Destaques

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Death Metal Festival Tour Brazil 2008 - 04-07-2008





Sinceramente, não tinha mais esperanças de ver o POSSESSED ao vivo, pois seus integrantes já estavam envolvidos em outros projetos e o fato de Jeff Becerra estar em uma cadeira de rodas por ter sido vitima de tiros que quase tiraram sua vida, seriam motivos suficientes para eliminar qualquer possibilidade de shows da banda. Mas ao contrario do que pensavam os pessimistas, a banda que ajudou a fundar e difundir o Death Metal (estilo polemico e adorado por uma legião de fãs) confirmaria quatro datas no Brasil (Curitiba, São Paulo, Recife e Belo Horizonte). E de quebra, quem acompanharia Jeff nesta reencarnação do POSSESSED, seriam os caras do SADISTIC INTENT.
O Kazebre Rock Bar, casa de show popular na Z/L de São Paulo, mas sem muita tradição em sediar eventos desse porte foi o palco da DEATH METAL FESTIVAL BRASIL TOUR 2008, que contou ainda bandas, BUCEITOR, APOKALIPTIC RAIDS, THE ORTHER, BESTIAL ATROCITY, COMANDO NUCLEAR, NERVOCAOS, TOTAL DEATH, KORZUS e os já mencionados SADISTIC INTENT e POSSESSED.
A princípio, imaginei que o festival se estenderia ate o amanhecer, mas com a utilização de dois ambientes, as apresentações foram intercaladas entre os dois palcos sendo respeitado todo o cronograma do evento. E nesse ritmo, a primeira banda a subir ao palco foi o BUCEITOR, banda que conta em sua formação com Punk (ex. SIEGRID INGRID) e André Cursi (Guitarra THREAT ) que diante de um publico bastante reduzido, apresentou musicas cheias sarcasmo e peso e ainda mandou covers de S.O.D e NAPALM DEATH.
Confesso que não vi as apresentações do BESTIAL ATROCITY, NERVOCAOS, THE ORTHER e APOKALIPTIC RAIDS que tocaram no segundo palco e agradaram bastante aos que acompanharam as performances destes verdadeiros batalhadores do cenário nacional e que deixaram todos muito satisfeitos com apresentações cheias de fúria e energia.
No palco principal a banda Equatoriana TOTAL DEATH fez uma apresentação burocrática, mas agradou com seu Death Metal cheio de técnica. O COMANDO NUCLEAR entrou em cena com o jogo ganho, e confesso que fiquei muito empolgado com aquela homenagem explicita ao metal dos anos oitenta. Destaque para o cover de “Satã Clama Metal” do AZUL LIMAO. Na sequencia, uma das bandas mais cultuadas do cenário nacional, O KORZUS, praticamente deixou o Kazebre em chamas e lavou a alma dos presentes com um desempenho de arrepiar. Tocaram musicas do seu aclamado “Ties Of Blood” e clássicos de toda a carreira. Prova disso, foi ver Jeff Becerra em sua cadeira de rodas agitando como um louco. Show fantástico!
O SADISTIC INTENT foi a penúltima banda a tocar, e naquela altura do campeonato, todos já estavam a espera do que viria a seguir, a banda não fez feio, e com seu Death/Black Metal aqueceu a galera.
Os caras nem tiveram muito tempo para tomar folego, e na sequencia Jeff se juntou a banda para executar alguns dos maiores clássicos do Metal Extremo e, mesmo em uma cadeira de rodas, o cara dominou a plateia, executando clássicos dos seminais, “Seven Churches” e “Beyond The Gates” para delírios dos saudosistas. Apesar de um set mito curto, sai do Kazebre com a mesma sensação que uma criança quando sai de um parque de diversões. Simplesmente m-a-t-a-d-o-r!

(Texto: Robério Lima)
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terça-feira, 3 de abril de 2012

O Inicio, O Fim e o Meio, Sem Terminar o Inicio.





