Destaques

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Ratos de Porão, Sacos de Ratos, Gricerina e B.R.F. - Parque Raul Seixas 02/04/2016







Era uma tarde ensolarada de sábado no parque Raul Seixas, situado no Bairro da Cohab 2, em Itaquera zona  leste de  São Paulo, local este escolhido para ser palco da quarta e  Penúltima apresentação da banda Ratos de Porão, no Circuito Municipal de Cultura, evento promovido pela secretaria de cultura da cidade de São Paulo, uma ressalva que durante esta apresentação do Ratos de Porão diferente do que ocorreu no C.E.U. Aricanduva e C.E.U. Perus foi a opção por bandas de abertura, o que achei uma ótima oportunidade para as bandas divulgarem seu trabalho e terem a honra de tocarem com umas das maiores lendas do Crossover Mundial. As 17:00 pontualmente subiu ao palco a primeira banda de abertura B.F.R (Baseado em Fatos Reais) , banda punk formada no mesmo bairro em meados de 1997 e continuando na ativa até hoje, os caras mandaram seu tradicional Punk rock que em muito me lembrou o Cólera nos áureos tempos do Redson , com muita empolgação apesar de alguns problemas técnico empolgou muitos dos presentes e fez a galera começar a poguear e entrar no clima, com algumas pausas para os tradicionais discursos politizados os caras mandaram bem seu recado tanto musical quanto ideológico, após uma pequena pausa,  subiu ao palco do parque Raul Seixas a Banda Gricerina , formada em novembro de 2007, a banda  executa um som Hardcore/Punk com muitas pegadas de Crossover, os caras fizeram uma verdadeira devastação em forma de show, divulgando seu ultimo Álbum "Mais um dia de loucura Chegando " , intercalando com diversas musicas da carreira da banda os caras fizeram com que a pista virasse um verdadeiro pandemônio , abrindo com a música “Adoradores do estado e do capeta” seguida por “Campinho de Futebol, bolinha de leite” e “Mais um dia de Loucura Chegando” com a galera agitando muitos mosh Pits e Stage Dives. Gricerina sobretudo deu uma aula de Hardcore e de muita humildade , chegando ao ponto de tocarem uma música do Cólera “Subúrbio Geral” contagiando ainda mais o público, finalizando seu show com a clássica "Rolé na Augusta" chamando diversos amigos para subirem ao palco e cantarem  juntos, os caras realmente cativaram a todos, mesmo aos que nunca haviam ouvido a banda, sendo bastante aplaudido por todos que ali estavam, na sequencia tivemos a banda Saco de Ratos uma banda que mesclava elementos de jazz com rock and roll e lembrava em muito Velhas virgens porém mais bem trabalhada diga-se de passagem, sinceramente acredito que esta  não era uma banda pra abrir pro Ratos de Porão devido ao seu tipo de som mais voltado a Rock And Roll mais trabalhado e menos agitado ao mesmo tempo deu uma deixa para que a galera pudesse beber um pouco conversar , rever os amigos e fazer uma social antes que  o show principal começasse, após  uma longa espera eis que surge ao palco uma das maiores entidades do Crossover mundial Ratos de Porão iniciando seu Set list com "Amazônia nunca Mais" levantando todo o publico sedento por musica pesada , criando as primeiras rodas de mosh , seguida da excelente e destrutiva “Conflito Violenta” musica que pertence ao seu último álbum ”Século Sinistro”, para os fãs mais conservadores os caras fizeram um set list impecável tocando seus maiores clássicos, tocando sons como “Crise Geral”, “Plano Furado”, ”Diet Paranoia” , “Beber até Morrer” ,“Anarcophobia” ,“Crucificados Pelo Sistema”, ’’Igreja Universal”, “Suposicollor” , Crocodila” ; dentre muitas outras realmente foi um show para lavar a alma do publico há de se enaltecer a diversidade de públicos que tivemos durante este evento o parque Raul Seixas estava cheio de crianças, adultos e idosos, era nítido que existia o publico do Metal , diversos Punks, músicos de diversas localidades , rappers , enfim foi muito gratificante ver diversas pessoas de diferentes lugares com ideias diferentes convivendo pacificamente durante o evento , a único ponto negativo foi uma falha na PA de voz durante a apresentação do Ratos de Porão que prejudicou um pouco a audição da voz de João Gordo da metade do show pra frente, problema este que foi sanado antes do termino do show, sobre tudo foi um evento muito completo que conseguiu cumprir a difícil tarefa de divulgar bandas mais modestas com uma banda considerada lendária em um mesmo espaço ao mesmo tempo deu um gostinho de saudosismo aos mais velhos e um gás na geração nova, esperamos ansiosamente por mais eventos deste porte onde podemos ver que a música ainda é o ponto maior que nos une diante de tantas coisas que nos separam.  


(Texto: Danylo Paulo)
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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Zeca Baleiro - Líricas (2000)









