rock Bar, em
Jandira/SP, já é bem conhecido por receber diversas bandas do cenário
underground mundial, e foi o local escolhido para sediar um dos shows da turne
Sul-Americana do Onslaught que comemora os trinta anos do classico album ``The Force´´.
E para abrilhantar ainda mais essa festa - Warsickness, Metalizer, Madness e
Cadaverizer fizeram as ``honras da casa´´ e mostraram a força do metal brazuca.
O Metalizer foi o responsavel por abrir os trabalhos, e seu metal vigoroso
conquistou o publico desde o inicio. Destaques para ´´Alcoholic Madness´´ e
``Electric Homicide´´, que foram alguns dos destaques da apresentação. Na
sequencia - o Madness e seu som ``rolo compressor´´ executou de forma impiedosa
temas como ´´Horrendous Creation´´ ,``Ripping Lives´´ e ``Disfigured Face´´.
Brutalidade explicita from Piracicaba! O Cadaverizer, oriundo de Passos-MG,
trouxe ainda mais brutalidade para o palco do Caveira Velha. A horda esta
divulgando o EP ``Necroforia´´ de onde sairam porradas como ``Refinements Of
Cruelty´´ e ``Spiritual Poverty´´ - violencia sem moderação para os que apreciam
sons mais brutais. O Warsikness e seu
crossover regado a muita cevada abriu as portas do ´´mosh pit``. Diogo Moreschi
estava ensandecido e nao parava de agitar e jogar cerveja na galera. Não é preciso
dizer que ´´stage dive`` e ´´circle pit´´ foram regidos pelas violentas ``In
Beer We Trust´´ e ´´Alcoholic Brain´´, destaque para a participação de Xandão,
batera do Andralls que esquentou ainda mais a apresentação dos ``sickness´´. E depois de otimas apresentações, finalmente
chegou a hora dos ingleses tomarem de assalto o palco do Caveira, todos estavam
ansiosos por essa apresentação, pois o album ``The Force´´ seria tocado na
integra, para deleite dos fãs. Sy Keeler (V), Nige Rockett(G), Jeff
Williams(B), Ian GT Davies(G) e Mic
Hourihan(D) sabem como conduzir o publico e fazem pequenos clubes parecerem
enormes arenas, tamanho o dominio do palco. Com um album cheio de classicos,
ficou facil manter o publico ``se degladiando´´ e agitando como se não houvesse
amanhã. Cada musica era recebida com muita empolgação e a satisfação estava
estampada no rosto de cada integrante da banda. Claro que sobrou tempo para
tocarem o classico absulotuto ``Power From Hell´´ do album de mesmo nome e ``Killing
Peace´´ do album homônimo. Bom, depois dessa aula de violencia, a alma estava
lavada e o corpo encharcado pela chuva que se fez presente por quase todo o Domingo.
O Sepultura já foi considerada uma das maiores bandas de heavy metal do mundo, sendo reverenciada por lendas da grandeza de Ozzy Osborne e Metállica. Um dos responsáveis por essa enorme façanha responde pelo nome de Max Cavalera , que agora traz aos seus fãs e leitores em geral um apanhado de sua história, devidamente documentada em sua biografia, lançada no ano de 2013. Ao contrário do que muitos esperam, não há polêmicas relevantes com relação à traumática saída do Sepultura. Aliás, em muitos momentos descreve de forma muito carinhosa momentos vividos com os antigos companheiros de estrada.
O livro foi escrito em parceria com Joel Mclver, que também foi o responsável por biografias de Slayer e Motorhead e possui todas as credenciais para desenvolver esse tipo de trabalho. E se alguém tem dúvida do respeito conquistado por Max, vai se surpreender já no prefácio escrito por David Ghrol que é fundador e líder do Foo Fighters e foi o baterista do Nirvana. Max não abre mão desse prestígio, como podemos comprovar no decorrer da leitura com depoimentos de gigantes como Mike Paton ( Faith No More), David Vicent ( Ex Mórbid Angel) e muitos outros que além da identificação com o artista o tem como grande amigo. Max não se faz de vitima ou herói para descrever os anos de glória vividos com o Sepultura da criação do Solfly e Cavalera Conspiracy, além da participação constante em outros projetos. O que podemos constatar ao final da leitura do livro é que o frontman antes de ser o grande artista que se tornou, é um ser humano que teve que lidar muito cedo com a dor da perda e muitas frustrações que cruzaram seu caminho. Assuntos espinhentos como os abusos com drogas e álcool são tratados de forma bastante lúcida. My Blood Roots, referencia ao maior clássico de sua carreira, é também um exercício de reflexão e acima de tudo uma ótima oportunidade para mostrar uma faceta que transcende o artista. Livro altamente recomendado!