Certa feita de uma data não muito distante, resolvi assistir e saber um pouco mais sobre o início, o fim e o meio.  Assistindo ao filme do Walter Carvalho “Raul, o inicio, o fim e o meio”.
O documentário relata causos de 94 pessoas próximas a este “mito” da música, Raul Seixas. Se é que posso chamá-lo de mito, mas prefiro ser colocado desta maneira, uma pessoa que conseguiu mesclar um gênero musical de diversas classificações, tais como:  Rock and roll; Rockabilly;  Baião; Country;  Rock psicodélico;  Folk;  Folk Rock; MPB e Acid Rock, ou o que ele mesmo se auto definiu ” Rauseixismo”.
Obviamente sua história segue uma ordem cronológica, diante dos causos contatos pelos entrevistados, bem como, estes são alavancados de forma aleatória na ordem que se apresentaram na vida deste mito. É uma história bem contada, desde sua juventude quando escutava Luis Gonzaga, conforme depoimento de seu irmão e familiares próximos, até sua morte contada em detalhes pelo porteiro de seu prédio na época.
Com a direção também de Walter Carvalho e Leonardo Gudel, eles buscaram imagens que não se consegue ver em lugar algum, de tal modo executaram uma verdadeira garimpada em imagens de Raul jamais vistas.
Raul pronunciava ser apaixonado por cinema, esperava acabar um dia em Hollywood fazendo filmes. Formado em filosofia era um metafísico da música, mas não deixando de lado o adjetivo mito. Resolveu ser cantor de Yê-Yê-Yê Realista quando descobriu que o brasileiro não gostava muito de ler. Homem de muitas mulheres, umas americanas outras brasileiras, mas que marcou todas elas, de forma intensa... Grandes parceiros como Mauro Motta, Paulo Coelho, entre outros, Paulo este quem lhe mostrou o mundo de outra forma, com as drogas! Fato curioso é no depoimento de Paulo que em sua residência, Genebra, aparece uma mosca ao seu redor, ele se surpreendeu dizendo nunca ter visto uma mosca na Suiça, no mesmo momento declarou que não a mataria e em seguida lhe deu um tapa na sua mão esquerda que culminou em uma longa gargalhada.
As letras de suas músicas, não eram apenas “singles”, mas sim verdadeiras poesias, eram musicas que contavam histórias, eram tão inteligentes que nem mesmo a ditadura da época conseguiu censurar tanta inteligência, conforme Pedro Bial relatou em sua entrevista quando relacionou a sua música “Ouro de Tolo”.
Criou uma sociedade alternativa, ”Se você não está dentro de uma sociedade alternativa a sociedade alternativa sempre esteve dentro de você”.  É de se arrepiar.
Assistam ao filme e sejam felizes!

(Texto: John Rudy)
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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Para a Nooossa Tristeza!





Venho me perguntando a certo tempo sobre o motivo de tantas bobagens virarem hit da noite para o dia na internet, e nesse sentido o  YOUTUBE tem ajudado a tornar esse fenômeno ainda mais frequente.  O exemplo mais recente e o vídeo  “Para a Nossa Alegria” que transformou os participantes da “ presepada” em verdadeiros “Pop Stars”. Foram mais de 13 milhões de acessos ate agora, e vários convites para participarem de programas de TV. Além disso, o vídeo também virou febre nas principais redes sociais e deixa no ar uma questão interessante; Porque damos importância a tanta baboseira? Afinal a síndrome da “celebridade relâmpago” esta cada vez mais respaldada por uma mídia empobrecida e carente de um publico mais seletivo, pois diariamente, nos empurra goela abaixo, qualquer porcaria, que engolimos sem ao menos termos a decência de identificar o sabor.
Assisti ao vídeo em questão, inúmeras vezes, no intuito de encontrar uma resposta para tanta repercussão e constatei que os ingredientes são praticamente os mesmos para qualquer “patifaria” desta natureza. O vídeo não destaca nenhuma baixaria, mas o alarde sobre algo “tão sem graça” deveria despertar em cada um de nos a vontade de procurar caminhos diferentes para deixar de lado manifestações vazias e sem proposito algum. Meu Deus! Na verdade, a Família Barbosa e apenas mais uma das vitimas de um sistema esgotado que tem como mecanismos de apoio as bizarrices televisivas que constroem e destroem impiedosamente,"mitos vazios".
Em tempos de “banda larga ilimitada” vamos utiliza-la para algo mais saudável, pois e uma ferramenta importante no sentido de viabilizar muitas ideias interessantes, mas que certamente não atingem nem um decimo do publico que valoriza tanta coisa sem sentido.