Depois de ser descoberto pelo produtor Mazolla, gravar um primeiro disco bem-humorado, ´´Por Onde Andará Stephen Fry?´´, chamar a atenção do publico no acústico de Gal Costa para a MTV, ser multipremiado pela critica por seu álbum de estréia, gravar um segundo disco, ``Vô imbolá´´, repletode misturas e participações e colocar uma canção nas paradas de sucesso nacionais, ``Lenha´´, Zeca Baleiro chegou no ano de 2000 disposto a fazer diferente. Desligou os instrumentos, colocou o sampler de lado e gravou ``Liricas´´ seu disco mais intimista e profundo.
"É mais fácil cultuar os mortos que os vivos", é a primeira frase do álbum. Com violinos, arranjo e regências de Eduardo Souto Neto, "Minha casa", a música de abertura, dá o tom de sarau, nostalgia e beira de estrada que povoará todo o álbum. Com seu eu-lírico sentado na porta de casa, a canção retrata a disputa interna daquele que pensa em se arriscar, mas prefere a segurança de ver o mundo passar como uma escola de samba que atravessa. "Comigo" é uma balada com clarinete, trompa, hammond e violão de 12 cordas. "Proibida pra mim", versão delicada para um rock do Charlie Brown Jr., vem em seguida com violão, gaita e órgão hammond, confirmando Baleiro como um neotropicalista. Golaço! A cover agradou tanto que Chorão, vocalista do CBJ, pediu para o artista toca-la em seu casamento, mas, é claro, gerou crítica entre os "inteligentes" de plantão. Acontece com todo tropicalista que se preze. Sem dar tempo pra respirar, "Babylon" aparece. Um dos pontos altos do disco, a música, que virou um clássico do repertório de ZB, era originalmente um reggae feito em reação aos "reggaes fakes" que o cantor dizia ouvir muito em São Luís do Maranhão (cidade onde foi criado). Para se enquadrar na temática de "Líricas" já que os resultados obtidos nas tentativas de incluí-la nos álbuns anteriores não foram satisfatórios, o cantor/compositor/ produtor do álbum mudou a levada e contou com o auxílio luxuoso de Celso Fonseca no violão, Arthur Maia no baixolão e Carlos Ranoya com o acordeom que funciona como fio condutor da melodia cuja letra, cheia de ironia, fala dos anseios hedonistas de um personagem principal que, ao contrário dos rastas (um rasta fake?), quer botar sua alma à venda e viver dos prazeres oferecidos pela Babylon. "Balada para Giorgio Armani" resgata as conversas com celebridades que povoaram o primeiro álbum, mas com a acidez que o clima pede ("A cor dessa estação é cinza como o céu de estanho") tendo como tema a velha dualidade: os que tem tudo vs os que nada tem ("O medo é a moda desta triste temporada"). "Ê boi", com enxerto de "Poema sujo" do poeta Ferreira Gullar (também maranhense) e participação do conterrâneo Nosly, é pura nostalgia do Maranhão. Sanfoninha, violão, violoncelo e triângulo e "Nalgum lugar" aparece. Motivada pela cena antológica do filme "Hannah e suas irmãs" em que o personagem de Michael Caine dá voltas no quarteirão para forçar um encontro casual com sua cunhada e presentea-la com um livro de E.E.Cumings, Zeca ficou com o poema - que o personagem lia em voz alta no filme - na cabeça. Quando descobriu a tradução deste por Augusto de Campos decidiu musica-lo. Resultado: uma das mais bonitas canções de um belo disco. Violões à la Secos & Molhados e "Quase nada" , parceria com Alice Ruiz, chega com Vander Lee e Suely Mesquita nos vocais de fundo para se transformar num dos maiores sucessos da carreira do artista."Qual é a parte da sua estrada no meu caminho?" pergunta a letra nos lembrando que o personagem que via o mundo passar pela porta de sua casa continua ali. "Você só pensa em grana" traz o piano de Sacha Amback e muita tristeza. Em época de alegrias projetadas por comerciais de Tv e coreografia de bandas de axé e bondes de funk, o compositor, solitário em sua falta de ambição material, fuzila:"Poeta bom, meu bem, poeta morto". "Banguela" e suas brincadeiras ganha em beleza com a participação de Ná Ozzetti. A presença da cantora nessa canção, cuja letra traz uma familiaridade com as de Itamar Assumpção - já citado pelo cantor numa letra do isco anterior - coloca o álbum em contato com a Vanguarda Paulista dos anos 80. "Blues de elevador" tem gaitas, violão e o sentimento de solidão.O disco encerra com clarinete, violinos, cello, acordeon e "Brigitte Bardot", canção que com seus versos sobre saudade ("A saudade é um filme sem cor que o meu coração quer ver colorido") e a mãe do cantor cantarolando "Na virada da montanha"(AryBarroso/Lamartine Babo) pelo telefone no final dá ao disco de capa preta e branca arroxeada um fim de filme neo-realista europeu dos anos 50. Nada mais adequado. Na porta de sua casa/corpo à beira da estrada/mundo, o personagem se questionou,viu estrelas no céu, cantou sucessos do momento, sonhou com uma vida de prazeres, folheou revistas, lembrou de sua infância,viu filmes, se apaixonou, decepcionou-se, se sentiu sozinho e terminou nostálgico. Mas ainda sonhando. Ainda poeta. FINE.
Depois disso, o artista se aproximou da música eletrônia em "Pet Shop Mundo Cão" _ álbum que contém o hit "Telegrama" - gravou um álbum de parceria com Fagner, se firmou com um dos grandes compositores de sua geração, resgatou a obra de Sergio Sampaio e mergulhou no bailão brega. Mas foi com "Líricas" que ele confirmou que vinha pra ficar. E com muita bala na agulha!



(Leandro L.Rodrigues)
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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Van Halen - 1984 (1984)









Quando o ano de 1984 chegou, o Van Halen era a banda do momento. Acabara de ser incluída no livro Guinness como a banda mais bem paga de todos os tempos, cada disco que lançava vendia mais que o anterior e Eddie Van Halen há anos encabeçava a lista do melhor guitarrista do mundo. Isso sem falar na participação do guitarrista, a pedido do produtor Quincy Jones, do histórico disco ´´Thriller´´ (o Lp mais vendido da História) de Michael Jackson, contribuindo com um de seus geniais solos em ´´Beat it´´,o que alargara ainda mais os horizontes da banda. Porém, Van Halen queria ir além...Insatisfeito com as concessões que tivera que fazer no último disco da banda, Diver Down - como gravar "Dancing in the streets", de Marvin Gaye, que ele não queria de jeito algum e só o fez por pressão do vocalista David Lee Roth ("O David queria transformar o Van Halen numa banda de Las Vegas") e do produtor Ted Templeman - o guitarrista montou um estúdio no quintal de sua casa (o 5150) para poder gravar um disco do jeito que ele quisesse. Começava aí o nascimento de uma obra-prima que se não é o melhor trabalho da banda - não vejo como a qualidade do disco de estréia ser superada - é um de seus discos mais representativos.
Se a faixa-título, com seu som espacial de baixo sintetizado e sintetizadores mostra uma diferença para o som tradicional do Van Halen, a faixa seguinte, "Jump", é um giro de cento e oitenta graus. Com seu riff de sintetizador, bem ao estilo das bandas de AOR que inundavam as FMs naquele ano, a música, que se tornou o maior hit da história da banda e um dos maiores da década de 80, é totalmente diferente de tudo que eles haviam lançado até então. Com letra feita pelo vocalista David Lee Roth, que não gostava nada da música e tentou inclusive dissuadir Eddie da idéia de incluí-la no disco (corre rumores de que ela foi uma das responsáveis pela saída do vocalista da banda), inspirada em um homem que ele viu na beira de um parapeito de um arranha-céu e um fantástico solo de guitarra, que Van Halen diz ser um de seus favoritos(resultado da colagem feita pelo produtor de pedaços de dois solos diferentes), além das sensacionais viradas do baterista Alex Van Halen,"Jump" marcava também outra virada na carreira do grupo: se os discos anteriores perdiam por não conterem os pulos, rebolados e piruetas do vocalista da banda, a música com seu bem-sucedido vídeo-clip - exibido à exaustão na MTV - agora trazia toda imagem da banda grudada em seu som. Ao ouvir "Jump" é impossível não lembrar dos pulos de David Lee Roth. Só poderia dar em sucesso. Após o impacto inicial, o riff de "Panama" traz de volta o velho Van Halen. Com sua letra de duplo sentido (Panama pode ser tanto uma mulher quanto um carro), seu clima alegre e o refrão gritado por backing vocals, a música, que traz o ronco da Lamborghini de Eddie, é um típico rock do Van Halen. Outro sucesso. E mais uma cujo clip, com os integrantes da banda voando no palco, grudou em seu som. "Top Jimmy" é uma homenagem de David Lee Roth a James Paul Konceck (o Top Jimmy) e sua banda de rock/blues, Top Jimmy & the Rhythm Pigs, cujas apresentações nas segundas-feiras (Blue Mondays) no nightclub Cathay, em Los Angeles, contavam sempre que possível com a presença do vocalista do Van Halen na plateia ("Top Jimmy is the king"). A música, um dos pontos altos do disco, tem uma levada bem no clima da banda homenageada e traz Lee Roth cantando em duo com o baixista Michael Anthony em parte dos vocais. "Drop dead legs" encerra a primeira parte do disco (o Lado A) com mais um maravilhoso riff de Eddie, o baixo pulsante de Anthony (além de seus característicos backing vocals) e os vocais marcantes de Lee Roth, o que nos faz avaliar a diferença que ele faria em músicas posteriores da banda que apresentam uma familiaridade com essa. Mas quando entra o Lado B é que a coisa estremece. Com o memorável solo de bateria do excepcional Alex e Eddie mandando ver com a mesma Gibson Flying V usada em "Drop dead legs" (o sobrenome dos irmãos tinha mesmo que ser o nome da banda!), "Hot for teacher" e sua letra sobre a atração sexual do aluno pela professora é um hard frenético com direito a paradinhas, falas capciosas de Lee Roth, um apoteótico final. Como se não bastasse, a música ainda gerou um dos melhores vídeo-clips da história com crianças caracterizadas como os membros da banda. Nota dez para a música e para o clip! Depois do frenesi de "Hot for teacher", "I'll wait" chega com mais sintetizadores e uma inusitada parceria da banda com o ex-Doobie Brothers Michael McDonnald, cujo nome só foi incluído nos créditos depois de muita luta. Essa é outra que Lee Roth tentou tirar do álbum. "Girl gone bad" traz mais uma vez o brilhantismo de Eddie na guitarra e a personalidade vocal de David. O disco encerra com "House of pain", canção resgatada da demo apadrinhada por Gene Simmons (Kiss) em 1974, cuja fantástica apoteose instrumental final encerra de forma zeppeliniana mais um grande disco da banda.
O caminho estava aberto. O disco foi direto para o segundo lugar das paradas (o primeiro ainda era de "Thriller"), vendeu milhões de cópias e consegrou de vez a banda. Daí por diante, dezenas de banda surgiriam em Los Angeles apostando na imagem de seus vocalistas, na rapidez de sues guitarristas, na magia de seus teclados e na força de seus vídeo-clips para chegarem ao topo (Estava iniciada a era do "hard-rock shampoo") e o Van Halen nunca mais seria o mesmo: Lee Roth partiria para uma carreira-solo, com uma banda de fazer inveja ao VH, e a banda seguiria com Sammy Hagar nos vocais. Banda e ex-vocalista passariam anos trocando farpas em entrevistas e títulos de álbuns e se encontrariam anos depois em dispensáveis caça-níqueis.
Se o livro homônimo de George Orwell, escrito em 1984, fazia uma previsão pessimista com um mundo dominado pelo totalitarismo e o pensamento único, cercado de vigilância e "teletelas", o disco do Van Halen é o retrato em tempo real daquele mesmo ano na "Terra da Democracia". Ali está a Califórnia dos anos 80 com seu hedonismo, seus nightclubs, seus carrões, sua MTV, suas prostitutas, seus alunos desinteressados, sua luxuria, seus suicidas e sua inocência perdida (retratada pela irônica capa de um anjo fumando - capa esta que substituiu a ideia original que era de strippers cromatizadas). E , sobretudo, com uma de suas grandes bandas de rock pesado no auge de seus poderes.