Os programas de culinária se alastraram por praticamente todas as emissoras e um dos responsáveis por esse fenômeno é, sem duvida nenhuma, o sucesso do Masterchef (transmitido às terças feira na Band). Com uma dinâmica envolvente, jurados carismáticos e a condução equilibrada de Ana Paula Padrão foi um tiro certeiro para alcançar uma audiência que até então era apenas um sonho distante para a emissora paulista. Prova disso é que nesse ano, além da terceira temporada com os cozinheiros amadores, foi ao ar a primeira edição com chefes profissionais. O esquema é o mesmo de qualquer outro reality e o decorrer da competição prova isso, pois sempre traz à tona as personalidades de cada participante e o público acaba tomando partido por um ou outro concorrente. Na final exibida nessa madrugada de terça para quarta todos os ingredientes já vivenciados nas edições anteriores se fizeram presentes e mostraram que o programa tem muita lenha para queimar, pois mesmo nāo sendo diretamente decidido pelo público, fica claro que a audiência tem peso importante no desdobramento da atração.
A certa altura da competição um dos participantes polemizou quando afirmou que o Masterchef é na verdade entretenimento puro e não um programa de culinária, mas o que não dá pra negar é que o grande sucesso do programa credenciou a marca Masterchef a ser sinônimo de comida boa por todo o país. Vamos torcer para que esse tipo de programa se mantenha firme e que "contamine" outras atrações do gênero com boas doses de bom gosto e com temperos surpreendentes.
Ao raro leitor ou a qualquer desavisado que ler esse texto, é importante informar que existem pessoas com gosto absolutamente fora de qualquer padrão aceitável de sanidade e esse nicho talvez seja pouco explorado. Por isso, a partir de agora e de forma esporádica daremos espaço à algumas produções mais toscas já produzidas em variados segmentos artísticos (?!). Como peça inaugural de tal façanha escolhi o terrível "Inspetor Faustão E O Mallandro - A Missão (Primeira e Única)``. Imagine o folclórico apresentador Fausto Silva com seus bordões nauseantes e o insuportável Sérgio Mallandro com seu "ié, ié, glu, glú" infestando uma produção recheada de interpretações (quanta heresia!) rasas e um elenco de dar medo. Pois é, com uma trama absurda que gira em torno do desaparecimento de uma especie rara de codornas, cujos ovos são afrodisíacos(?!). O limite de tosquice é superado a cada "corte". Se duvida, tente suportar o detetive Faustão fazendo aqueles trocadilhos que irritam até defunto ou uma música incidental (o ovo!) que não para de atormentar os corajosos que desbravam essa abominação em forma de filme....Se não bastasse, e até para atestar essa bizarrice - o filme foi produzido pela Xuxa Produções (poderia ser pior?) e tem aquele padrão questionável de ´´qualidade`` dos filmes da loira... Bom, não dá pra dissecar muito essa ``obra`` (do verbo "obrar" mesmo) pois você corre o risco de comprometer sua sanidade... vale ressaltar que entre algumas aparições musicais (totalmente desnecessárias) , eis que Sandra de Sá aparece cantando ``Slogan´´ do mestre Cassiano - em meio a tanta porcaria, um lampejo de qualidade.
A quem possa interessar, o filme foi lançado em 1991 e foi dirigido por Mario Marcio Bandarra, mais conhecido por dirigir novelas da Globo.
O Festival Kool Of Metal Fest, mesmo não sendo realizado regularmente, mantém seus princípios intactos, pois permanece com a filosofia do D.I.Y. (Faça você mesmo). Sempre prestigiando bandas com trajetória semelhante a sua - e com um trabalho muito bem feito para os que gostam de um som mais agressivo. Essa edição foi realizada no Teatro Mars, que possui disposição de espaços bem particular. Logo de cara, ao adentrar ao recinto - bateria, microfone e os caras do Test no meio da pista. Como de costume chegam de fininho para desestabilizar qualquer possibilidade de calmaria. Mesmo com pouca gente para assistir à apresentação do Duo, a insanidade jorrava pelos auto falantes...alguns podem questionar o fato dos caras não estarem no cast oficial, mas quem se importa?! Afinal desde sua primeira apresentação "não oficial" na porta do Carioca Club, essas aparições surpresa são praticamente obrigatórias - e isso certamente enriquece ainda mais o Fest e a cena.
