Johnny
Alf já era referência para os maiores gênios da musica brasileira quando
concebeu o seminal ´´Desbunde Total´´. Disco gravado em 1978 e que traz o
mestre um pouco mais abrangente. As composições são predominantemente de sua
autoria e possuem um toque mais eclético, em comparação ao ``Nós´´ ou ``Eu e a
Brisa´´. O piano é seu veiculo e sua voz é a luz que o guia em caminhos de
notas e arranjos tão sofisticados, que muitos morrerão sem ter a capacidade de
criar.
``Oxum´´
possui uma veia climática, e abre o disco para que as canções subsequentes
preencham os espaços, envolvendo toda a sensibilidade do ouvinte, para
evidenciar a genialidade de um artista que nunca deu bola para os holofotes.
``Que Volte a Tristeza`` é uma peça de beleza poucas vezes experimentada, e
confesso ser uma das minhas prediletas no disco. O trabalho foi produzido por
Coelho Neto e conta com arranjos de João Donato e do próprio Alf. Com essa
bagagem, o disco já nasceu predestinado a clássico. Basta ouvir a álbum poucas
vezes para entender que Johnny Alf conseguiu registrar em ``Desbunde Total´´ o
que de mais refinado já se produziu em nossa musica. Uma obra prima!
Deixem o pré-conceito de lado, esqueçam esse Rod Stewart que se transformou num cantor de POP mequetrefe canastrão, vestido de branco, fazendo caras e bocas nos showzinhos nos cassinos de Las Vegas. Esse senhor de penteado espalhafatoso, nem de longe lembra a autêntica voz ``blueseira´´ e de soul music misturado com o melhor do rock setentista!
O ´´coveiro´´ é muito mais do que isso: ele fez um dos melhores discos dos anos 70 - provando que os anos setenta de fato é a melhor década (ever!), e nela é que eu queria ter 15 anos!...
Voltando ao disco: ``Every Picture Tells A Story´´ é um puta discaço! Não que venha ao caso, mas foi eleito um dos melhores discos de rock de todos os tempos por várias revistas especializadas. Mas ouvindo pe que a gente tem certeza que vale à pena.
A voz inconfundível de Rod em plena forma: rasgante e cheia de suingue. Essencialmente Rock and Roll ´básico raiz, mas com um tanto de folk e blues. O disco já abre empolgado com a faixa titulo ``Every Picture Tells A Story´´, com a guitarra de Ron Wood, ``Seems Like A Long Time´´, um blues que nos faz viajar no tempo.
Tem Elvis (!!) na voz do Rod com a clássica ´´That´s All Right´´, com destaque para o ``slide´´ de Ron. Tem Bob Dylan! E por aí vai...Instrumentos geniais, tipo bandolim, o uso de violinos, arranjos belíssimos. É uma epopeia! Só ouvindo para curtir, recomendo!!
Dá para redescobrir um R.S. sensacional! Ouçam e deixem as suas impressões. hehehe...
Em menos de uma semana a obra de
Oscar Niemayer foi pano de fundo para dois importantes festivais de música
realizados na capital paulista. Se o auditório Ibirapuera foi palco para
Samsung Best Of Blues – menos de uma semana depois, o Memorial da América
latina foi o local escolhido para sediar mais uma edição do Coala Festival, que
teria entre outras atrações Liniker e os Caramelows, tulipa Ruiz, Emicida e
Caetano Veloso. Com ingressos esgotados, e uma grande expectativa por parte do público
– foi possível testemunhar enorme interatividade entre os presentes, que
puderam aproveitar os espaços disponíveis, desde o momento em que atravessavam
a catraca de acesso - para confraternizar e fazer amigos. Afinal esse é um dos
lemas do festival e está em seu DNA desde de sua criação. Vale enfatizar a
questão da interatividade, pois o público estava ali, tendo esse objetivo como
prioridade absoluta.
Além das já mencionadas atrações do cast.
Alguns Djs foram convocados para abrilhantar ainda mais o cast do Coala.
Trazendo influencias, revisitando clássicos e tendo o espaço entre as atrações
para realizar suas performances, não deixaram a peteca cair. No final, cumpriram
seu papel com competência e tiveram a aprovação maciça do público que respondia
a cada batida transmitida pelos pick ups. Não poderia haver reclamações, pois
diversão e entretenimento foram oferecidos em abundância.