(Texto: Leandro L.Rodrigues)
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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Gilberto Gil - Refazenda (1975)








Em 1972, Gilberto Gil voltou do exílio londrino com força total. Lançou, no mesmo ano o antológico álbum ``Expresso 2222´´ (que merece resenha própria); em 1973, viveu um dos epsódios mais emblemáticos da música brasileira, quando seu microfone e o do parceiro Chico Buarque foi cortado durante a apresentação da musica ``Cálice´´, o que materializou a mensagem da obra; assumiu a direção musical de trabalhos de Gal Costa e Jorge Mautner e voltou ao topo das paradas com ``Eu Só Quero Um Xodó´´ e ``Maracatu Atômico´´. Em 75, depois de lançar um álbum magico ao lado de Jorge ben, ``Ogum e Xangô´´, entraria em estudio para dar forma a mais um clássico absoluto da música brasileira: Refazenda.
A capa, com o artista vestindo kimono e se alimentando de comida macrobiótica e cercado por uma teia repleta de símbolos religiosos, familiares e sociais, já indicava o conteúdo do álbum: Gil iria viajar para o interior de si mesmo, do país, da sua música, da sua fé. Iria refazer-se. Com um violão ao estilo Jorge Ben (parceiro cuja sintonia absoluta pode ser comprovada no álbum lançado no mesmo ano) e uma exuberante linha de baixo de Moacir Albuquerque (o baixista da turma toda nos anos 70), o popsambalanço "Ela" abre o álbum em alta voltagem com Gil refletindo sua relação com a música e a mulher amada. "Tenho sede" surge com o acordeon de Dominguinhos - que permeará todo álbum representando o interior do Nordeste também sempre presente nos contornos da alma do compositor de Ituaçu - e sua simplicidade aliados ao falsete mágico e o belo violão de Gil. "A planta pede chuva quando quer brotar, o seu logo escurece quando vai chover", diz a letra contemplativa bem em sintonia com a temática de questionamento, reflexão e observação das naturezas do álbum. A música título vem em seguida com sua melodia envolvente, emoldurada pela beleza do acordeon de Dominguinhos e a orquestração de Perinho Albuquerque, e sua letra controversa, um nonsense cheio de sentido onde abacateiros, patos, leões, tomates e mamões se juntam e se combinam culminando num trecho de "Mulher rendeira", a música composta pelo cangaceiro Lampião, e terminando com a palavra "Guariroba", que além de ser o nome de uma árvore,era também o nome de uma fazenda de um grupo de amigos do músico onde eles pensavam em formar uma comunidade alternativa. O artista seguiria o exemplo da natureza e deixaria a vida seguir seu fluxo, com momentos de recolhimento, momentos de fruto e momentos de aprender e outros de ensinar (Alguns interpretaram o abacateiro e seu ato como uma referência ao regime dos militares - hipótese possível, embora desmentida pelo compositor - mas simples demais para uma composição do Gil de então). Nota dez! "Pai e mãe" dá sequencia questionando os padrões conservadores de família e afetividade. Fala de maneira elegante sobre homossexualismo ("Eu passei muito tempo aprendendo a beijar outros homens como eu beijo meu pai") e a renovação dos valores familiares ("Minha mãe como vai?Como vão seu temores?") contornado pela flauta mágica de Altamiro Carrilho, um belo violão de 7 cordas de Dino e, claro, o acordeon de Dominguinhos. "Jeca total",composta, segundo o próprio, sob inspiração de ver a obra de Jorge Amado na Tv a cores ("Assistindo Gabriela viver tantas cores"), é uma primeira incursão do universo do compositor no mundo de Monteiro Lobato (mistura essa que resultaria na bem sucedida canção tema do programa "Sítio do Pica-Pau Amarelo" em 1977), Nesta Gil propõe a transformação do Jeca Tatu num Jeca Total. Uma transmutação nietzschiana do interiorano, alienado e acomodado personagem de Lobato que encontra seu ideal na figura do antenado poeta Jorge Salomão (também nascido no interior da Bahia e na ocasião figurando em Nova Iorque). "Essa é pra tocar no rádio" (também presente no disco-jam ao lado de Jorge) é uma representante das gravações do mal fadado projeto "Cidade de Salvador" (LP que Gil gravou para lançar em 1973, mas, sabe-se lá porque, abandonou e o trabalho só veio à luz em 1999), com Rubão Sabino no baixo e Tutti Moreno na bateria, a letra questiona em tom de deboche os critérios de escolha dos programadores de rádio num jazz-funk na linha Miles Davis setentista totalmente em desacordo com o seu título. De todas as músicas do Lp, ela é a que tinha menos chance de tocar nas rádios. "Ê,povo, Ê" é um pop com sotaque nordestino com um belo trombone tocado por Bogado e que faria sucesso na trilha de qualquer telenovela (surpreendentemente nunca entrou em nenhuma). "Retiros espirituais" vem na sequencia com um belo trabalho de Gil usando pedais na sua guitarra num poema musicado que trata da filosofia taoísta do wu wei (ação sem ação) e cannabis. Um belo momento de introspecção que o artista diz ser um de seus preferidos em toda sua obra. Em "O Rouxinol", música que viria a batizar o bem-sucedido álbum para o mercado norte-americano (The Nightingale) que o artista lançou em 78 sob a produção de Sergio Mendes, o pássaro de Sousândrade, o visionário poeta maranhense re-visto pelos concretistas irmãos Campos (Haroldo e Augusto) nos anos 60, reaparece na voz e na forma do transmutado Gilberto Misterioso insinuado por Caetano numa letra típica de Jorge Mautner acompanhada do ágil violão de Fredera. "Lamento sertanejo", letra de Gil para música feita por Dominguinhos, que declarou nos anos 2000 que "Refazenda" foi um dos discos mais bonitos no qual ele trabalhou, nos anos 60 , fecha o ciclo de maneira brilhante e emocionante. O navegador de "Ela" que saiu cheio de sede pelo mundo enfrentando procelas, questionando valores, fazendo-se e refazendo-se, vê-se num grande centro como uma rês desgarrada na boiada da cidade. Está contrariado, mas agora sabe qual é a real diferença e termina o trabalho em plena "Meditação" (talvez no mesmo tatami da capa) e com efeitos de pedal. "Tudo sempre acaba sendo o que era de se esperar", conclui.
Produzido por Mazolla, o interiorano "Refazenda" (passado) é o disco que inicia a famosa trilogia "Re" do compositor, em 77 viria o afro "Refavela" (presente) e em 79, o universal "Realce" (futuro), a patrulha ideológica criticou o trabalho pela falta de engajamento político, os conservadores continuaram torcendo o nariz para seu espírito libertário, mas a vida seguiu e o resultado do disco foi a consolidação do cantor como um nome de peso para a gravadora. Estava dado o pontapé inicial para uma trilogia clássica de uma carreira recheada de discos históricos. 