A essa altura, uma fita de isolamento já permanecia devidamente esticada no palco, e os caras do Criminal Mosh já estavam se aquecendo para dar continuidade aos trabalhos - E tenho que confessar que possuo um carinho especial por esses caras, pois reúnem elementos presentes em pouquíssimas formações . Com "pegada" e "visu" na linha Body Count e Suicidal, mesclam letras e atitude com temática explícita sobre a periferia e a violência cotidiana. Para comprovar o que estou falando - a apresentação começou com uma introdução dos Racionais. Merecida a escalação dos caras para o evento! Moshes e circle Pits insanos deram o tom da apresentação. Marcelo Mosh Rat levou as últimas consequências sua performance, com uma voz mais limpa e com alguns agudos não perdeu um milímetro em violência. Acompanhado de uma "cozinha" nervosa, sons como "Violência Explicita" e "Despertar dos mortos" deram a tônica do que foi mais essa performance. Saíram do palco muito aplaudidos.
Na sequência mais um "duo" - com um som mais obscuro e denso - o Paranoia Oeste que possui uma pegada muito violenta, fez o público assistir sua apresentação com mais atenção, pois não estamos falando de um som fácil. Abusando de afinações variadas e vocais insanos - me fez lembrar uma mistura de Ministry e Celtic Frost. Pois é, o som dos caras tem que ser degustado em doses homeopáticas.
O Urutu só pelo nome já chama a atenção, pois trata-se de uma cobra muito venenosa. Contando nos vocais com Tiago Nascimento do D.E.R. O som do Urutu foge totalmente da pegada grind. Os caras fazem um som com elementos metal/punk. Veneno perfeito para atacar aos que os assistiram. Mais uma apresentação bem legal.
O variedade de estilos continuou dando as cartas e agora com o Black Coffins no palco o Death Metal brutal foi a bola da vez. Com uma postura bastante agressiva e um som pesadíssimo agitou os mais afoitos e tiveram uma resposta muito positiva por parte do público.
Com o sol já se pondo o Flicts e seu punk energético contagiou a todos. As rodas voltaram a se abrir e todos cantavam os refrões de cada música a plenos pulmões. Vinte anos de história muito bem contados!
Bom, confesso que inclusive por parte desse que vos escreve havia uma certa ansiedade já que teríamos a oportunidade de presenciar a única apresentação do Possuídos Pelo Cão em Sampa. Desde de muito cedo Túlio (D.F.C.) e Pedro Poney (Violator) circulavam entre a galera "trocando ideia" e "tomando umas"... voltando a apresentação...insanidade é o termo mais próximo para definirmos o que se passou no Teatro Mars a partir de então - stage dives insanos e circle pits foram realizados das formas mais malucas que se possa imaginar, inclusive com muitos utilizando pranchas bodyboard para realizar os mergulhos. Musicas do disco "Possessed To The Circle Pit" e até uma versão para "Prowler" (clássico de vocês sabem quem!),foram apresentadas. O encerramento com "Semen Churchs"(referencia mais que óbvia ao clássico do Possessed), foi o tiro de misericórdia. Apresentação memorável!
Era a vez dos suecos do Dr. Living Dead fazer com que a pista do teatro Mars permanecesse em altas temperaturas. Já se passaram quase oito anos, desse de sua última passagem pelo Brasil (quando tocou no saudoso Fest "Night Of Living Thrashers"), e os caras ficaram ainda melhores e conduziram o show com domínio que só possui quem vive na estrada. Divulgando seu Mais recente álbum "Crush The Sublime Gods", não ficou pedra sobre pedra, e com um enorme carisma os suecos mantiveram o publico na mão. Houve tempo até para uma homenagem ao Sepultura com o Clássico "Inner Self". "U.F.O Attack" já o classico dos caras, e foi o encerramento perfeito para mais essa apresentação dos suecos. Apresentação perfeita!
Acham que acabou?! Claro que não! João Gordo, Jão, Juninho e Boca estão em plena forma e dessa vez tocariam o disco "Anarkophobia" na integra! Com clássicos como "Sofrer", "Mad Society" e "Igreja Universal" - impossível não ser bom. Ainda deu tempo para rolar outros clássicos como "Aids POP e Repressão", "Amazônia Nunca Mais" e "Crucificado Pelo Sistema". E da-lhe Mosh e circle Pits - parecia que a galera estava realmente possuída.
A interação entre público e bandas foi exemplar e o empenho dos organizadores para que nada desse errado é digno de nota. Agora é esperar que o pescoço e as dores no corpo passem logo e que não demore por uma próxima edição do Festival. Vida longa Kool Of Metal Fest!