(Texto: Robério Lima)
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domingo, 1 de abril de 2012

William Faulkner - Enquanto Agonizo





Enquanto Agonizo é o título do livro escrito por William Faulkner (vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1949). Ler esse romance foi sem dúvida alguma o maior desafio que tive em se tratando de literatura, pois só consegui concluí-lo na terceira tentativa, nas duas primeiras eu acabei por me perder em sua magistral narrativa. Até então o livro mais difícil para mim havia sido a Hora da Estrela de Clarice Lispector, mas o li até o fim logo de primeira.
Enquanto Agonizo foi publicado em 1930. Faulkner se distanciou da aristocracia sulista americana e focou-se em personagens mais humildes. Ele descreve com maestria a saga da família Bundren, onde a matriarca Addie Bundren que está a um passo da morte, assiste por uma janela Cash, um dos seus cinco filhos construindo seu caixão. E é após o falecimento da mãe que o livro engata mesmo. Começa aí uma aventura daquelas de tirar o fôlego. A família se vê obrigada (na verdade quem se vê obrigado é o pai) a cumprir o desejo de Addie que é ser enterrada em sua cidade natal. Não vou revelar muito sobre o livro (se eu penei por que vou dar tudo de mão beijada?), mas só para se ter um gostinho: chuva torrencial, pontes destruídas, o corpo da mãe sendo transportado em cima de uma carroça durante alguns dias (imagine o cheiro) e um dos filhos com uma perna putrificada em decorrência de um acidente. Tudo isso narrada de uma maneira extraordinária por Faulkner. Os capítulos tem o nome dos personagens e eles nunca falam sobre si mesmo. É como se o leitor fosse levado à mente de cada um, portanto o livro é narrado em primeira pessoa (pessoas).
Bom, fica aí a dica de um romance que foi eleito um dos cem melhores romances em inglês do século XX.

(Texto: Sergio Silva)
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Roberto Carlos - 1977





Uma das parcerias mais bem sucedidas da musica popular brasileira, Roberto e Erasmo Carlos são os responsáveis pela criação de canções que marcaram profundamente o imaginário de varias gerações. Desde os primórdios da Jovem Guarda passando por uma fase mais melancólica ate chegarem ao período escancaradamente romântico, foram inúmeras canções, no mínimo brilhantes que atingiram as mais diversas classes sociais por abordar algo que esta presente na vida de cada um de nos, O AMOR.
Poderia indicar qualquer disco de ROBERTO CARLOS das décadas de 60, 70 ou 80, mas acredito que um grande exemplo para ilustrar meu argumento e o disco de 1977 que possui doses intensas de romantismo e que tem como tema de abertura “Amigo”, umas das mais famosas composições da dupla e que de certa forma, e o símbolo da parceria. Tente não se emocionar com “Outra Vez” (Isolda) ou “Cavalgada” (Roberto e Erasmo). Enfim, todas as características que o tornaram “REI” estão neste disco, canções interpretadas com uma voz que emociona ate ao mais insensível dos homens.
 Impossível viver sem amor, impossível viver sem a dor e as canções de ROBERTO e ERASMO nos ajudam a equilibrar estes sentimentos tão distintos, mas que contrapõem nossa frágil existência.

(Texto: Robério Lima) 
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domingo, 25 de março de 2012