Uma das atrações mais aguardadas
do festival responde pelo nome de Liniker Barros e, acompanhado de seus Caramelows,
conquistou de cara os que ainda adentravam o Memorial - e muitos chegaram cedo
somente para vê-los em ação. Não é exagero afirmar que o público não se
decepcionou. A grande revelação da música brasileira dos últimos tempos, trouxe
ao palco do Coala músicas do seu primeiro disco – o aclamado ``Remonta´´. Bastante
performática e com músicas que já caíram nas graças do público, deixou os que
testemunharam sua apresentação em êxtase. Talvez a única queixa, fique por
conta do curto tempo da apresentação. Enfim, nem Jesus agradou a todos...
Diretamente de Belém do Para - Aíla
ocupou o palco com o seu mais recente trabalho a tira colo, o disco ``Em Cada
Verso Um Contra-Ataque``, lançado em 2016, e que traz à tona a inquietação da
artista, seja pelo seu tom de manifesto ou pelas influencias (e são muitas!),
que a artista apresenta no palco. Muitos elementos de sua terra natal e outros
mais, como o pós punk e a música eletrônica são a deixa para que Aíla desfile
seu discurso contestador. Ainda pouco conhecida pela maioria do público, ainda
teve tempo de lembrar Wally Salomão e as Mercenárias. De quebra, passou seu
recado e conquistou novos seguidores, me incluo nessa!
Já com um público bastante
numeroso, Tulipa Ruiz só teve o trabalho de executar suas músicas e conquistar
os presentes logo de cara. Com um carisma contagiante a artista escancarou para
a plateia exatamente o que todos queriam ouvir. ``Físico´´ ou ``Jogo Do
Contente´´ eram executadas com um sorriso de que não se aguenta. Para
finalizar, Tulipa Ruiz chama ao palco Liniker para cantarem ``Víbora`` e
``Sushi``. Mais uma ótima apresentação.
As duas próximas atrações foram
um capitulo a parte, pois sintetizaram inúmeros sentimentos em uma só emoção.
Rincon Sapiência, subiu ao palco com a adrenalina ``a mil´´ e mesclou seu hip
hop cheio de ``punch`` com uma pegada mais dançante. Sua escalação foi
providencial por vários motivos. Manteve o clima nas alturas e não deixou o
público descansar nenhum minuto. Entre as músicas Rincon se comunicava com a
plateia de forma bem descontraída, e não escondia a felicidade em poder mostrar
seu trabalho além das barreiras da periferia. Fato que não pode passar em
branco, foi o pedido de liberdade à Rafael Braga, e que pode ser entendido como
um pedido de liberdade aos muitos que se encontram nas mesmas condições. Enquanto
isso, o maior bandido governa o país impunimente, vai entender esse país...
E se a atração anterior
introduziu o rap nas apresentações do dia - Emicida destrinchou em partes
minúsculas o estilo, e elevou ainda mais a adrenalina injetada até então. Já
era de conhecimento do público que essa seria uma apresentação especial, pois
haveriam participações de Fioti e Rael. Emicida, todos já conhecem, e dava para
ver o quão era aguardado pela grande maioria, que naquele momento já sentiam os
sintomas do cansaço, proveniente de uma maratona de quase dez horas de música.
Emicida, Rael e Fioti revezavam suas performances, e com uma inquietação
absurda exploravam todas as dimensões do palco e puxavam de suas memórias
momentos do início de carreira e histórias dos anos de ``corre´´ que tiveram
que passar para chegar até ali. Emicida já não é mais uma promessa faz muito tempo.
Poderia tranquilamente ser a principal atração do Coala, mas tudo tem seu tempo
e não vai demorar muito para que isso aconteça.
Encerrada a apoteótica
apresentação dos músicos, a equipe técnica se apressa em retirar todos os
equipamentos e instrumentos do palco. E para desconfiança geral; o deixa
completamente vazio – vocês entenderam bem, “vazio! ”. É possível justificar
essa mudança abrupta de cenário, pois a próxima atração preencheria o palco com
50 anos de carreira e incontáveis sucessos. Para que mais? Caetano se posiciona
no palco apenas com seu violão e com sua leveza peculiar, seu número de
abertura foi “ estranho amor”. Só por ae raríssimo leitor, essa apresentação já
poderia ser considerada a melhor de todo o festival. Mas Caetano é Caetano! E
foi um clássico atrás do outro. Todos cantavam como em uma celebração as músicas
que marcaram e marcam gerações. Caetano não deixaria passar a oportunidade de
mandar um ``Fora Temer! ´´. Fora isso, o público parecia estar inerte em ondas
calmas só deixando se levar pela maré carregada por uma brisa de fim de tarde.