(Texto: Leandro L.Rodrigues)
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terça-feira, 29 de março de 2016

Maria Gadú - C.E.U. Alto Alegre 28/03/2016






Em comemoração ao mês da mulher o C.E.U. Alto Alegre vem promovendo uma série de atividades voltadas para o publico feminino e, entre as muitas novidades, a grande noticia foi a a apresentação de Maria Gadú, que esta em turnê pelas varias unidades do Centro Educacional Unificado. 
O show estava marcado para ter inicio as oito horas da noite e os ingresso que já vinham sendo disputados a tapas e já estavam esgotados, eram apenas objeto de desejo entre os que ainda nutriam esperanças de assistir a apresentação da cantora. 
Confesso que não sabia muito bem o que esperar dessa apresentação, pois conhecia apenas a indefectível ``Shimbalaiê``. Por isso, fui totalmente ``desarmado``, afim de conhecer melhor a carreira desta que já possui grande reconhecimento do publico e tem a benção de monstros sagrados como Caetano Veloso e Milton Nascimento. Após algumas considerações dos responsáveis pela administração do C.E.U. eis Maria Gadú acompanhada pelo percursionista Felipe Roseano que de cara, dominaram o palco e a plateia - assim que o primeiro acorde foi emitido de seus instrumentos. 
O inicio se deu com ``Suspiro´´ , musica de seu ultimo disco ``Guelã´´ - daí por diante amigos, confesso que fui me deixando envolver pelas melodias ``quebradas`` e de muito bom gosto que eram despejadas de sua guitarra e da bateria precisa de Roseano. ``O bloco´´, do mesmo disco veio na sequencia e foi inflamando o publico presente. Com a platéia na mão, Maria Gadú prestou homenagem ao Legião Urbana ``Quase Sem Querer´´ e Paralamas Do Sucesso ``Lanterna Dos Afogados´´ que mescladas com suas composições fizeram a alegria dos que testemunhavam o espetáculo.  Destaque absoluto para a belíssima ``Axé Acapella´´ (Dani Black e Luisa Maita), que foi executada em uma performance de tirar o folego. 
Sim, as composições que fizeram Maria Gadú atingir o prestigio que possui foram tocadas com a habitual empolgação da cantora - que bastante comunicativa atendia ao clamor de seus seguidores.de forma bem descontraída e levemente encabulada. No final das contas deu pra entender o orgulho de mãe da cantora que acompanhava a apresentação da filha com os olhos marejados de orgulho por ter concebido tamanho talento. Que mais artistas como ela possam surgir para dar alegria as próximas gerações. 




(Texto: Robério Lima)




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quarta-feira, 23 de março de 2016

Rage Against The Machine - RATM (1992)