Philips Monsters Of Rock - 27 de Agosto de 1994





27 de Agosto de 1994 ficou marcado na memoria de muitos, pois foi realizada a primeira edição brasileira do famoso festival inglês MONSTERS OF ROCK, e que por aqui ficou eternizado pelo nome de PHILIPS MONSTERS OF ROCK por ter como seu principal patrocinador a empresa Holandesa de eletrônicos.
Quando surgiram os primeiros boatos a respeito do festival, muita gente não acreditou, ate porque, na época a internet engatinhava e, nesse caso, constatar a veracidade de certos fatos era tarefa difícil.
As bandas anunciadas para a primeira edição do festival foram muito festejadas pelos fãs e apesar das formações da época não estarem a altura de suas respectivas historias, foram muitos bem vindas pelo publico brasileiro. KISS, BLACK SABBATH, SLAYER e SUICIDAL TENDENCIES deliciaram a todos com clássicos e mais clássicos. Curiosamente as bandas nacionais escaladas estavam todas no auge e não fizeram feio diante da multidão que esteve no estádio Paulo Machado de Carvalho. RAIMUNDOS, VIPER, DR. SIN e ANGRA foram agraciadas com a oportunidade de tocarem no mesmo palco dos verdadeiros “MOSTROS”.
A banda responsável pela abertura do festival foi o VIPER que desfrutava de muito prestigio no Japão e ate gravou o EP “Maniacs in Japan” em terras nipônicas.
O RAIMUNDOS foi a segunda banda a entrar no palco e com seu “forro core” e já deixou o publico em alvoroço, de quebra, ainda teve a participação do Joao Gordo que colocou ainda mais lenha na fogueira. Falem o que quiser, mas o primeiro disco dos caras e muito bom e com doses intensas de ousadia.
A terceira banda a entrar no palco foi o DR. SIN que já tinha bastante prestigio no cenário nacional e com um Hard n Heavy certeiro agradou o publico com a musica “Emotional Catastrophe” que tocava bastante na época.
A ultima banda nacional a entrar no palco foi o ANGRA que alcançou popularidade somente comparada a do SEPULTURA no exterior e tinham lançado o excelente “Angels Cry”.
O Pacaembu já estava praticamente lotado e SUICIDAL TENDENCIES contaminou a plateia com energia e movimentação, sempre presentes em todas as apresentações da banda e Mike Muir e Cia como sempre tiveram o publico literalmente na mão.
O mais natural seria ter o SLAYER na sequencia, pois estávamos falando de dois monstros sagrados do metal (KISS e BLACK SABBATH), mas na pratica o que se viu foi o BLACK SABBATH com sua formação quase original, mas que contava com o mediano Tony Martin no vocal, tarefa difícil, pois a banda já teve em sua linha de frente lendas do porte de OZZY OSBORNE, RONNIE JAMES DIO e IAN GILLAN. Definitivamente não foi uma boa apresentação da banda, que divulgava o disco “Cross Purposes”.
Quem já esteve em uma apresentação do SLAYER entendera o que foi o show dos americanos e saberá que o publico presente esteve diante do inferno onde todos faziam questao de permanecer. Tom Araya, Kerry King, Jeff Hanneman e Paul Bostaph levaram os quase 40 mil “Bangers” presentes ao êxtase absoluto.
Para encerrar o evento com chave de ouro o KISS, que retornava ao Brasil agora sem mascara e depois de onze anos deu ao publico o que ele queria e mesmo não tocando seu maior hino (Rock N Roll All Nite) agradou boa parte do publico presente que aquela altura já estava em frangalhos, devido a maratona de quase 10 horas do mais puro som pesado. 

No final o saldo foi mais que positivo e já deixava aberta a possibilidade de uma segunda edição do festival. Em breve falaremos do “MONSTERS 95” que teve OZZY e ALICE COOPER entre os Headliners.

(Texto: Roberio Lima) 
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sábado, 17 de março de 2012

Cinema Paradiso





Giuseppe Tornatore já tinha certa experiência na TV e no cinema quando nos brindou com esse que foi seu maior sucesso cinematográfico. O Filme arrebatou os principais prêmios internacionais e encantou plateias do mundo inteiro com a historia de amizade entre Alfredo (Philippe Niret) e Totó (Salvatore Cascio).
Relato nostálgico e apaixonado de uma época de ouro em que o cinema era matéria de admiração e todas as idades se reuniam para apreciar filmes dos grandes mestres da sétima arte. Na verdade, a paixão pelo cinema e o caminho que nos conduz a reflexão sobre o vazio e as separações amorosas sem explicações.
A cada vez que assisto CINEMA PARADISO tenho a sensação de me tornar mais humano, e aos que acusam o filme de sentimentalista, (podem ate ter razão, mas quem se importa?), só posso afirmar que  isso e mais uma prova de que estamos diante de um grande filme.

(Texto: Roberio Lima)
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terça-feira, 13 de março de 2012

A poesia de um povo heróico retumbante




No dia 14 de Março comemoramos o “Dia Nacional da Poesia”. Poesia... Pode-se definir como um jogo de palavras bem colocadas, uma prosa, filosofia, fora do comum, transfigurando o mundo real do imaginário, um acalento para a alma que nos faz adormecermos como crianças num aprofundado poético.

            Não é em vão que se comemora neste dia, entretanto foi quando nasceu Benedito Lacerda, José Maria do Amaral, até mesmo Manoel Carlos e claro entre outros como Castro Alves, ele quem motivou a ser nesta data. A poesia no Brasil tem seu inicio no Quinhentismo, no período colonial, em um cronograma geral seguimos a seqüência do Barroco, Romantismo, Modernismo, Parnasianismo, Simbolismo e o Pos Modernismo.
           