Por fim, a hora de ir embora chega como o despertar de um sonho. Que outros
sonhos como esse não demorem...
Quando Liniker e os Caramelows
lançaram o EP -``Cru´´, contendo três faixas, e gravado ao vivo no apartamento
de um dos integrantes, não imaginavam a enorme repercussão que teriam com as
gravações lançadas no You Tube. A partir
daí tudo foi correndo de forma á corroborar a qualidade do grupo - que iniciou
uma turnê para divulgar o trabalho e que atrairia cada vez mais audiência. Nesse
caso, o caminho natural seria a gravação de um disco completo que foi concebido
por meio de financiamento coletivo, e que levaria o título de ``Remonta``. Nome
mais que sugestivo e que propõe diversas interpretações. Tendo à frente do
grupo a cantora Liniker, que prefere ser tratado com o pronome feminino por ter
a possibilidade de abranger um universo mais amplo, sem limitações estéticas e
criativas. O que importa nisso tudo, é que em meio a um figurino pessoal e que expressa
muito de personalidade do artista, tem nas músicas do disco um apanhado muito
bem montado e que evidencia a veia artística da cantora, que cresceu em meio a
uma família de músicos. ``Remonta´´ pode ser considerado um trabalho completo e
que extravasa os limites de gênero. Todas as músicas possuem interpretação
muito particular e a cozinha conduzida pelos Caramelows é um ponto a parte! Se
em ``Louise Du Brésil``, temos a vontade de arrastar os moveis da sala para
dançar, em ``Tua´´, o clima melancólico nos toma de forma inesperada, até que a
última taça de vinho seja ingerida...uma interpretação belíssima e arranjos de
faltar folego. O repertório foi muito bem construído. Prova disso é a bem-sucedida
turnê que os músicos vêm fazendo para divulgar o trabalho. Vale mencionar as várias
participações que permeiam o disco. ``Remonta´´ é um excelente disco e
altamente recomendado para os que insistem em dizer que não há bons artistas na
cena atual. Ouçam despidos de preconceitos!
Pontualmente às 21
horas, A Test Big Band, uma extensão do duo de grindcore - Test, toma o palco
do Centro Cultural De São Paulo para abrir o projeto Centro do Rock do CCSP –
que promoverá além de shows, debates e filmes relacionados ao rock por todo o
mês de Julho. A sala Adoniran Barbosa recebeu um ótimo público para testemunhar
mais um atentado musical, orquestrado por alguns personagens do inquieto
undergroud de São Paulo. Piano de calda, Saxofone, duas baterias são só algumas
das “peculiaridades” desse projeto. E um sentimento que jamais existirá nesse
caso - é a indiferença, pois o ar vanguardista vem sendo levado as últimas
consequências com sons que alternam brutalidade com passagens mais
experimentais. João Kombi é uma espécie de ´´Arrigo Barnabé do Grind`` e ele
não compactua com o óbvio. Quem ainda duvida, é só ver uma de suas
apresentações ``oficiais´´ ou não para saber do que estou falando.
O público assistia à
apresentação embebido de sentimentos diversos, o que ficava evidente na face de
cada um que acompanhava a apresentação, algo que talvez só será compreendido
daqui a muito tempo. Os urros ensandecidos vociferados por João Kombi e Tomas
Moreira do Paranoia Oeste, contrastam com as viagens sonoras e as marteladas do
rolo compressor, conhecido como Barata. Aliás qualquer som se incorpora ao espetáculo
complementando o pandemônio proposto pela ``big band``.
Cada peça do mosaico
executado era um aturdido que todos assistiam atentamente e ao fim vibravam
como assistissem a uma orquestra tradicional. Alguns com expressão de choque
aplaudiam, talvez por inércia pois, talvez jamais compreenderão o que acontecia naquele momento. Mesmo assim,
os danos causados por essa (e outras) apresentações, jamais serão curados. Os
músicos envolvidos nesse projeto não são comuns e jamais se perderão no limbo
do convencional. Só por isso, já marcam seus nomes na história do underground…
e por que não, da arte!