Em meio à festa hedonista da juventude pós- Guerra Fria, em que tudo era prazer, tudo efêmero, tudo consumo, uma banda aparece para desafinar o coro dos contentes. Nada de raves, nada de ecstasys. Nada de sexo, corrente de ouro ou carrões. Armados de protesto e revolta, o Rage Against The Machine apareceria e chegaria ao topo das paradas para mostrar que nem só de cama da Madonna, dos perigos do Michael Jackson e de indivuduais crises existenciais viveria a música dos 90. Nem todos estavam contentes com a situação. Nem todos enxergavam as benesses do way of life capitalista como o Paraíso na Terra. Havia raiva na parada.
Trazendo na capa a célebre foto de Robert Browne, com um monge budista ateando fogo ao próprio corpo como forma de protesto ao governo assassino e paranóico de Ngo Dinh Diem no Vietnã do Sul, o disco de estréia do RATM , produzido pela própria banda, transborda crítica e subversão por todos os lados. A banda, formada em Los Angeles a partir de um encontro entre o novaiorquino, bacharel em ciências políticas e candidato a guitar hero Tom Morello com o rapper free style de origem xicana Zack de La Rocha, além de letras totalmente de protesto, apresenta na sua música uma mistura de riffs pesados à la Black Sabbath, com vocais rappeados, solos rápidos, experimentalismo de guitarra e uma cozinha (Jim Commerford no baixo e Brad Wilk na bateria) que ora pende para a dureza heavy metal, ora mergulha no balanço funk. Da introdução de baixo da abertura “Bombtrack” - o single que traz Che Guevara na capa - que culmina num refrão explosivo, ao último ruído de “Freedom”, a banda não deixa a peteca cair e não alivia em nenhum momento para o sistema. Todas as suas artimanhas são despudoradamente desmascaradas. Sem gordura, nem embromação, o disco vai direto ao ponto. Une magistralmente o hip hop com o heavy metal e mostra que enquanto a energia do rock n'roll sobreviver nem tudo será festa e propaganda. “Killing in the name”, primeiro single lançado pela banda, logo se transformou num hino e ganhou em cheio o coração daqueles que sentiam que algo estava errado na festa do pensamento único. “Ignorance has taken over, we gonna take the power back”(“A ignorância dominou, nós vamos tomar o poder de volta”), diz De la Rocha em “Take the power back” , discurso contra o controle ideológico no sistema educacional americano sob um magistral trabalho de Morello na guitarra com a banda saindo do chão num rock de pegada ímpar. Mais um hino. Em “Wake up”, Luther King, Malcolm X e Mohammed Ali são citados para levantar as consciências contra o racismo institucionalizado. Em “Bullet in the head”, um dos pontos altos do disco, a guitarra de Morello começa a demonstrar as inovações – presentes com destaque também em “Fistful of Steel” - que se seguiriam nos discos posteriores. Em “Know your enemy”, com introdução , riff e solo de guitarra hipnóticos e os marcantes slaps de baixo de Commerford (que também aparecem em "Take the power back") em mais um rock de tirar o fôlego, que conta ainda com a participação de Stephen Perkins, o incrível baterista do Janes's Addiction, na percussão e Maynard James Keenan nos vocais (substituindo o Jane's Addiction Perry Farrell que não pode atender ao convite), as cartas são colocadas na mesa: Acordo,conformidade,obediência,ignorância,hipocrisia,brutalidade, a elite , todos os elementos do sonho americano são os inimigos da banda. A bomba estava pronta. E seria lançada de dentro do próprio sistema que ela se propunha a destruir - afinal a banda era contratada da Epic (Sony) - para se tornar um clássico inconteste do rock mundial. 
O conteúdo desafiador do álbum levou a banda a ser proibida de se apresentar em alguns estados norte-americanos, o que só colaborou com a sua popularização entre jovens ansiosos por rebeldia. Depois disso os integrantes da banda ainda se apresentaram nus e em silêncio no Festival Lollapallooza de 93 em protesto contra os órgãos de censura da “Terra da Liberdade” e o RATM se firmou como a banda mais antissistema do sistema, influenciou toda uma geração e estilo e acabou se tornando trilha de filmes e jogos de videogame(!). Se você procura beleza harmônica, metáforas bem elaboradas ou clima de festa e descontração, fuja deste disco. Ele é todo feito de peso e revolta. Ruído e fúria contra a máquina do sistema.


(Texto:Leandro L.Rodrigues)
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terça-feira, 22 de março de 2016

O Que Esperar De Tudo Isso?!









As manifestações do último dia 13 evidenciam não somente a insatisfação com o governo e a corrupção, mas também servem para mostrar uma situação que a cada dia fica mais aparente, pois o que deveria ser um marco democrático serve na maioria dos casos (e falo da grande maioria), para desfilar um misto de arrogância e alienação política.
Não meus amigos, não digo que os que empunhavam cartazes de ordem e que defendem  a intervenção militar ou o tal Bolsonaro para presidente devem possuir diploma de ciências políticas ou algo que o valha, mas que possuam reais motivos para “estar lá” sem servir de instrumento para confabulações nebulosas. Definitivamente postar selfies com a camisa da C.B.F. em redes sociais não é o melhor exemplo para  demonstrar que é contra o atual cenário político,que definitivamente está muito longe de ser o melhor. No entanto,  temos que tomar muito cuidado com a superficialidade que nos cerca, pois ela pode ser impiedosa.
O que sinceramente me incomoda nesse circo todo, é justamente o fato da população  mirar o dedo somente para Lula e Dilma, quando outros personagens com desenvoltura tão nefasta quanto à dos já citados Lula e Dilma. A lista é extensa e mostra a face desesperadora que nos espera caso seja decretado o impeachment da presidente. Imaginar Temer na presidência causa enorme temor (não poderia deixar de usar o trocadilho), nos que ainda tem um pingo de consciência política.
O que se viu no último domingo nas principais avenidas do Brasil, é relevante e deve ser considerado como um sinal de alerta  ao que está acontecendo nesse país que a muito tempo já sofre com falcatruas tão ou melhor elaboradas que as de agora. O que realmente me incomoda é o fato de que essa história de que o gigante acordou e outras calhordices similares não passam de balela, pois apesar de haver pessoas sérias em meio às reivindicações, também tem os que adoram “oba oba!”, esses certamente  desviariam o foco ao primeiro sinal de situação “vergonha alheia”. Bom, a discussão é praticamente infinita e sem sombra de dúvidas, está muito longe de terminar. Por isso é importante  termos a consciência de que nosso destino pode estar descendo ralo a baixo enquanto os porcos andam em duas pernas..



(Texto: Robério Lima)

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sexta-feira, 18 de março de 2016

Resenha: Promo Demo,Pixadores, Relíquia Dj & Delinquência Periférica


Banda/Grupo: Relíquia Dj & Delinquência Periférica
Álbum/Promo Demo :Pixadores
Nacionalidade:Brasil
Gênero:Rap
Gravadora:Independente
Ano: 2016

Nota:7,5

Track List:

1.Base 
2. Pixadores (Relíquia Dj)
3.Tem de monte (T.D.M) (Relíquia Dj & Insano Mc)
4.Sai do pé (Delinquência Periférica)
5.Original Rap Nacional(Delinquência Periférica)