“São duas flores unidas.
            São duas rosas nascidas.
            Talvez do mesmo arrebol.
            Vivendo no mesmo galho.
            Da mesma gota de orvalho.
            Do mesmo raio de sol.
Unidas ... Ai quem pudera.
Numa eterna primavera.
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida.
Na rama verde e florida.
Na verde rama do amor.”  – Castro Alves.

Grandes nomes poéticos se destacam no Brasil, a qual ficaríamos a transcrever um número quase que infinito destes homens honrados. È um talento natural que nem pede passagem, por sinal recebem até licença poética, mas claro isto é para poucos.

Como dizia Cecília Meireles: “E assim passamos a tarde neste longo exercício de alma, que jamais seja um sofrimento, para que a escrita seja legível.” Vinicius de Morais: “Para viver um grande amor” precisamos de uma “Mensagem à poesia” segurando a “Receita de mulher” pois a “Mulher que passa” nos traz o “Soneto da Felicidade”.

“De tudo ao meu amor serei atento
antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento.
e em seu louvor hei de espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar meu pranto.” - Vinicius de Moraes.

Por isso não nos deixemos perder por coisas banais “Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes” – Carlos Drummond de Andrade. Então largue tudo que está fazendo agora e comece a ler uma poesia e seja feliz sempre!

(Texto: John Rudy)
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sexta-feira, 9 de março de 2012

Um Fio De Cabelo De Uma Mulher Pode Valer Mais Do Que Um Falso Ideal




A hipocrisia é pior que a indiferença. Atualmente assistimos a uma onda de falsos ideais que me enoja, vivemos uma época tão vazia de valores reais que assistimos todo dia nas telas e nas ruas, assim como nos lares, uma crescente necessidade de demonstração de valores e sentimentos inexistentes. Diante do único valor atualmente dominante, o valor de marcado, vejo uma classe média engajada na tentativa de camuflar o seu vazio e sua futilidade. Uma das saídas encontradas pelo indivíduo realmente vazio e apegar-se a ideais de beleza e valores que na verdade foram, há tempos, transformados em mercadoria, com as bençãos do todo poderoso deus Mercado, o único realmente cultuado em nossa elegante e decadente sociedade.
    Entre esses ideais estão o amor e a religião, que podem ser comprados e consumidos em templos e motéis por qualquer um incapaz de lidar com a difícil arte de viver o real, assim como as drogas são a fuga do covarde diante da incapacidade de encarar, de cara limpa, uma vida real e de prazeres raros. Essa incapacidade de ser protagonista de sua própria história faz com que muitos cometam o absurdo de depositar no outro uma responsabilidade que é só dele: a de dar sentido a sua própria existência.
   Tudo isso tem resultado numa onda de infantilidade absurda que reflete como a maturidade é um estágio alcançado por poucos, faço minhas as palavras de Luiz Felipe Pondé quando este afirma que  "a infantilidade se tornou um direito de todo cidadão". Algumas instituições, há muito falidas; como a família, são hoje utilizadas pelo mercado como garoto propaganda e, dessa forma, como o mercado determina o que somos, se não aderimos a esses valores e instituições somos destituídos de qualquer qualidade  moral. Na obra O estrangeiro, de Albert Camus, o personagem Meursault é acusado de matar um homem e, durante seu julgamento, o promotor usa como principal argumento para sua condenação o fato de, dias antes, o réu ter ido a o enterro de sua mãe e não ter chorado e, além disso, no dia seguinte, ter se deliciado nos braços de uma mulher , como se isso fosse uma evidência de sua desumanidade.
   Não só discordo dos argumentos do promotor como concluo que chorar no enterro da mãe pode, em muitos casos, ser apenas uma necessidade de demonstração, para o outro, de algo que não existe de fato. Na obra esse mesmo personagem , que em determinado momento passa a ser julgado não mais pelo assassinato, mas por não ter chorado no enterro da mãe com a qual mal conviveu, recebe em sua cela a visita de um padre que, muito surpreso com o fato do réu ter afirmado ser ateu, tenta convencê-lo de que é inaceitável viver sem a concepção de Deus. Em determinado momento Meursault, irritado com os argumentos infundados do padre, agarra o seu colarinho e, cheio de indignação, pronuncia a frase mais expressiva de toda a obra:"sua religião não vale um  fio de cabelo de uma mulher".
      A mulher a qual o personagem se refere é Marie e pela qual demonstra um sentimento que não se encaixa em nada com esse amor romântico piegas de nossos dias, sendo, pois, mais real; haja vista não se basear em nenhum ideal metafísico. Podemos ter uma ideia dos sentimentos do protagonista com base na forma que Marie é descrita, linda, cozinhando sua comida,de vestido solto e listrado, enchendo sua vida de desejo, com os cabelos caindo nos ombros. Marie usava aquele tipo de vestido de verão solto, que permitia Meursault tocar, como se fora seu dono, o calor úmido entre suas pernas. Podemos concluir que, viver uma vida própria, sem seguir modelos pre-determinados, constitui uma violação às regras que sustentam uma sociedade fundada na hipocrisia. Meursault e Marie não queriam agradar a ninguém além deles próprios, não nomeavam o que sentiam, apenas atendiam o chamado dos seus desejos sem culpa e, portanto, talvez tenham conseguido algo que poucos conseguem: viver um momento de plenitude, o que vale mais do que uma vida inteira sem sentido.  