Duas das mais importantes formações do underground brazuca
decidiram unir forças para encarar um total de quatorze datas que abrangem a
capital e o interior do estado de São Paulo. Surra e Desalmado tomaram como
proposito a comemoração dos cem anos da Revolução Russa para disseminar
violência em forma de música. Já na segunda data desta tão aguardada
turnê – o palco escolhido foi a Avenida Paulista, espaço frequente das mais
diversas manifestações políticas e culturais. Se no começo da tarde havia
ameaça de chuva, felizmente não se concretizou! E se as bandas já citadas
fariam um grande alvoroço, o evento teve o reforço do Manger Cadavre? Que abriu
os trabalhos da forma exemplar. Com um som pesadíssimo e divulgando seu último
EP ``Revide´´. Nata de Lima, e seus vocais urrados (com uma performance que me
fez lembrar o Lee Dorian, nos áureos tempos em que era o frontman do Napalm
Death), conduziu a ´´sinfonia do apocalipse´´ com segurança e brutalidade. Fizeram ainda uma
versão para ``When All Is Said And Done´´ dos mestres do grind. Encerrada a apresentação do Manger, e com uma rapidez
absurda para troca de equipamentos. Eis que o Desalmado inicia sua violenta
apresentação. E quanta violência! Um grind/death com musicas calcadas na indignação e cantadas (!) em português, mataram a pau(!!), basta ver os videos que estão circulando mas redes sociais. vide ``Santo Oficio´´, ´´Corrosion´´ e ´´Todos Vão Morrer´´. Os caras já
possuem seguidores de longa data, e que não se fizeram de rogados. Sem cerimônia
bateram cabeça para aquecer a alma - ``After World Obliteration`` do Terrorizer, foi a forma de
mostrar a fonte de influência dos caras. A apresentação foi rápida, brutal e
insana, como tem que ser. Sem perder tempo e preocupados em cumprir o horário, os
cara do Surra rapidamente ajustaram os equipamentos para despejar os clássicos que já são obrigatórios em suas apresentações. Dava para perceber uma certa ansiedade dos caras, o que é totalmente compreensível, tendo em vista a configuração do evento. Mas, conforme ´´as pedradas´´ eram executadas, as possíveis preocupações eram diluídas em pura adrenalina. ``Merenda´´, ´´Daqui Pra Pior´´ e ``Tamo Na Merda´´ são sempre cantadas de forma empolgada pelos seguidores da banda. Mais uma bela apresentação dos caras. Durante o ´´gig´´,podemos ver integrantes do Bandanos, TEST, Imminent Attack, Criminal Mosh e outros músicos, ´´fortalecerem o corre´´ e fazer valer a filosofia do ``faça você mesmo´´. Vamos torcer para que mais e mais eventos como esse tornem o mosh ainda mais insano. Que venha o próximo! (Texto:Robério Lima)
O Clash Club recebeu no último sábado mais um
evento produzido pela Cospe Fogo Gravações em parceria com a Loja 255. E como
já é de praxe, as bandas escaladas para abrilhantar a festa não decepcionaram,
como veremos a seguir; O V.M.R (Vanguarda Metal Revolucionaria), como o próprio
nome já sugere, possui um discurso político bastante enfático, inclusive
durante toda a apresentação as imagens de Carlos Marighella, Karl Marx e outros
ícones comunistas, foram projetadas no telão dando o tom da performance dos
caras. Vale acrescentar que o vocal é representado por Marcelo Mosh Rat, figura
bastante conhecida na cena por integrar o Criminal Mosh. Infelizmente a
apresentação foi testemunhada por um público ainda pequeno, mas isso não
desmotivou a banda que mandou sons do EP ``Comunismophobia``, que será lançado
logo mais. Na sequência tivemos o Sem Hastro, que conta em sua formação com
membros de São Paulo e Washington D.C. e que praticam um hardcore
violentíssimo. Sem tempo para respirar, passaram pelo palco do Clash, dando seu
recado e danificando alguns tímpanos. E quem pensou que o clima ficaria mais
ameno com atração seguinte, se enganou redondamente. O power trio feminino
Santa Muerte não conseguia conter a euforia entre uma ´´paulada`` e outra do
recém lançado EP ``Psychollic`` e conforme as meninas aumentavam a velocidade,
os primeiros ``mosh pits´´ começavam a surgir. Ainda tiveram tempo de prestar
tributo ao Sepultura com ``Troops Of Doom´´, que nas palavras da vocal/guitarra
Marília, foi a principal influência no início da banda. Já havia uma grande
quantidade de afoitos na pista aguardando a próxima atração e, posso afirmar
que não se decepcionaram. Acompanho a Cerberus Attack a muitos anos, e dizer
que evoluíram, pode soar redundante, tamanho o esforço dos caras em atingir o
patamar que se encontram atualmente. Prestes a lançar o aguardado primeiro
``full lenght`` - ``From East With Hate´´, os caras dominaram o palco desde o
primeiro acorde. A energia emanada do palco foi correspondida a altura com um
``mosh pit´´ insano. A clássica ``Welcome To Destruction´´ e sons do play que
será lançado, foram a senha do caos. Apresentação impecável, prova de que a
persistência é a principal arma dos que almejam ``voar mais alto. No final, ainda deu tempo de fazer um tributo ao Lobotomia - e contaram com o parceiro Renan do Cranial Crusher no vocais. O CrotchRot do Paraná, veio a seguir e com
uma proposta mais ousada e manteve o público envolvido. Com um som altamente
agressivo e brutal, mas com algumas inserções de sons, digamos, mais dançantes.