O que realmente define uma artista independente, sua persistência em continuar seu trabalho, mesmo em condições adversas, mesmo sem apoio dos familiares e dos amigos, sua garra em querer mostrar seu trabalho acima de tudo é o que define o caráter e a caminhada honesta de um artista independente, já tendo passado por diversos grupos de Rap  tais como Correria Constant, Século 21 dentre outros, e tendo ajudado tantos outros a construir bases e criar musicas o Rapper  Douglas mais conhecido como Relíquia Dj se junta aos seus amigos do Delinquência Periférica  e    nos mostra que garra e persistência eles tem de sobra e nos presenteiam com sua primeira Demo Promo  intitulada “Pixadores” , este trabalho contem 4 músicas; “Pixadores”  ,“tem de monte” de autoria de Relíquia Dj esta ultima em parceria com Insano Mc que também faz parte do grupo Delinquência Periférica,  e  “Sai do pé”, ”Original Rap Nacional” de autoria do grupo Delinquência Periférica ,  e mais uma base que compõe mais um som que será lançado no futuro , Relíquia Dj morador do Bairro Recanto Verde Sol , mostra em seu som que buscou  abordar um tema polemico e muito mal conhecido e muito mal compreendido,  o universo da pichação,  a primeiro momento você pode torcer o nariz por não conhecer ou achar que isso é coisa de “Vagabundo” porém o que temos aqui é a narração real de quem vive e viveu o mundo do grafite e da pichação em sua mais verdadeira  essência,  o que temos aqui é um documentário musical do que se passa na cabeça dos jovens da periferia que utilizam da pichação e do grafite para expressar suas emoções e sua inconformidade com o mundo que os cerca, citando diversos skatistas, grafiteiros e pichadores conhecidos e alguns desconhecidos do cenário Hip Hop esta música serve como uma aula de arte de rua aqueles que ainda não são familiarizados com esta expressão artística originaria da periferia, destaco também a musica Original Rap Nacional de autoria do grupo de Rap do Jd da Conquista, região de São Mateus o Delinquência Periférica  que utiliza de seus versos para denunciar a podridão que ocorre na sociedade na qual vivemos, os desmandos e abusos da policia na periferia, realizando um som de protesto e conscientização, mostrando que dos becos e vielas da favela surgem verdadeiros monstros da contra cultura suburbana e da arte de rua, a qualidade da gravação impressiona ao saber que tudo feito em um minie-Studio improvisado no quarto da  casa do Dj Relíquia  o que nos mostra mais uma vez que nada pode parar um artista independente afim de mostrar seu trabalho para o mundo,  esta promo demo é uma verdadeira celebração do que é Gagsta Rap Marginal em sua mais pura essência, um verdadeiro brinde aos bate cabeças e uma porta de boas vindas aqueles que ainda não conhecem o que o Rap Nacional tem de bom a oferecer , confiram sem medo....












Formação

Douglas "Relíquia Dj" (Dj & Mc) 

Delinquência Periférica
Greg (MC)
Leandro motta “Insano Mc” (Mc)
Robert (Mc)
Douglas “Relíquia  Dj” ( Dj )


Contatos 

Relíquia Dj 

Delinquência Periférica 
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quinta-feira, 17 de março de 2016

Cerberus Attack - Thrash Metal Dos Bons Diretamente Da Zona Leste De São Paulo.









A primeira vez que vi a Cerberus Attack ao vivo, fiquei impressionado. Primeiro porque não imaginava que pudéssemos ter uma banda com tamanha personalidade e fazendo um som autoral em pleno lado Leste da cidade, onde o histórico de bandas cover predominava em bares e casas de “rock” da famigerada região. Segundo porque o som viceral e cheio de energia praticado pela banda alimentava uma cena que se fez surgir e desaparecer como um relâmpago, mas que deixou um rastro de bandas que se formaram para redesenhar um cenário que praticamente inexistira. O tempo passou e muita coisa mudou, mas a Cerberus Attack continua firme e se aperfeiçoando ainda mais dentro do tal underground. Para sabermos mais sobre os os caminhos percorridos e quais serão os próximos passos desse destemido quarteto, falaremos com Jhon França (guitarra e vocal) da Cerberus.



  S.I. – Houve um período na Zona Leste, mais precisamente em São Mateus e proximidades, que existia um movimento muito intenso voltado para o som pesado. Alguns “festivais” organizados de forma totalmente independente ajudaram a divulgar muitas bandas que surgiram naquele período, vide “Carnificina Fest” e “Buchada de Bode”. No entanto a maioria das bandas que participaram desse movimento já não existem mais. Nos fale um pouco sobre esse período e sobre o que motivou a Cerberus a permanecer na ativa?


Jhon França - Primeiramente boa tarde, meu amigo Robério e obrigado pelo convite. Esse período do Carnificina Fest e Buchada de Bode que rolou aqui na região foi de extrema importância pra cena de música pesada continuar de fato até hoje, não com a mesma força de antes devido a várias bandas terem se desfeito porém, com a mesma intensidade. Fizemos muitos bons amigos nesses festivais os quais conservamos a amizade até hoje, uma boa observação que podemos fazer dessa época foi que muitas bandas acabaram porém, muitas outras surgiram mantendo o mesmo ideal e o espirito de coletividade do ``it yourself``. Agora, o que tem motivado o Cerberus a continuar tocando até hoje sem dúvida nenhuma é essa realidade injusta que fazemos parte, cada vez mais nos levando pro fundo do poço, tirando nossos bens, implantando leis, colocando na cabeça de nossas crianças uma cultura porca e sem fundamento. Algo deve ser feito quanto a isso, talvez se fossemos médicos ou bombeiros salvaríamos mais vidas, porém, nascemos com o dom da música então vamos tocar! (risos).


S.I. – Depois de algumas mudanças em seu line up, parece que agora as coisas estão estabilizadas. De qualquer forma, uma das formações que marcou bastante a Cerberus contava com o Renato Moulin nos vocais. Qual foi o motivo que os levou a permanecer como quarteto? Vocês chegaram a fazer testes para encontrar um substituto para o Renato?

Jhon França - Na época em que o Renatinho saiu da banda eu estava fora também fazia uns dias devido a umas dificuldades que tive na época, acho que isso deve ter sobrecarregado os caras um pouco, deve ter sido um choque dois membros saindo ao mesmo tempo. Foi feito alguns testes com vocalistas e tínhamos um guitarrista que entrou bem rápido chamado Felipe. Na minha opinião o Cerberus Attack tem uma identidade sonora muito forte e esse fato impediu um pouco para achar vocalista naquela época (mais ou menos 10 pessoas fizeram teste) e na época em que pedi pra voltar pra banda os caras aceitaram numa boa (depois é claro de um grande sermão !! hahaha) e meu vocal encaixou legal na banda até porque o Renatinho é minha grande influência pra varias coisas da vida desde que eu era um pequeno Padawan do metal (risos). Então decidimos continuar como quarteto mesmo e todos que fazem parte hoje do Cerberus estão mais compromissados e dispostos do que nunca.     

S.I – “Welcome To Destruction” e o split com o Cranial Crusher foram duas amostras de que vocês não estavam brincando e que as pretenções da banda iam além de “tocar por tocar”. Existe previsão para lançamento de um “full length”?

Jhon França - Existe sim, inclusive estamos gravando, um full intitulado “From East With Hate” que contará com 7 músicas novas e uma regravação de um som da nossa demo de 2009. A gravação, mixagem e masterização foi confiada a nosso brother Denis Gomes guitarrista e vocal do Furia V8 e quando eu digo “confiada” é confiada mesmo, nada melhor do que alguém que entenda de som pesado para gravar um disco de som pesado e ele já está a anos nesse ramo e dessa vez irei apenas fazer parte da produção mesmo. Esse disco vai marcar uma nova fase nossa porque as 7 músicas inéditas foram feitas com essa formação atual (no Split ainda contávamos com composições do Renatinho). From East With Hate está previsto para o meio do ano e estamos em contato com alguns selos para lançamento em diversas partes do Brasil. As letras estarão mais pesadas também acompanhando nossa realidade atual abordando coisas mais sérias e menos fantásticas, estamos com grandes expectativas para esse lançamento!      

S.I. – Aparentemente a parceria com a Genocídio Produções vem se mostrando bastante interessante e, coincidência ou não, o nome da Cerberus Attack vem sendo mais evidenciado entre as bandas do underground. Nos fale a respeito dessa parceria e quais os frutos dessa união?