(Texto: Nilton Aquino)
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domingo, 4 de março de 2012

Carnificina Fest 6 - 03/03/12





A cena underground na Zona Leste de São Paulo nunca esteve tão ativa e graças à iniciativa de verdadeiros amantes da boa musica estão surgindo diversos festivais que são importantíssimos no intuito de promover bandas dos mais variados estilos. Entre esses festivais estão Maquina Profana Fest  e Carnificina Fest que mobilizam bandas dos quatro cantos do estado de São Paulo. A sexta edição do Carnificina Fest nos proporcionou uma experiência singular por trazer um dos principais ícones do cenário paulista, os maníacos do BANDANOS.  O festival estava previsto para começar as dezoito horas,  e nesse horário já haviam alguns headbangers em frente ao Bar Empório do Rock, que tem estrutura modesta, mas com dimensões ideais para sediar a “Carnificina”. Como já e de costume em festivais deste porte o destaque fica para as bandas que apoiam e participam ativamente de eventos como este. Foi o que podemos constatar com a presença de integrantes do CERBERUS ATTACK, P.D.N e ATOMIC DOGS.
A primeira banda a entrar no palco foram os caras dos IDEOCRIME com seu Hardcore/ Punk veloz e pegada doentia agitou a galera que naquele momento já estava insana.  O MANICOMIO (que substituiu o HOMELEES no festival) entrou em seguida e com um dos organizadores do festival no vocal (Sabote Zikamemo) deu mostras da insanidade presente em seu som e agradou muito ao publico que aquela altura já estava derretendo com o calor. As duas bandas que antecederam a apresentação histórica do BANDANOS foram o TERROR AGRESSAO e SOCIAL TERROR, que vieram diretamente de Itapetininga.  Destaque para o cover de “Periferia” do RATOS DE PORAO  executada pelo TERROR AGRESSAO.
Antes de falar sobre a apresentação dos BANDANOS, deixarei registrado o ponto negativo da noite. O publico estava interagindo em total harmonia e podíamos perceber entre os presentes a mistura de estilos, ate que um (..), não consigo encontrar uma definição, começou a fazer apologia ao Nazismo,  e certamente este (...) não saiba  que este tipo de atitude e crime sem direito a fiança e graças aos caras do BANDANOS que ficaram indignados com a situação o (...) foi expulso do recinto e assim as coisas ficaram mais tranquilas.
Bom, tranquilidade não seria o termo mais apropriado para definir o que veio a seguir, pois era hora do massacre e ninguém melhor que Cris Platterhead (voz), Marcelo Papa (guitarra), Helder Lange Tiso (bateria) e Xlaurox A. Kushiyama (baixo) para dar uma aula de simplicidade e energia, pois os caras chegaram cedo e assistiram todas as bandas e mesmo já tendo em seu currículo shows com o EXTREME NOISE TERROR, RATOS DE PORAO, KRISIUN e DR. LIVING DEAD os caras não demonstram nenhum estrelismo.  Depois de um rápido discurso (necessário por sinal) sobre o episodio mencionado no paragrafo anterior, o bicho pegou e clássicos como “Azul, Vermelho e Branco” , “Stay Cyco”, “Only For Good Thrashers” foram a senha para a “sessão do descarrego”. Crowding Surfing e rodas doentias se formaram do inicio ao final da apresentação.
Para finalizar, parabéns aos caras do CARNIFICYCO PRODUCOES e aos demais envolvidos por proporcionar esse histórico manifesto da cultura underground. Que venha mais carnificina!

(Texto: Roberio Lima)
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