Nada que pudesse atrapalhar a performance. Me lembrou em certos momentos a
ousadia do saudoso De Falla. Não havia tempo para ``esfriar o sangue´´ e com os Santistas do Surra as coisas ficaram definitivamente caóticas. Muitos foram ao
Clash para vê-los, a quantidade de camisetas do Surra rivalizava facilmente com
os que vestiam as do D.F.C.. Uma avalanche hardcore tomou conta da pista. E se
ainda havia alguém resistindo em permanecer parado, não aguentou muito tempo.
Os caras ``mataram a pau´´ e mostraram que os anos de estrada só fizeram bem
para o trio santista. A apresentação inteira foi pautada por discursos de
indignação com a política e o sistema que conduz o país. ``Merenda´´ e ``Tamo
Na Merda`` não poderiam ser mais atuais. A última atração dispensa
apresentações. O D.F.C. vem desbravando o underground a aproximadamente 30 anos
e sempre com a mesma energia. Mesmo os que já estavam exaustos não arredaram o
pé do Clash Club para ouvir clássicos que sempre animam os ``bailinhos`` por
onde passam ``Vai Se Fuder No Inferno´´, ``Pau No Cú do Capitalismo Em Posições
Obscenas`` e a ``Molecada 666``, são alguns dos propulsores de adrenalina orquestradas
por Tulio e Cia. Sempre que o D.F.C.
toca em São Paulo, a festa é garantida. Não por acaso, os caras escolheram gravar
o primeiro DVD aqui em Sampa no lendário Hangar 110 em 2012. Além disso, tiveram que
disputar o público com atrações como Amon Amarth e Sepultura que também se
apresentaram na cidade na mesma data. Isso
não é pouca coisa! O que nos resta agora é torcer para que não demore para
rolar outras ´´gigs´´ como essa...
Banda/Musico: El Mizza Álbum/demo: Apenas uma demonstração do que estará por vir Nacionalidade:Brasil Genero/Pop Rock Gravadora:Independente Ano: 2017 Nota:9.0
Track List
01-Cigarros Baratos
02-A canção que Prometi te dar
03-Caminhar Por ai
04-Cathedral Song (uma outra canção)
05- Um anjo e o Paraíso
06-Mirella (Uma canção com nome de mulher)
07-Remédio para o Tédio
08-Jardim Dourado
Sabe quando você adquire um material de um musico independente que da vontade de colocar no som do carro e sair pela estrada ouvindo suas músicas e viajando nas composições m o material que aqui se apresenta é exatamente algo deste tipo; o musico e compositor El Mizza nos brinda com um trabalho que transita entre diversos estilos desde a MPB, passando pelo rock,punk rock até o pop rock, cruzando as fronteiras da musica de forma majestosa, no melhor estilo violão e voz o que temos aqui é um belo exemplo dos grandes talentos que o underground nos presenteia, com algumas canções mais animadas que podem ser consideradas "Chiclete" pois tanto seus arranjos quantos seu refrão simplesmente grudam na cabeça nas primeiras audições são estas "caminhar por ai" com uma levada doce meio Reggae no melhor estilo música para luau e "A canção que eu prometi te dar" soa bem romântica uma verdadeira ode as canções de amor já tradicionais no estilo MPB e pop rock , porém nem só de flores é composto este trabalho podemos destacar uma das canções que mais me chamaram a atenção e abrem a demo logo de inicio trata-se da música "Cigarros baratos" uma verdadeira pedrada de sarcasmo e criticas severas a sociedade na qual vivemos , lembrando muito canções punk rock tanto nos arranjos quanto na letra ácida. O material traz as participações do musico Éder Bofete tocando gaita na música "Remédio para o tédio" além das parcerias dos músicos Ricardo Salada na composição da canção "Caminhar por ai " e Paulo Carvalho na música "Cathedral Song 2 (uma outra canção)".