Jhon França - Bom, conhecemos a Lívia em um show que fomos convidados em São Carlos, ela se mostrou bastante competente e responsável em relação a organização do festival, logo depois nos ofereceu os serviços de sua assessoria e aceitamos logo de cara. Ficamos muito felizes com o resultado que essa parceria está causando e a um tempo atrás contratamos a Metal Media como assessoria também porque acreditamos na nossa mensagem e queremos que ela vá cada vez mais longe e liberte cada vez mais pessoas dentro e fora do Underground.


S.I. – Já faz algum tempo vocês gravaram um vídeo clip de “From This Prison“. O resultado final ficou muito bom. No entanto, o  YouTube vem fazendo frente a TV e inclusive determinando o sucesso de muitos artistas pela quantidade de “Likes” e visualizações. Isso consequentemente engessou a comunicação e interação em torno de qualquer trabalho, pois através de um “click” o acesso é imediato a informação que desejar. Como a banda encara essa (não tão) nova realidade em detrimento da saudosa troca de fitas cassetes “trade tapes”?

Jhon França - Falando por mim, mesmo com todas essas tecnologias que temos hoje em dia eu sou amante dos discos de vinil, cassetes, vhs, e também das mídias um pouco mais “novas” (cds e dvds), coleciono até hoje como você já sabe. Mas hoje em dia infelizmente não existe mais essa saudosa troca de informações de você ir na casa de um amigo com uma fita “virgem” e gravar aquele LP importado que ele acabou de comprar juntando dinheiro por um tempão, porém, aqui em casa ainda fazemos umas seções “antigueiras” onde se junta todo mundo pra ouvir um LP, tomar uma cerveja e ``tals``. Na minha opinião o Youtube tem revolucionado o mercado trazendo a informação a um clique, mas como toda ferramenta, nas mãos erradas faz um estrago tremendo pois há muita coisa ruim nas redes sociais, não só no youtube mas facebook, whatsapp, entre outros, Mas também há muita coisa boa na internet e muitas pessoas bem intencionadas que se propõem a levar informação só depende de nós mesmos agregar o melhor para o nosso desenvolvimento, hoje é bem mais fácil conhecer uma banda, é só colocar seu nome no youtube, o que muita gente erra é achar que isso já é o bastante e o artista trabalhou meses para gravar 10 músicas em um cd, colocou toda sua ideologia nesse disco é conhecido por causa de uma música. A letra da ``From This Prison`` é direcionada apenas a Rede de Televisão mesmo (paga e gratuita), uma rede qual não termos controle nenhum e vive nos empurrando lixo cultural e uma série de informações duvidosas que nos faz pensar que o país está falido e precisamos vender nossos recursos para o exterior a preço de banana. Isso me revolta um pouco.  

S.I. – sabemos que viver de musica é algo praticamente impossível em nosso país. Como os integrantes da Cerberus lidam com essa realidade, já que todos possuem família constituída e responsabilidades fora da música?

Jhon França - Nós do Cerberus Attack desde o começo quando entrei na banda já conversávamos sobre isso e chegamos à conclusão que hoje em dia realmente aqui no Brasil não dá pra viver de Thrash Metal, por tanto a intenção sempre foi espalhar nossa mensagem para o maior número de pessoas possível até um dia quem sabe sermos reconhecidos por alguma gravadora europeia que queira nos produzir já que lá é o mercado do Thrash, mas por enquanto iremos seguir com nossos trabalhos do cotidiano, compor cada vez mais e tentar tocar cada vez em mais lugares.


S.I. – conhecendo um pouco de cada integrante podemos perceber a enorme variedades de estilos que os influência individualmente. Podemos perceber desde o Thrash “Old School”, passando pelo Punk e Hardcore até coisas mais descaradamente Pop. Como é conduzido o processo de criação na banda, levando em conta essa gama de influências?

Jhon França - Caro amigo, nossas influências vão muito além disso mesmo (risos), porém, no período em que estamos compondo procuramos ouvir mais bandas de heavy, thrash, punk e hardcore mesmo para que a parte musical não perca muito em essência. Já na parte de composição das letras não paro em meu local de descanso e escrevo. No meu caso são escritas em quanto estou viajando, pegando um ônibus ou em uma fila qualquer, porque descansando não sinto verdade no que escrevo, tenho que estar vivendo aquilo, vivendo aquela revolta e nessas horas sempre estou ouvindo alguma coisa diferente como grupos de rap, discos de pop dos anos 80, bandas alternativas, em fim. Tudo aquilo que toca meu coração musicalmente é válido, acho que isso é uma características que divido com meus companheiros de banda, principalmente com o Maskote. Não existe barreiras na musica.   


S.I. – No próximo dia 19 vocês dividirão o palco com Blasthrash e Comando Nuclear, duas das mais respeitadas bandas do cenário Heavy/ Thrash de São Paulo tendo respectivamente em seus currículos a oportunidade de ter tocado com lendas como Tankard e Possessed. Muito se fala sobre união no Underground, mas realmente existe essa união entre as bandas?

Jhon França - Cara, entre as bandas acredito que sim, por conta de uns e outros acabamos separados em pequenos grupos, assim como em toda comunidade há inimizades, não digo da parte do Cerberus, tentamos nos unir com a cena do thrash o máximo possível agregando o maior número de bandas e fazemos sempre bons amigos por onde quer que passemos, inclusive o Diego do Blasthrash se tornou um grande amigo nosso em um evento em que tocamos juntos e quando ele nos convidou pra este festival nós ficamos muito gratos pelo reconhecimento, esperamos dividir palco com essas bandas no futuro também.


S.I. – Jhon, para finalizar, gostaria muito de agradecer em nome do Salada Itinerante sua colaboração e dizer que temos imensa satisfação em divulgar qualquer tipo de expressão artística, seja ela do mainstream ou underground. Mais uma vez obrigado e, por favor deixe suas considerações finais e qualquer informação que julgar relevante sobre a Cerberus Attack.

Jhon França - Queria agradecer em nome da banda a você Robério pela consideração e o convite e espero que esta entrevista ajude o leitor a entender um pouco mais por trás do som pesado e agressivo do Cerberus Attack. Gostaria de agradecer também todo mundo que nos apoia e está presente nos shows desde 2008 e dizer que logo estaremos com disco novo dedicado a todos que nos ajudaram e um videoclipe também, muito obrigado!

Get Thrashed Or Die Trying!