Este material foi feito de forma totalmente independente, as gravações realizadas de forma improvisada mesmo assim não comprometeram o resultado final, que final acima da média,inclusive El Mizza esta realizando diversos shows junto ao músico e compositor Éder bofete na chamada "Trovão da montanha tour" se apresentando em barzinhos,saraus,casas de shows dentre outros, para finalizarmos se você gosta de música autoral de qualidade adquira já um exemplar desta belíssima demo.
Contatos
musicografia@yahoo.com.br
Facebook : El Mizza
(11) 96863-4611
Vergonha alheia - acredito que somente essa
expressão pode definir o que assistimos nessa fita. Sim raro leitor, ``fita´´,
devido ao fracasso de público e crítica, o filme não foi relançado em DVD,
afinal nossas crianças já estão vulneráveis a uma grande quantidade de lixo e
perpetuar essa ``obra´´ só iria piorar as coisas. O que poderia ser a grande
sacada de Carla Perez, se tornou o maior fiasco do cinema nacional. Afirmo
isso, pois não consegui encontrar até o momento produção pior que essa. Na
época, a dançarina estava deixando o não menos bizarro grupo É O Tchan! e
obviamente queria capitalizar com sua popularidade o máximo possível. O
problema é que o plano foi mal sucedido e o ``trem´´ descarrilhou desde de sua
partida. Enredo tosco, interpretações sofríveis além das participações
``ditas´´ especiais que servem apenas para respaldar o fracasso iminente dessa
tentativa de fazer cinema. E se por ventura você tentar assistir ao filme do
começo ao fim, já adianto que somente os que possuem tendências masoquistas
passarão ilesos por essa afronta ao bom senso. Coincidência ou não, a maioria
dos envolvidos com esse trabalho praticamente sumiram de cena, como foi o caso
do famoso produtor de filmes da Boca do Lixo, Antonio Polo Galante e do diretor
Conrado Sanchez. A unica exceção (e olha que foi difícil encontrar alguma!),
foi Lazaro Ramos, que hoje é um dos grandes atores em atividade. Bom, é
complicado falar muita coisa desse filme, mas mesmo que você jamais assista
esse acidente cinematográfico, recomendo que vejam, pelo menos a
cena final, onde Carlinha, chega ao auge de sua interpretação, quando faz
um discurso patético e finaliza a cena dançando como se não houvesse amanhã.
Bom, não há mais o que ser dito. Se encontrar um
VHS de Cinderela Baiana, destrua imediatamente...
Se você jamais assistir esse
documentário, ainda assim não passará ileso pela obra de um dos mais
emblemáticos e inquietos artistas que o Brasil já abrigou. Glauber – Labirinto do
Brasil, já define no título o que realmente o cineasta baiano representou para
uma gama enorme de entusiastas de sua obra. Quando Silvio Tendler decidiu
filmar o velório de Glauber, talvez ainda não tivesse como objetivo dirigir o documentário (que seria lançado apenas em 2004),
mas a urgência do momento e a importância do personagem retratado o fizeram
construir um panorama bastante intenso e emotivo da despedida do amigo de
oficio.
O próprio Glauber já havia feito
algo semelhante, quando filmou o velório do pintor modernista Di Cavalcanti (Di - Glauber) documentário esse, premiado em Cannes, como melhor curta de 1977, e que até hoje, permanece com exibição proibida pelos herdeiros do pintor. O fato é que a teia de depoimentos contidos no filme (já considerando o discurso de Darcy Ribeiro no momento do enterro de Glauber), e de outros tantos que foram adicionados posteriormente, e que tinham uma relação muito próxima com o cineasta baiano, para nos trazer uma faceta pouco conhecida de Glauber Rocha. Sua performance intensa e seu jeito único de lidar com vida, foram as bases de sustentação que o elevou ao grau de grande gênio do seculo 20.
Esse documentário nada mais é, do que o registro de mais um grande personagem brasileiro que extrapolou as fronteiras desse pais de proporções continentais, para conquistar admiradores em diversas partes do mundo. Assistam ao documentário e adentrem de cabeça no universo Glauberiano, garanto que não se arrependerão.