(Entrevista: Robério Lima)










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quarta-feira, 16 de março de 2016

Luiz melodia - Mico de Circo (1978)






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Quando ``Juventude Transviada´´, impulsionada pela sua inclusão na trilha sonora da novela ``Pecado Capital´´, estourou no Brasil inteiro e colocou Luiz Melodia sob os holofotes da fama, ele assustou-se. Sem disposição para lidar com as imposições da vida de estrela, decidiu fugir para a Bahia para repensar seus caminhos. Lá, caiu no desbunde, conheceu Jane Reis, que tornou-se sua segunda esposa e compôs as musicas que integrariam seu terceiro disco: uma obra dedicada aos marginalizados, uma reflexão do seu papel de artista e do mundo. O baudelairiano ``Mico de Circo´´.
Posando de jeans e óculos escuros num estilo que mistura Taj Mahal (bluesman americano, ídolo do artista cujo um dos filhos chama-se Mahal) e a bandidagem do Morro do São Carlos e envolto numa aura (ou sombra?) branca, a capa traz apenas "Luiz Melodia" estampado. É na contracapa, onde o artista aparece com uma espécie de túnica branca igual ao que o envolve na foto da capa, que aparece o título "Mico de Circo", uma referência ao bandido Mico Sul, cria do mesmo morro que Melodia, e à condição do cantor enquanto artista, enquanto peça de uma engrenagem. Cada qual com seu papel e seu lugar. Cada qual marginal de um jeito. No encarte o aviso, o disco é um tributo. E segue-se uma lista que mistura nomes de bandidos do São Carlos (Caveirinha, Cara de Cavalo, etc.), com artistas "marginais" (Torquato Neto, Helio Oiticica), amigos do morro e artistas (Roberto Carlos, Jamelão, Angela Maria), esportistas (Garrincha, Roberto Dinamite) e até políticos (Getúlio Vargas) que representavam a alegria e a esperança desse mundo "apartheideado" da cidade.
Com os metais da Orquestra Tabajara, o disco começa cheio de ironia. "A voz do morro" de Zé Ketti - trilha sonora do filme de Nelson Pereira dos Santos (que também está na lista de homenageados), Rio 40 graus (cuja trama, assim como o disco em questão, girava de um Rio de Janeiro dividido entre morro e cidade) - gravada por sugestão do seu mentor Wally Salomão, abre o disco como uma resposta aos críticos e diretores artísticos que não se conformavam com um negro vindo do morro não querer seguir a regra mercadologicamente estabelecida e se profissionalizar como sambista. "Eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmo, sim senhor", canta cheio de deboche e em formato de gafieira a Melodia de um Brasil feliz. Sai a Orquestra Tabajara e entra em cena os metais da Oberdan Magalhães e o balanço magistral da Banda Black Rio dando formato a beleza de "Onde o Sol bate e se firma", canção típica do compositor Melodia em que ele flana pela cidade sem juízo, não se reconhecendo como parte dela. "Estou em torno da cidade (...) os transeuntes me agitam, me perco sobre a multidão(...)" . Em seguida aparece "Presente Cotidiano", que havia tido problemas com a censura cinco anos antes, quando foi gravada por Gal Costa, e só escapou da censura total que havia sido lhe imposta e conseguiu entrar no disco "Índia", sob a condição de ter sua letra modificada e não ser apresentada em público nem executada nos meios de comunicação de massa. Enfim totalmente liberada, nessa gravação, o criador canta a sua criação como imaginou e o "Tá tão assim", que Gal foi forçada a cantar, finalmente é substituído pelo "Tá tão ruim" que os censores impediram de ser dito. "Quem vai querer comprar banana? Quem vai querer comprar a lama?", pergunta o cantor, em meio ao funk batucado da Black Rio, com a sua divisão rítmica que confundiu inclusive o maestro Arthur Verocai. "Vou caminhar um pouco mais atrás da rua.", conclui a letra no mesmo espírito flaneur da faixa anterior e que permanecerá por todo o disco. "Giros de sonho", vem no clima blueseiro, com belos vocais femininos, arranjados por Perinho Santana, emoldurando o belo e marcante canto de Melô e uma letra que, assim como "Pérola Negra", "Juventude Transviada" e outras, tem sua inspiração em alguma ex-namorada do cantor. Samba funk em alta voltagem da Back Rio é a vez de "O morro não engana", parceria do compositor com o também parceiro de peladas Ricardo Augusto e que no mesmo ano ganhou uma gravação no disco de estréia de Zezé Mota, aparecer, com violões, teclados, sopros e a pulsação do baixo de Jamil Jones, para encerrar o primeiro lado do disco cheio de suingue. "Morro do medo, morro do sono, morro do sonho, morro no asfalto", canta a voz do morro num esperto jogo de palavras ("Pobre de mim, pobre de nada"), bem típico de suas incompreendidas letras. O piano de João Donato, parceria que depois se repetiu em outros discos, dá o tom e "Mulato latino", primeira de muitas músicas que ele gravaria do compositor Papa Kid, entra em cena cheia de latinidade com um belo trabalho percussivo, além do brilhantismo dos vocais do cantor. "Bata com a cabeça" aparece como um recado ameaçador aos seus detratores("Quem falar por mim/ que ao menos apareça porque vai dançar, onde for/ bata com a cabeça") num soul nervoso, que é também o primeiro registro fonográfico da guitarra de Victor Biglione, com um arranjo brilhante de Marcio Montarroyos. Em "Falando de pobreza" a guitarra de Perinho Santana dá o tom para uma letra do compositor Tureko que, cheia de angústia, soa irônica e questionadora dos valores e convenções culturais vigentes ("Falando de pobreza sem ser triste, falando de tristeza sem ser pobre, ah, há quanto tempo? ah, quanto custa hoje em dia?"). "Solando no tempo" traz os belos sopros de Oberdan e a voz de veludo do cantor no seu melhor estilo, que tanto influenciaria nossos roqueiros-blueseiros-mpbistas como Cazuza e Cássia Eller, enquanto "Fadas", canção que anos depois viria a se tornar um clássico no seu repertório, fecha o trabalho de forma magistral. Com, o então "A Cor do Som", Armandinho já demonstrando o talento para chorinhos que depois marcaria sua carreira, Melodia passeia por uma letra cheia da dubiedade característica da sua forma de se expressar.A voz poética de "Onde o Sol bate se firma" com um toque de sonhar sozinho sai em qualquer direção. "De passo-a-passo passo", conclui de forma magistral seu passeio pela cidade dividida. A voz marginalizada agora é poeta. Como num passe de mágica. Num conto de fadas. Mas continua cego e sem direção. Sem juízo. A capa e a contracapa. 
Produzido por Guto Graça Mello e lançado pela Som Livre, "Mico de Circo" teve um lançamento inusitado nas ruas de Salvador, com Melodia e Wally Salomão desfilando pelas ruas da cidade numa charrete até o Mercado Sete Portas onde foi distribuído um grande almoço. O artista justificou o lançamento nas ruas dizendo que são nelas que os marginais, os homenageados do disco, se encontram. O disco teve críticas positivas, mas não teve o mesmo trabalho de divulgação nem o mesmo exito comercial dos anteriores (embora mantenha o mesmo padrão de qualidade). As dificuldades de relacionamento de Melodia com os esquemas da gravadora e o show business começavam a tomar maiores proporções. Começava aí a fama de maldito que acabaria virando uma marca. Depois desse trabalho, sairia da Som Livre e entraria num troca-troca de gravadoras que marcaria sua difícil década de 80 até um retorno triunfal nos anos 90. "Mico de circo" é o fim de um ciclo. Um fechamento que conclui em alto nível a trilogia que marca a genial primeira fase da carreira de um dos mais completos artistas da música brasileira da geração pós tropicália.


(Texto: Leandro L. Rodrigues)
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